29 de abril de 2017, 09:15

EXCLUSIVA Moema e Robinson são os maiores derrotados no PED do PT na Bahia

Foto: Montagem/Política Livre

A prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho, e o deputado federal Robinson Almeida aparecem como os dois principais derrotados no PED que definirá no próximo dia 7 de maio o comando do PT na Bahia. Os dois jogaram abertamente contra a reeleição de Everaldo Anunciação, em alguns casos, segundo interlocutores do presidente do PT, de forma excessivamente raivosa.

Conhecido pela ambição política, Robinson planejara, desde o primeiro momento, assumir o comando do partido. Como as restrições ao seu nome no PT são grandes e ficaram incontornáveis durante o processo, teve que se contentar em apoiar a chapa liderada pelo deputado Waldenor Pereira, a Muda PT, contra a Construindo a Nova Bahia, encabeçada pelo atual presidente.

Já Moema Gramacho, apesar das conhecidas ligações com o governador Rui Costa (PT) e o ex-governador Jaques Wagner, que apoiaram a reeleição de Anunciação, resolveu abrir dissidência em relação a eles sob o argumento, segundo se comenta no partido, de que o grupo do presidente do PT estava mais próximo dos dois do que a tendência a que ela e os líderes petistas pertencem, a Reencantar.

A vitória de Anunciação foi assegurada depois que a direção nacional decidiu validar os 20 mil votos totalizados pela Secretaria de Organização Partidária (SORG) no PED em que foram eleitos os diretórios municipais e os delegados à convenção estadual que escolherão no próximo sábado a direção estadual petista e ele celebrou uma composição com o grupo do deputado federal Walmir Assunção.

Na contramão do caminho trilhado por Robinson e Moema, Assunção consolida-se como a segunda força mais importante do partido, devendo ocupar fatia importante do comando da legenda a partir da convenção de sábado. Em conversa ontem com o Política Livre, Anunciação disse que, apesar da maioria obtida, pode lançar um nome alternativo à presidência no evento.

A iniciativa dependerá de uma conversa que ele deve ter com o governador, o ex e com o secretário de Relações Institucionais, Josias Gomes, mentor de sua candidatura e, individualmente, figura que sai mais fortalecida em todo o processo eleitoral interno do partido. Este Política Livre apurou, entretanto, que os três devem fazer um apelo para que ele permaneça no comando da agremiação.

28 de abril de 2017, 16:44

EXCLUSIVA Com vitória na mão, Everaldo pode passar comando do PT a outro

Foto: Divulgação/Arquivo

Presidente do PT, Everaldo Anunciação

Com a decisão da direção nacional do PT de validar os 20 mil votos totalizados pela Secretaria de Organização partidária na Bahia no PED que elegeu os novos diretórios municipais e os delegados à convenção estadual, o atual presidente do partido, Everaldo Anunciação, está praticamente reeleito na convenção do próximo sábado, já que seu grupo fechou uma aliança com o deputado federal Valmir Assunção que lhes dá a maioria na direção da agremiação.

Mesmo assim, Everaldo quer ter primeiro uma conversa com o governador Rui Costa (PT), o ex-governador Jaques Wagner e o secretário estadual de Relações Institucionais, Josias Gomes, antes de colocar seu nome à apreciação dos convencionais. “Tenho 10 anos no comando do PT. Acho que o partido precisa de uma oxigenação, por isso não descarto, a depender destas conversas, apresentar um nome alternativo”, diz Everaldo ao Política Livre.

Ele acha que poderiam se incumbir da tarefa de dirigir o partido neste mandato excepcional de dois anos tanto nomes tradicionais como o do ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli e do ex-deputado federal Emiliano José quanto lideranças mais jovens, a exemplo dos sindicalistas Deivyd Barcelar, do Sindicato dos Petroleiros, e Rosângela Souza, da Fetrab (Federação dos Trabalhadores na Agricultura).

Este Política Livre apurou, no entanto, que Rui, Wagner e Josias devem fazer um apelo a Everaldo para que permaneça na direção petista, alegando que o mandato que se inicia será transitório. No caso de permanecer, o presidente, entretanto, vai buscar um pacto com as demais chapas concorrentes e construir a transição para uma mudança no comando da agremiação daqui a dois anos.

27 de abril de 2017, 10:48

EXCLUSIVA Em jogo combinado com Neto, Zé Ronaldo avalia ingresso em PP, PR, PSB e PRB

Foto: Arquivo

Não é de agora que Zé Ronaldo e ACM Neto sentam juntos e misturados

Além do PP, o prefeito de Feira de Santana, Zé Ronaldo (DEM), avalia para eventual ingresso legendas como o PR, o PSB e o PRB. Qualquer uma delas serviria ao propósito de estar bem posicionado num partido alternativo ao DEM para integrar a chapa de ACM Neto (DEM) em 2018. Zé Ronaldo é também citado por assessores de Neto como um dos nomes com que o grupo pode marchar ao governo, na hipótese, muito remota, frise-se, de o prefeito de Salvador desistir de concorrer à sucessão estadual. Os outros nomes lembrados são os do ministro tucano Antonio Imbassahy (Relações Institucionais) e o do senador Otto Alencar (PSD), que, no entanto, hoje está no campo adversário do governador Rui Costa (PT). No caso de ser o candidato a governador, Ronaldo, entretanto, permaneceria no DEM. O jogo, portanto, é combinadíssimo com ACM Neto.

27 de abril de 2017, 08:48

EXCLUSIVA Deputado Bacelar dá sua mãozinha pelo sucesso da greve geral

Foto: Divulgação/Arquivo

Bacelar não quer ninguém trabalhando nesta sexta-feira em sua equipe

Empenhado pelo sucesso da greve geral convocada pelas centrais sindicais e partidos esquerdistas, o deputado federal Bacelar (PTN) resolveu dispensar na sexta-feira, dia em que normalmente chega a Salvador vindo de Brasília, inclusive a empregada. Seus gabinetes de Salvador e Brasília também estarão fechados no dia da paralisação. “Aqui (no meu time), a greve será geral na sexta”, avisa.

27 de abril de 2017, 08:24

EXCLUSIVA Imbassahy, Ronaldo e Otto, as alternativas de Neto, por Raul Monteiro

Foto: Montagem/Política Livre

Quem aposta em que o prefeito ACM Neto (DEM) reavalia sua possibilidade de se candidatar ao governo em 2018 está cometendo um engano. Ele tem relatado a amigos um “desejo crescente” de concorrer ao cargo contra o governador Rui Costa (PT) e atribui, em certa medida, parte do estímulo ao próprio petista, que, na avaliação de correligionários do prefeito, não pára de cutucar o democrata. Uma parte dos receios de Neto quanto a concorrer também estão sendo desfeitos. Eles envolvem a performance de seu eventual sucessor, Bruno Reis (PMDB).

Neto tem confidenciado a interlocutores que o vice-prefeito tem cumprido o estágio que lhe impôs na administração com média acima do esperado, o que lhe dá mais segurança para renunciar à Prefeitura no meio do seu segundo mandato para enfrentar a sucessão estadual. Em outras palavras, Bruno já mostrou que tem condições de segurar a peteca na ausência do líder, o que significa que o prefeito pode deixar o cargo e, mesmo na hipótese de perder a disputa pelo governo, encontrar um anteparo confortável para amortecer-lhe a queda.

O outro ponto que Neto avalia diz respeito à sucessão presidencial que, pela tradição na Bahia, costuma influir diretamente nas candidaturas estaduais. Como, para o grupo do prefeito, as chances de o ex-presidente Lula (PT) se tornar inelegível são grandes, em decorrência de uma eventual prisão pela Lava Jato ou mesmo por causa de uma condenação na mesma operação, não há fantasma no horizonte capaz de dificultar-lhe o caminho. Mas como Neto tem dito a amigos que se tornar governador não é uma obsessão, o prefeito também avalia a hipótese de não concorrer.

Neste caso, tem apresentado como alternativa para sua eventual ausência no páreo três nomes. O primeiro deles é o do ministro Antonio Imbassahy (PSDB), que cuida da articulação política do presidente Michel Temer (PMDB) e, pelo menos sob o aspecto da máquina e estrutura que o governo federal assegura, pode chegar forte em 2018, na avaliação de interlocutores do prefeito. O segundo nome é o do prefeito de Feira de Santana, Zé Ronaldo, um democrata cuja inserção no interior é respeitada por Neto e vista por ele como um diferencial na disputa do lado das oposições.

A lembrança ao nome de Zé Ronaldo explica porque recentemente noticiou-se que ele estaria avaliando um novo partido para ingressar, o que também é um indicativo de que seu nome é avaliado por Neto para uma posição na sua própria chapa. A terceira hipótese envolveria um patamar de articulação que ainda não se consumou, mas integra uma parte do plano estratégico do prefeito. Seria representada pelo senador Otto Alencar (PSD), que, apesar de ser um aliado do governador, netistas acreditam que teria sua chance de ouro de concorrer e ganhar o governo, no caso de o democrata desistir da disputa e apoiá-lo.

* Artigo publicado originalmente no jornal Tribuna da Bahia

Raul Monteiro*

26 de abril de 2017, 13:50

EXCLUSIVA Rui segura Kátia Alves e assessores aumentam pressão por candidatura de Neto

Foto: Divulgação/Arquivo

Delegada de carreira, ex-vereadora Kátia Alves não conseguiu liberação do governo estadual para atuar na Prefeitura

A equipe é a maior incentivadora da candidatura de ACM Neto (DEM) ao governo do Estado. Assessores do prefeito dizem que não aguentam mais o que denomimam “perversidades” praticadas pelo governador Rui Costa (PT) com quem está fechado com Neto. O governo do Estado, por exemplo, não liberou até agora a delegada Kátia Alves para assumir a diretoria de Fiscalização da Sedur (Urbanismo), mesmo sabendo que, por sua história, ela não teria qualquer serviço de destaque a prestar à administração estadual. Kátia Alves é chamada de “Rainha do Grampo” por petistas, que a acusam de ter liderado um esquema de espionagem no Estado a mando do ex-senador ACM. “Há vários outros exemplos (das maldades de Rui), além do de Kátia”, diz um membro da equipe do prefeito ao Política Livre.

26 de abril de 2017, 11:14

EXCLUSIVA Em eventual CPI da Cerb, governo convocaria amigos de ACM Neto

Foto: Divulgação/Arquivo

O deputado federal Paulo Azi é um dos amigos do prefeito que dirigiu a Cerb

A articulação política do governo Rui Costa (PT) já tem o que considera o contra-ataque perfeito para o caso de eventualmente, assim como aconteceu na CPI do Centro de Convenções, o pedido da CPI da Cerb ser encaminhado na Assembleia Legislativa. Vai assumir a maioria e começar convocando ex-diretores da companhia ligados à oposição, a exemplo do deputado federal Paulo Azi, o ex-deputado Ricardo Gaban e Manfredo Cardoso, pai de Lucas Cardoso, figura ligada diretamente ao prefeito ACM Neto (DEM). “Precisamos ouvir todos para saber como se chegou a esse débito pago pelo governo”, diz ao Política Livre um deputado governista às gargalhadas. A CPI da Cerb é uma idéia da oposição para constranger o governo e, especialmente, o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Jaques Wagner, no governo de quem a Cerb pagou à Odebrecht R$ 390 milhões, o que, segundo delatores, levou a companhia a repassar R$ 30 milhões ao caixa do PT na Bahia.

26 de abril de 2017, 08:52

EXCLUSIVA Tia Eron pode dançar na Prefeitura e derrubar Marcos Medrado da Câmara

Foto: Divulgação/Arquivo

Tia Eron, do PRB, não deixa a equipe de ACM Neto contente

Não é confortável a situação da secretária municipal de Ação Social, Tia Eron. Membros da equipe de ACM Neto (DEM) dizem que a secretária parece não ter entendido até hoje a importância da posição escolhida diretamente para ela pelo prefeito. E não descartam sua saída do cargo nos próximos dias. Caso a saída de Tia Eron do governo municipal se concretize, ela acabará derrubando da Câmara dos Deputados Marcos Medrado, suplente que assumiu o mandato com a ida da parlamentar para a equipe de Neto.

25 de abril de 2017, 17:22

EXCLUSIVA Estratégia de Neto para 2018 inclui visitas a interior, grupo de estudo e agenda com prefeitos e vereadores

Foto: Nelson-Peixoto/Arquivo

Prefeito ACM Neto

Uma viagem do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), esta quinta-feira, a Vitória da Conquista, inaugura uma série de visitas de “caráter cirúrgico” a municípios estratégicos do interior dentro de um plano que sua articulação política preparou tendo em vista a sucessão estadual de 2018.

Neto deve ir a muitas outras cidades sempre, no entanto, sob o carimbo de agenda administrativa para não caracterizar desde já que está em campanha para suceder o governador Rui Costa (PT). A iniciativa se junta a algumas outras com o mesmo objetivo.

Estão entre elas a decisão do prefeito de reservar um espaço na agenda para receber, em Salvador, prefeitos e vereadores do interior, além de montar um grupo de trabalho com o objetivo de discutir os problemas do Estado, com participação de gente tanto de fora quanto de dentro do governo.

“Vamos analisar em profundidade o que está bem e o que não está no Estado. E, à primeira vista, o quadro parece extremamente favorável a um projeto de oposição”, diz membro do grupo do prefeito que também se dedica à nova agenda política do prefeito.

24 de abril de 2017, 07:21

EXCLUSIVA Lula não pode deixar isso barato, por Raul Monteiro

Foto: Divulgação

O ex-presidente Lula precisa urgentemente procurar o juiz Sérgio Moro e assinar um acordo de delação premiada para, o quanto antes, dar o troco nestes executivos cretinos que insistem em associar seu nome, sua biografia e sua família à toda sorte de malfeitos. Definitivamente, isso não pode ficar assim. Onde já se viu o primeiro e único grande líder popular de toda a história desse país ter sua imagem destruída sumariamente pelo noticiário fornido por um bando de empresários que só pensa em se livrar das duras penas da Lava Jato inventando toda a sorte de maledicências?

Será que na cabeça pequena desses caras não viceja pensamento mais elevado, senão reduzir as penas a que podem ser condenados, mesmo que para isso tenham que entregar o companheiro, o amigo, o Brahma, Buda, Deus, Jesus Cristo, enfim, uma entidade sem a qual o Brasil não teria ficado tão grande, tão potente, tão brilhante e tão respeitado mundialmente? Tenham santa paciência! Definitivamente, não se pode destruir um mito assim sem que se pague um preço altíssimo. Fizessem psicanálise e os delatores ingratos saberiam do risco a que submetem a Nação.

Mas, como faz crer a defesa de Lula, empresário que é empresário não pensa em absolutamente nada. Afora em ganhar, ganhar, ganhar, quando possível, corromper, e, claro, na primeira oportunidade, desfrutar. Foi para enfrentá-los, a seu espírito animal e seu apetite desumano, que destrói tudo o que encontra pela frente, sem considerar a amizade e a sabedoria verdadeiras, que surgiram o PT e o maior sindicalista da história desse país que um dia teria a honra indescritível de ser presidido por ele, um operário, alguém identificado com sua classe, que só pensava em fazê-la feliz.

Não, não, não! Lula precisa tomar uma providência imediatamente. Ele precisa mostrar que, além de imorais, os executivos que se aproveitaram de sua amizade e sabedoria sinceras para elevar exponencialmente o faturamento de suas empresas às custas de obras com o Estado nas gestões petistas não passam de uns loroteiros sem princípios que, por medo de Moro ou mesmo para ficar bem na fita com a audiência dos telejornais, resolveram deliberadamente conspurcar sua trajetória por meio de uma conspiração vergonhosa com a CIA, com o auxílio da qual construíram uma verdadeira fábula para destruir seus planos de governar de novo este país.

De uma vez por todas, o ex-presidente precisa mostrar que os que contra ele confabulam – e agora eles parecem muitos – não toleram ver pobre andando de avião nem querem presenciar o Brasil em patamar muito superior àquele em que um dia ele o colocou praticamente sozinho. Lula precisa logo deixar claro que está sendo vítima da maior sacanagem de que se tem notícia na história, não mais do país, mas de toda a humanidade. É natural que, depois de tantas delações, o ex-presidente se questione sobre o valor da Justiça e até desconfie de suas intenções para com ele. Mas, como uma autêntica jararaca, Lula ainda pode dar o bote nestes caluniadores.

* Artigo publicado originalmente no jornal Tribuna da Bahia

Raul Monteiro*

20 de abril de 2017, 08:29

EXCLUSIVA A libertação da Assembleia baiana, por Raul Monteiro

O fracasso da CPI do Centro de Convenções mostrou que se precipitaram os governistas que lançaram, ainda que nos bastidores, impropérios contra o presidente da Assembleia Legislativa, o deputado Angelo Coronel (PSD). O desfecho do colegiado que deveria investigar o desastre de uma reforma no equipamento que durante anos foi sinônimo do bem-sucedido turismo de negócios na Bahia é uma prova de que a Assembleia não precisa de um governista empedernido em seu comando, mas de alguém que compreenda a importância de o Parlamento funcionar na base do mérito e da competência que sua correlação de forças permite.

Afinal, ao aceitar que a CPI fosse formada, seguindo parecer técnico da Procuradoria Jurídica da Casa, o que Coronel fez foi apenas colocar em campo os jogadores do governo e da oposição para jogar, exercício que não faziam há pelo menos 10 anos, período em que sobretudo a bancada governista acostumou-se a receber as tarefas devidamente resolvidas e prontas pelo ex-presidente da Casa, o deputado Marcelo Nilo (PSL). Criando um novo paradigma para o Poder, o novo presidente da Assembleia negou-se a seguir o script habitual e agiu essencialmente como um magistrado em todo o episódio.

Neste particular, mostrou que preserva a palavra dada, sobretudo a de campanha, na qual seu mote, principalmente em relação à oposição, era o de que, uma vez eleito, não agiria com partidarismo, mas como um juiz determinado a fazer o Parlamento cumprir o seu papel com independência, ainda que de forma harmônica em relação ao Executivo. Assim, efetivamente abriu espaço para a criação de uma nova cultura na relação entre os dois Poderes na Bahia, na qual a pronta e simples submissão do Parlamento ao governo perdeu espaço para uma nova postura, de altivez e auto-importância.

Com efeito, se tem a maioria na Casa por que precisa o governo de uma babá na presidência da Assembleia que lhe entregue tudo mastigado a fim de se convencer de que pode submeter ao mais completo controle a atividade política dos parlamentares que, por princípio democrático, devem fiscalizar a vida do executivo em favor da sociedade? Não há exemplo melhor desse valor democrático do que o projeto recente de CPI. Um erro fatal da oposição, que equivocadamente ampliou o prazo de investigação para além dos governos petistas, junto com o manejo competente da maioria parlamentar pelo governo matou a comissão na hora da instalação.

Fato é que, enquanto a CPI não afundou, a Assembleia viveu, depois de 10 anos, momentos de emoção, decorrentes da preocupação legítima do executivo de que a oposição conseguisse lhe colocar contra a parede e da expectativa dos deputados oposicionistas de que fossem bem sucedidos na tarefa de desgastar o governo. Ao final, a liderança governista valeu-se da maioria com competência e o governo se deu melhor. Quanto ao novo presidente da Assembleia, mostrou ainda mais valor ao enfrentar uma enorme pressão contra sua convicção inovadora de que é melhor um Parlamento independente do que subserviente.

* Artigo publicado originalmente no jornal Tribuna da Bahia.

Raul Monteiro*

19 de abril de 2017, 19:13

EXCLUSIVA Paulo Azi diz que Lava Jato torna 2018 inviável para Rui e Wagner

Foto: Divulgação/Arquivo

Paulo Azi reagiu a avaliação de Jaques Wagner de que ACM Neto seria prejudico pela Lava Jato

“O ex-governador Jaques Wagner precisa explicar o caso da dívida da Cerb, que, para ser quitada, ele teria cobrado uma propina de R$ 30 milhões para a campanha do governador Rui Costa, segundo o delator Claudio Mello Filho da Odebrecht”, reagiu agora há pouco o deputado federal Paulo Azi (DEM), ao tomar conhecimento de que, durante reunião do Conselho Político do governo Rui Costa, esta semana, em Salvador, o atual secretário estadual de Desenvolvimento Econômico disse que o prefeito ACM Neto (DEM) seria o maior prejudicado com citações na Operação de investigação do maior esquema de corrupção já descoberto no país. Além disso, disse Azi, “Rui é investigado pela Polícia Federal por ter recebido R$ 700 mil da OAS na campanha de 2014, escamoteado como trabalho publicitário. São situações que prejudicam 2018 para o petista”. O deputado democrata observou que “a obscura transação da qual o ex-governador Jaques Wagner é acusado de realizar “é apenas um dos escândalos que estão vindo à tona na Bahia, durante o período petista, pela operação Lava Jato”. Para o parlamentar, “Wagner deveria se preocupar com a justiça e não com eleição. Mas eles morrem de medo da candidata de ACM Neto”, disse Azi.

19 de abril de 2017, 16:09

EXCLUSIVA Wagner acha que Neto é maior “prejudicado” em delações

Foto: Política Livre/Arquivo

Apesar de citado também na Lava Jato, Wagner acha que maior prejudicado é o democrata ACM Neto

Apesar das menções ao PT e às suas principais lideranças na Operação Lava Jato, a exemplo do secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Jaques Wagner, o político petista acredita que, na Bahia, o maior prejudicado com as investigações e citações é o prefeito ACM Neto (DEM) e seu projeto de sair candidato ao governo em 2018. Wagner expressou esta opinião esta semana, durante reunião do Conselho Político do governador Rui Costa (PT), do qual participam os presidentes de todos os partidos da base aliada. Wagner disse não temer o noticiário sobre a Cerb – cuja dívida contraída pelo governo de João Durval nos anos 80 com a Odebrecht foi paga em sua gestão, mediante, segundo delatores da Odebrecht, um retorno de cerca de R$ 30 milhões para o partido do ex-governador – nem uma CPI na Assembleia para investigar a transação envolvendo a Companhia de Engenharia Rural da Bahia. No mesmo encontro, o senador Otto Alencar, presidente estadual do PSD, disse considerar difícil que ACM Neto renuncie a seu mandato na Prefeitura para se candidatar ao governo contra Rui Costa em 2018. Na mesma reunião, nem todos os presidentes de partidos aliados concordaram com a análise dos petistas. Um deles disse ao Política Livre, em tom de ironia, que “cada um acredita no que quer”, referindo-se às afirmações do ex-governador Jaques Wagner.

19 de abril de 2017, 11:42

EXCLUSIVA Em resposta a governo, agora oposição quer CPI da Cerb

Foto: Arquivo/Estadão Conteúdo

Governo do Estado pagou dívida de R$ 260 milhões da Cerb à Odebrecht

Em retaliação ao arquivamento da CPI do Centro de Convenções, as oposições passaram a discutir a possibilidade de recolher assinaturas para criar uma nova CPI na Assembleia Legislativa da Bahia, destinada a investigar o pagamento de uma dívida milionária da Cerb pelo governo estadual à Odebrecht. O objetivo é contranger o governo e, mais especificamente, o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Jaques Wagner (PT), na gestão de quem a empreiteira teria recebido R$ 290 milhões por uma dívida contraída no ano de 1980 com a Cerb. Segundo delatores da Odebrecht disseram à Operação Lava Jato, desse valor, cerca de R$ 30 milhões, ou o equivalente a 10%, teriam sido repassados ao PT baiano. “O que não falta é elemento para investigação, ainda mais neste momento em que a Lava Jato passa o país a limpo”, disse um deputado de oposição que assume a articulação, segundo ele, por enquanto de forma sigilosa, pela instalação da nova CPI. Ele disse que já consultou o líder da oposição na Casa, Leur Jr. (PMDB), que deu o aval para que as assinaturas sejam recolhidas. A CPI do Centro de Convenções foi arquivada ontem, depois que, percebendo que não poderiam indicar o presidente do colegiado, as oposições resolveram tirar seus nomes e recorrer à Justiça contra a posição da maioria. A decisão, entretanto, acabou inviabilizando a instalação da CPI.

19 de abril de 2017, 10:54

EXCLUSIVA Líder nega que “erro” em prazo da CPI tenha levado a retirada da oposição

Foto: Divulgação/Arquivo

Leur Jr. é líder da oposição na Assembleia Legislativa

O líder da oposição na Assembleia Legislativa, Leur Jr. (PMDB), negou hoje a este Política Livre que o prazo de 12 anos definido para as investigações da CPI do Centro de Convenções tenha sido um erro e que, por este motivo, a oposição tenha decidido abandonar o colegiado, por temer que a gestão do ex-governador Paulo Souto (DEM) se tornasse alvo dos governistas no colegiado. “(A definição do prazo) Não foi erro. Temos preocupação zero com isso. Foi um marco anual. Nós queremos é comparar mesmo como é que foram os últimos dois anos de Paulo Souto com os 10 anos de PT com relação ao turismo, até para mostrar isenção. Portanto, foi deliberado”, disse Leur Jr., afirmando que o motivo real da retirada da oposição da CPI foi o fato de que seu controle seria exercido exclusivamente pelo governo. “Eles escolheriam presidente e relator, usando da maioria na Casa. O que nos restaria?”, questionou o peemedebista, dizendo que já tinha informações de que, sob controle total dos governistas, a CPI do Centro de Convenções não teria quórum para se reunir e deliberar e que, por esta razão, “as oposições não poderiam participar de um circo”. Leur Jr. disse que já chegou com o requerimento pronto na reunião pedindo a retirada dos nomes dos deputados oposicionistas porque todas as tentativas de acordo que fez com o líder do governo na Assembleia, deputado Zé Neto (PT), fracassaram. Com a decisão da oposição, o presidente da Assembleia, Angelo Coronel (PSD), mandou arquivar a CPI, desarticulando o principal foco de preocupação que o governo Rui Costa (PT) tinha na Assembleia neste momento.