21 de setembro de 2019, 13:01

EXCLUSIVA Interessado em filiar Geraldo Jr. a PP, Leão defende que governo reconheça ajuda de vereador no desgaste a Neto

Foto: Política Livre/Arquivo

Vice-governador João Leão que filiar Geraldo Jr. para ampliar opções do PP em Salvador em 2020

Determinado a atrair o presidente da Câmara Municipal, Geraldo Jr. (SD), para o PP com o objetivo de ampliar o leque de opções do partido à Prefeitura de Salvador, o vice-governador do Estado e secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, João Leão, passou a reivindicar uma atenção especial para o vereador junto à articulação política do governador Rui Costa (PT).

Leão, que deve ir à Câmara Municipal explicar o projeto da ponte Salvador-Itaparica a convite de Geraldo Jr., na esteira do que fez o governador para falar sobre o VLT, tem alegado que os articuladores políticos de Rui não podem desconsiderar “a coragem e o talento pessoal” do vereador para, como presidente do Legislativo, criar os mais diversos constrangimentos ao prefeito ACM Neto (DEM).

Em conversa recente com deputados na Assembleia, o vice-governador chegou a citar o que considerou algumas situações difíceis vividas pelo prefeito no relacionamento com a Casa que atribuiu diretamente ao “estilo independente” de Geraldo Jr., lembrando de votações como a da isenção de ISS dos ônibus, dos aplicativos de transporte e, mais recentemente, da proibição do Arrastão na Quarta-feira de Cinzas.

Também o convite para a visita do governador à Câmara no mês passado, que, segundo estimou na mesma conversa, deve ter irritado bastante o ocupante do Palácio Thomé de Souza, assim como o que foi dirigido a ele próprio por Geraldo Jr., foram citados por Leão como outros exemplos de que o vereador pode ser considerado o presidente da Câmara que mais dificuldades criou até agora para ACM Neto.

Por este motivo, em sua visão, o presidente da Câmara deveria receber um tratamento diferenciado como “liderança política municipal” e ser incorporado, de maneira mais articulada, ao projeto do governo de derrotar o candidato do prefeito à sucessão de 2020. “É preciso reconhecer o valor do que Leão tem dito com relação aos desgastes que a gestão de Geraldinho tem criado para a imagem do prefeito, de uma forma como nunca aconteceu”.

A afirmação foi feita a este Política Livre por um deputado que conversou com o vice-governador sobre a idéia de filiação para que Geraldo Jr. possa concorrer à Prefeitura pelo PP. Ele concorda com a argumentação de que a articulação política do governador precisa reconhecer a importância do presidente da Câmara para um projeto que vise tomar a Prefeitura, no ano que vem.

“Geraldo Jr. pode nem pontuar muito bem nas pesquisas (de intenções de voto à Prefeitura) ainda. Mas não se pode desconsiderar os obstáculos que, como presidente da Câmara, ele poderá criar para o grupo do prefeito que, certamente, deverá jogar tudo para assegurar a manutenção da Prefeitura de Salvador sob o seu poder”, avalia o mesmo parlamentar do PP.

20 de setembro de 2019, 14:24

EXCLUSIVA Wagner ganha PT e ainda conta com golpe do destino para colocar Rui, Otto e Leão sob seus pés

Foto: Montagem Política Livre

Wagner habilmente assume controle do comando do PT e mostra quem dá as cartas no grupo

O acordo firmado entre os candidatos à presidência do PT estadual Eden Valadares e Lucinha do PT, anunciado por ambos ontem à noite, consolidou definitivamente o controle do senador Jaques Wagner sobre o partido, um papel que ele nunca buscou exercer, inclusive, nos anos em que governou o Estado.

Apesar de o entendimento entre os grupos de Wagner, representado por Eden, seu assessor no Senado, e Lucinha, vinculada ao deputado federal Valmir Assunção, ter demorado, por causa de uma divergência em relação ao tempo de exercício do mandato na presidência, não há mais como desfazê-lo.

Os dois grupos juntos passam a deter cerca de 55% dos delegados que escolherão os novos diretório e executiva estaduais do partido, com a perspectiva ainda de agregar novos apoios até outubro, mês da eleição, passando a ser responsáveis pela definição da estratégia política petista para os próximos quatro anos no Estado.

O avanço na direção do consenso entre os dois grupos foi possível porque Valmir teria adiantado que abria mão de exigir que Lucinha assumisse a presidência do partido por dois anos, criando as condições para que o candidato de Wagner exerça o mandato presidencial de quatro anos em sua integralidade.

Éden foi quem primeiro fez a proposta de dividir o período entre os dois grupos na tentativa de acelerar o entendimento, mas voltou atrás ao perceber que acabaria deixando para a aliada os dois anos finais, considerados os mais importantes exatamente porque serão definidores com relação à sucessão estadual de 2022.

O movimento rumo ao acordo pode ser considerado extremamente importante para Wagner porque, embora não haja objeção no PT aos seus planos de concorrer à sucessão de Rui Costa daqui a três anos, ele garante a prerrogativa de forma objetiva e praticamente oficial, deixando clara a estratégia do partido a partir de agora.

Com isso, o ex-governador acaba enterrando os planos de Rui de concorrer ao Senado pelo PT em 2022, já que é consenso de que o partido, depois de uma hegemonia no comando do Estado que fará 16 anos em 2022, dificilmente terá força política para ocupar mais de uma das três vagas da chapa majoritária.

Exatamente por esta razão, o plano de Rui concorrer ao Senado tirava naturalmente Wagner do jogo, passando pela indicação para candidato ao governo de um aliado, o senador Otto Alencar, do PSD, com o apoio dos petistas, uma idéia que o acordo de ontem naturalmente transformou em impraticável.

A composição já era vista em determinados setores políticos do governismo como tão natural que vinha criando uma verdadeira romaria de políticos do interior na direção de Otto, processo que a iniciativa de Wagner de tomar o controle do PT passa, na visão de seus aliados, a desestimular a partir de agora.

Para o senador petista, o processo precisava ser coroado, no entanto, com o compromisso de Rui de cumprir o mandato de governador até o fim para evitar uma desorganização da base com a entrega, obrigada pelo prazo de desincompatibilização, do governo ao vice João Leão (PP), que poderia, inclusive, decidir concorrer à reeleição.

Neste particular, Wagner teria contado com um golpe de sorte do destino: a inusitada entrevista do governador à revista Veja, de ampla repercussão negativa no PT, que culminou com as duras críticas de Lula ao baiano, sepultando qualquer sonho de Rui de concorrer, como alternativa, à Presidência da República pelo PT.

20 de setembro de 2019, 10:45

EXCLUSIVA Indicação ao Procon mostraria diferença entre o “tempo de Rui” e o “tempo de Wagner”

Foto: Ag. Senado

Nem Jaques Wagner consegue indicar ninguém no governo Rui Costa, dizem deputados

O senador Jaques Wagner (PT) obteve autorização do governo do Estado para indicar Lucas Reis (ex-chefe de Gabinete do ex-vereador Waldir Pires) ao Procon em janeiro último. Até hoje, entretanto, a nomeação do rapaz não saiu. O caso é citado por deputados que se dedicam a malhar o governo devido à demora que dizem enfrentar para verem seus pleitos atendidos como exemplo pronto e acabado de que ninguém tem prestígio na gestão Rui Costa (PT), nem “o criador” do governador. Ou melhor: que “o tempo de Rui” é diferente do “tempo de Wagner”.

20 de setembro de 2019, 09:41

EXCLUSIVA PP pensa em lançar Geraldo Jr., Cacá e Niltinho para “experimento” em Salvador

Foto: Fernanda Chagas/Política Livre/Arquivo

Geraldo Jr. é o presidente da Câmara Municipal de Salvador

Avançou no PP a defesa da estratégia pelo lançamento de uma candidatura a prefeito do partido em Salvador para 2020. O presidente estadual do PP, João Leão, que é também vice-governador do Estado e secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, é um dos entusiastas da idéia, que passa pela filiação do presidente da Câmara Municipal de Salvador, Geraldo Jr., e o lançamento do nome dele e dos deputados Niltinho (estadual) e Cacá Leão (federal) para a disputa na capital baiana. O que se sair melhor nas pesquisas até o ano que vem seria o escolhido pelo PP para representá-lo na disputa pela sucessão de ACM Neto (DEM).

19 de setembro de 2019, 14:02

EXCLUSIVA Dois baianos compõem lista de ganhadores da Mega-Sena

Foto: Divulgação

Os baianos já moram há alguns anos em Brasília e não assessoram deputados do Estado

Dois servidores baianos figuram na lista de ganhadores dos R$ 120 milhões da Mega-Sena. Assessores da liderança do PT na Casa fizeram um bolão dividido em 49 cotas. Conforme apurado pelo Política Livre, no entanto, os baianos já moram há alguns anos em Brasília e não assessoram deputados do Estado, mas figuram a lista dos que vão receber que vão receber R$ 2,5 milhões por cota. A informação é que nenhum deputado do partido participou do bolão vencedor. A notícia de que o bolão vencedor saiu da liderança do PT foi divulgada na noite de quarta-feira (18), enquanto a Câmara votava o projeto de minirreforma eleitoral, que afrouxa regras de controle e transparência dos partidos. Houve comemoração no plenário e em corredores próximos à liderança do PT. Um motorista do partido teria adquirido seis cotas, o que significa que vai embolsar, sozinho, R$ 15 milhões.

Guilherme Reis

19 de setembro de 2019, 09:51

EXCLUSIVA Rodoviária e ponte Salvador-Itaparica: diálogo é, além de possível, fundamental

Foto: Montagem Política Livre

Está na hora de birra entre governo e Prefeitura encerrar, permitindo que iniciativas que beneficiam a população destravem

A decisão do presidente do Tribunal de Contas do Estado, conselheiro Gildásio Penedo, de determinar a abertura de uma auditoria para acompanhar o processo licitatório para a concessão da exploração do novo terminal rodoviário de Salvador pode se constituir em mais um entrave para a construção do equipamento pelo governo do Estado.

A iniciativa atende a pedido do Ministério Público de Contas sob o argumento de que teriam sido identificadas irregularidades na concorrência. Tende, no entanto, a dar mais munição à oposição, que questiona não apenas a exploração do espaço da futura rodoviária, mas a construção propriamente dita do novo equipamento, em Águas Claras.

Os oposicionistas se baseiam em argumentos apresentados por técnicos da Prefeitura segundo os quais há irregularidades também com relação à propriedade do terreno escolhido pelo governo para edificar o novo empreendimento, o que tornaria o processo de autorização para a sua construção mais complicado.

De acordo com o que atestam os representantes da Prefeitura, há suspeita de grilagem no terreno escolhido para a construção, além do fato, também segundo o executivo municipal, de o equivalente a 30% da área pertencer à municipalidade, o que não seria reconhecido pelo governo estadual.

Ontem, o próprio prefeito ACM Neto (DEM), em entrevista a este Política Livre, deixou claro seu descontentamento com o fato de até hoje não ter sido procurado pelo governo para tratar não só da rodoviária, mas da anunciada ponte Salvador-Itaparica, que teria, portanto, parte de sua estrutura edificada também em solo da cidade.

Também através deste Política Livre, o vice-governador do Estado e secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, João Leão, maior entusiasta da construção da ponte, respondeu ao gestor municipal, dizendo que não faz parte dos planos do governo passar por cima de ninguém.

Para evitar problemas e uma eventual judicialização que pode acabar postergando especialmente a construção da rodoviária, considerada vital para o plano de expansão da cidade e a melhoria do serviço hoje provido à população, seria fundamental que as duas instâncias de poder efetivamente buscassem um entendimento o quanto antes.

Se os interesses da cidade forem colocados, principalmente, acima do voluntarismo ou da simples disputa por quem detém mais poder, haverá abertura para um acordo em torno do que for melhor para a sociedade e os usuários do sistema rodoviário municipal.

18 de setembro de 2019, 09:42

EXCLUSIVA A obscura origem do projeto que acabou com o Arrastão da Quarta de Cinzas

Foto: Reprodução Instagram

Vereador Henrique Carballal comemora a repercussão nacional da proposta aprovada pela Câmara Municipal

Há consenso na Câmara Municipal de Salvador de que o projeto de autoria do vereador Henrique Carballal (PV) que acabou com o arrastão da Quarta-feira de Cinzas coloca um dilema político, com reflexos de imagem, para ACM Neto (DEM).

Assim como que o conflito poderia não ter tomado a direção do gabinete do prefeito, caso seus representantes na Casa tivessem permanecido mais vigilantes em relação às propostas dos vereadores, que, na gestão do presidente Geraldo Jr. (SD), vêm se tornando, ao que parece, cada vez mais “criativos”.

Trata-se de uma referência, naturalmente, ao líder do prefeito na Casa, o vereador Paulo Magalhães (DEM), a qual não deixa de lembrar também o autor da proposta, sucedido pelo democrata na liderança do executivo na Casa, portanto, também um governista.

O mais curioso, no entanto, é a informação recente de que a Igreja Católica, apontada como a maior interessada na matéria, teve pouco ou nenhum papel na concepção do projeto apresentado pelo autor da iniciativa mais polêmica da Câmara nesta legislatura.

A tese é corroborada pelo fato de não ter havido até hoje um posicionamento sequer, nem antes de a matéria ser proposta, da parte dos representantes religiosos em defesa da proposta de Carballal.

Neste meio tempo, pelo contrário, a versão que passou a correr na Praça Municipal, espaço em que se situam tanto a Prefeitura quanto a Câmara, é de que a medida exporia uma divergência entre os segmentos econômicos que mais lucram com a festa.

O setor que não ganha nada com a extensão do Carnaval em mais um dia, uma tradição de décadas na história do evento mais popular do planeta, estaria pleiteando a mudança. Sem querer colocar a cara para bater, estaria confortabilíssimo com a atribuição da idéia à Igreja.

Verdade ou não, o fato é que o projeto criou um dilema para o prefeito com o qual seus assessores não contavam. A oposição na Casa avalia, por exemplo, que talvez seja a medida que possa lhe impor mais desgaste, entre tantas cascas de banana das quais conseguiu se desvencilhar nos últimos dias.

Quanto ao vereador, que nunca foi religioso, tendo tido sua formação política no ateu PCdoB, comemora a repercussão da proposta, que já lhe rendeu espaços nos principais jornais de circulação nacional.

17 de setembro de 2019, 14:02

EXCLUSIVA Eden revê ideia de dividir comando do PT estadual e trava apoio de grupo de Valmir

Foto: Divulgação/Arquivo

Éden Valadares votou nas eleições internas do PT estadual na companhia do filho

Na reta final dos acertos para a eleição da direção estadual do PT, uma exigência do candidato a presidente Eden Valadares está dificultando um acordo entre os segmentos que o apoiam e a corrente liderada pelo deputado federal Valmir Assunção para fechar a composição para o comando da sigla.

Depois de pregar, durante a campanha, que o PT poderia eleger dois candidatos em sistema de rodízio – pelo qual ele e um outro, representando outra corrente, se revezariam no comando da legenda com mandatos de dois anos, cada -, Eden reviu a proposta.

Agora, ele está sugerindo assumir a posição durante os quatro anos. Com isso, a corrente de Valmir Assunção, considerada fundamental para que o grupo de Eden assuma o controle da legenda, refluiu na decisão de apoiá-lo. O deputado federal defende o nome de Lucinha do PT para dividir o comando do partido.

Segundo comentários na legenda, Eden resolveu rever sua proposta depois de avaliar que é fundamental ao seu grupo, cujo líder maior é Jaques Wagner, coordenar a campanha de 2022, quando o senador deve buscar o apoio do PT para disputar o governo do Estado pela terceira vez.

Inicialmente, o grupo achava que era importante para Eden assumir a direção do PT logo de cara para mostrar que houve uma mudança no comando da sigla. A importância estratégica de estar no comando do partido por ocasião das decisões com relação à sucessão de 2022 falou mais alto.

16 de setembro de 2019, 19:54

EXCLUSIVA Nilo apoiaria eventual candidatura de Vilas-Boas a prefeito de Salvador

Foto: Reprodução/Facebook

Fábio Vilas-Boas, secretário estadual de Saúde

O deputado federal Marcelo Nilo (PSB) declarou, nesta segunda-feira (16), a este Política Livre, que apoiaria uma eventual candidatura do secretário estadual de Saúde, Fábio Vilas-Boas, a prefeito de Salvador. O parlamentar se reuniu, nesta tarde, com o cardiologista na secretaria, mas o assunto não teria sido abordado no encontro, que também contou com a presença do deputado estadual Marcelo Veiga (PSB) e do ex-prefeito de Várzea da Roça Wilson Mascarenhas.

“Nós nem conversamos sobre política, só mesmo a área administrativa, demandas de alguns municípios. Alguém me ligou perguntando e eu disse que acho ele um excelente candidato. Tem sido um excelente secretário, é um bom político e, se for escolhido pelo nosso grupo, eu apoiarei com o maior prazer”, disse Nilo.

Ainda em entrevista ao site, o deputado federal também comentou sobre a possibilidade do atual presidente do Esporte Clube Bahia, Guilherme Bellintani, se filiar ao PSB para sair candidato à sucessão municipal na capital baiana. “Como até agora Bellintani não disse nada, mas se for, eu apoio o candidato do meu partido”, pontuou.

No último levantamento feito pelo Paraná Pesquisas/Bahia Notícias em agosto, Vilas-Boas ficou em último lugar com 1,5%, no cenário com dez nomes na estimulada – quando são citados os possíveis candidatos a prefeito. Já Bellintani apareceu em 7° lugar, com 5,7% das intenções de voto.

A presidente estadual do PSB, a deputada federal Lídice da Mata, ficou em segundo, com 13,4%, perdendo apenas para o também deputado federal Pastor Sargento Isidório (Avante) com 15,6%. A pesquisa ouviu 808 eleitores entre os dias 15 e 18 de agosto, com nível de confiança de 95% e margem de erro de 3,5%.

Raiane Veríssimo

16 de setembro de 2019, 17:54

EXCLUSIVA “Desorientação política” teria levado Rui a dar entrevista inoportuna à revista Veja

Foto: Política Livre/Arquivo

Governador Rui Costa teria caído em desgraça no PT com a malfadada entrevista à revista Veja do último final de semana

A mais completa e plena desorientação política é a explicação de deputados aliados, mas especialmente do PT, para o fato de o governador Rui Costa ter se lançado ao abismo com a malfadada entrevista à revista Veja desta semana, que sepultou no partido as chances de receber qualquer apoio para concorrer à Presidência da República.

O problema teria sido motivado pelo seu profundo isolamento político, marcado, principalmente, pelo distanciamento em relação ao senador Jaques Wagner (PT), que sempre funcionou como seu padrinho e mentor até ser completamente escanteado no governo estadual, processo iniciado na campanha passada.

O agravamento da situação ocorrera, no entanto, com o fato de o senador, pressentindo que poderia ser limado completamente pelo aliado das decisões eleitorais com relação à sucessão estadual de 2022, ter feito uma bem sucedida investida para assumir o controle do PT na Bahia.

Assunto sobre o qual não se fala no PT, o movimento de Wagner não apenas impôs uma gigantesca derrota política a Rui na disputa pelo comando da agremiação de ambos como o tornou refém das opções que o ex-governador decidir fazer para as próximas eleições no Estado.

Como se tornou voz corrente no PT, Wagner está disposto a concorrer, mais uma vez, ao governo daqui a três anos, o que impedirá que Rui tente disputar a vaga ao Senado na mesma chapa, obrigando-o a cumprir seu mandato no governo do Estado até o fim.

Na entrevista à Veja, o governador fez tudo o que a estratégia política não recomenda: forçou a barra para aparecer como pré-candidato a presidente da República com três anos de antecedência, atacando o próprio partido e relativizando a situação de seu líder maior, Lula, e ainda fazendo pouco caso de Fernando Haddad.

Para completar, fez referências ao ex-candidato do PDT a presidente Ciro Gomes, que, revoltado com o fato de não ter obtido apoio do PT para concorrer a presidente em 2018, tem passado os dias batendo na tecla de que Lula é um político preso e não um preso político, para desespero dos petistas que querem vê-lo solto.

A iniciativa aconteceu no momento em que a Lava Jato, que prendeu o petista, é colocada em cheque, com a chamada “VazaJato”, e quando uma pesquisa Datafolha apontou que Haddad venceria o presidente Jair Bolsonaro (PSL) se as eleições fossem hoje.

O que mais chamou a atenção em todo o episódio, no entanto, foi o fato de Rui não ter conseguido esboçar uma reação apropriada, o que o levou a passar três dias apanhando, desde a última sexta-feira, quando a entrevista foi publicada.

Também nenhuma liderança política de seu grupo – a começar por Wagner – se levantou a seu favor, confirmando a tese de que o governador, apesar de ser bem avaliado pela população segundo as pesquisas, é simplesmente “detestado” pela classe política por um estilo que muitos consideram “desleal” e, às vezes, “descortês”.

16 de setembro de 2019, 17:07

EXCLUSIVA MSTS acusa Valmir de perseguição após eleição do PT

Foto: Reprodução/Twitter

Jhones Bastos, presidente do MSTS, ao lado do governador Rui Costa

O Movimento dos Sem Teto de Salvador (MSTS) divulgou, nesta segunda-feira (16), um manifesto no qual denuncia perseguição após a disputa interna pelo comando do diretório municipal do partido na capital baiana que aconteceu no último dia 8. O movimento apoia o candidato Ademário Costa (Avante), depois de um acordo costurado com Iracema Moura (Esquerda Popular Socialista), militante do MSTS que desistiu de concorrer e dividirá a presidência da executiva municipal do PT caso a chapa saia vencedora no segundo turno no próximo domingo (22). Ademário, que recebeu 1.352 votos (49,1%) no 1° turno, disputa o comando do PT de Salvador com o atual presidente, o ex-vereador Gilmar Santiago (Construindo um novo Brasil, Resistência Socialista e Democracia Socialista) – que obteve 977 votos (35,5%).

Assinado pela direção nacional, o documento afirma “estranhar abusos que vem sofrendo após a sua participação no Processo de Eleições Diretas (PED)” do partido. Além de problemas em cédulas de votação, a não abertura da urna extra contra à orientação do PT Nacional, o manifesto também denuncia entre os “abusos” a exoneração do presidente do MSTS, Jhones Bastos, do cargo de assessor do deputado federal Valmir Assunção. O parlamentar teve apoio do movimento nas eleições de 2014 e 2018.

“Estas questões devem ser seriamente discutidas pelo PT. São corretos os métodos que presenciamos no PED? São justas as pressões contra os que de forma independente apoiaram o 590 no processo do PED? Diante deste desrespeito perguntamos: a quem interessa voltar-se contra os movimentos sociais com lideranças ligadas ao PT? (…) Não aceitaremos passivos nossa desentronização de um partido com a grandiosidade e importância do PT, que representa as classes sociais menos favorecidas socialmente. Nossa resposta virá nas urnas neste segundo turno”, diz parte da nota.

Raiane Veríssimo

16 de setembro de 2019, 12:43

EXCLUSIVA Apesar de manobra, Ademário Costa deve consolidar vitória para presidente do PT de Salvador

Foto: Reprodução

Marcado para o próximo domingo (22), o segundo turno da eleição para a presidência do diretório de Salvador do PT deve consagrar a vantagem obtida por Ademário Costa sobre o atual presidente, Gilmar Santiago, no primeiro turno. Nos bastidores, a vitória é dada como certa por fontes do Política Livre, mesmo com a manobra sofrida por Ademário, após uma urna extra não ter sido aberta.

Com mais de 49% dos votos, Ademário ganhou em 10 das 20 zonais; por sua vez, Gilmar elegeu 5, e tem 5 no segundo turno. Além disso, o primeiro elegeu 21 membros dos 44 da chapa e, para fazer maioria, ele só precisa do apoio de um dos dois candidatos que disputaram o primeiro turno e perderam, Walter Takemoto ou Edenice Santana.

Diferente da eleição para presidente, a escolha do vice-presidente não é feita através do PED (Processo de Eleições Diretas), mas no diretório. Caso Ademário Costa consiga o apoio de Takemoto ou Edenice, ele garante maioria interna e elege seu vice-presidente.

A disputa pelo comando da sigla em Salvador tem sido considerada importante para a sucessão na presidência do PT na Bahia, em outubro. Conforme noticiado pelo Política Livre, Éden Valadares, apoiado pelo senador Jaques Wagner, e Elen Coutinho, devem ser os mais votados e dividir o mandato de quatro anos no posto.

Guilherme Reis

15 de setembro de 2019, 20:20

EXCLUSIVA Gabrielli jogou em rede importante do Zap nota da executiva do PT contra Rui

Foto: Política Livre/Artigo

Apesar de não ter tecido comentário, Gabrielli deu sua contribuição para o processo de malhação interno de Rui Costa no PT

O primeiro petista a usar as redes sociais para divulgar a nota em que a comissão executiva nacional do PT dá uma reprimenda pública em Rui Costa por causa da entrevista que ele deu à Veja em que critica, entre outras posturas do partido, o movimento “Lula Livre”, foi o ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. Discreto, como sempre, Gabrielli apenas colocou, sem tecer qualquer comentário, o texto no mais importante grupo de WhatsApp em que os dirigentes petistas se comunicam, que conta com cerca de 300 membros. A partir daí, a malhação no governador, que começara na sexta-feira, quando o teor da entrevista veio à tona, ganhou nova dimensão internamente na legenda, através das mais diversas manifestações com pouquíssimos posicionamentos em sua defesa.

15 de setembro de 2019, 19:20

EXCLUSIVA Apenas três membros da executiva do PT não concordaram com reprimenda pública em Rui

Foto: Divulgação Arquivo

O baiano Ivan Alex está entre os três que argumentaram que a reprimenda representaria mais uma sangria pública para o PT

Dos 28 membros da executiva nacional do PT, apenas três não assinaram o documento em que o comando do partido dá uma verdadeira reprimenda pública no governador Rui Costa (PT) por conta de sua entrevista à revista Veja, na qual criticou, entre outras posturas da sigala, o movimento “Lula Livre”. Foram eles o baiano Ivan Alex, secretário de Movimentos Sociais, o mineiro Romênio Pereira, secretário-geral, e o paulista Emídio de Souza, tesoureiro da agremiação. Eles argumentaram que a condenação pública à figura do governador da Bahia apenas aumentaria a sangria pública do partido, defendendo que o reparo à sua conduta permanecesse interna corporis, no que foram amplamente derrotados.

15 de setembro de 2019, 10:36

EXCLUSIVA Petista diz que, se não fosse por foto, teria achado que entrevista de Rui fora dada por Dória

Foto: Divulgação/Arquivo

Rui Costa é colocado em xeque por petistas depois de entrevista polêmica à revista Veja

Indignado com a entrevista concedida por Rui Costa (PT) à revista Veja deste final de semana, assim como 10 entre 10 petistas que a leram e não a leram, um deputado federal petista procurou esta manhã este Política Livre para dizer que, caso não tivesse visto a foto do governador na capa da publicação e seu nome claramente escrito na reportagem, teria certeza de que as declarações haviam sido dadas pelo governador de São Paulo, João Dória (PSDB).

“Inacreditável um governador do PT, que deve tudo a Lula e a (Jaques) Wagner, se colocar contra um movimento pela libertação do nosso líder maior, que deveria ser o dele também”, disse o parlamentar, pedindo para ter seu nome mantido sob anonimato “por enquanto”.