17 de agosto de 2018, 07:00

EXCLUSIVA Debate entre candidatos ao governo surpreende, apesar de horário e duração

Foto: Raiane Veríssimo/Política Livre

Primeiro debate entre candidatos ao governo foi realizado ontem à noite na Band Bahia

Menos engessado do que o realizado pela mesma Bandeirantes com os presidenciáveis, na semana passada, o debate entre os candidatos a governador da Bahia, promovido ontem à noite, deu uma primeira oportunidade para quem o assistiu de conhecer um pouco melhor os postulantes. Foi favorecido pelo número menor de candidatos: seis. Ponto alto também para a regra que permitiu aos debatedores se questionarem mutuamente, oportunidade limitada por sorteio, mas ainda assim capaz de revelar mais dos candidatos do que eles certamente gostariam.

A surpresa da noite foi o candidato José Ronaldo, da coligação “Coragem para Mudar a Bahia” (DEM, PSDB, PSC, PTB, PRB, PV, PPL e Solidariedade), que mostrou que sabe falar e usar a palavra muito bem para confrontar um adversário, no caso o governador Rui Costa, da coligação “Mais Trabalho por Toda a Bahia” (PT, PSB, PSD, PP, PC do B, PR, PDT, PRP, PMB, PTC, PMN, Podemos, Avante e Pros), candidato à reeleição e favorito ao pleito, segundo as pesquisas, e, por este motivo, alvo preferencial das críticas e questionamentos durante uma parte do evento.

O governador foi dos que, visivelmente, se mostraram surpresos com a agressividade de Ronaldo. Mas não só com a dele. Sujeito natural da maioria dos questionamentos num dado momento do confronto, Rui revelou estar pouco afeito ao revide pronto e controlado, consequência provavelmente da pouca experiência que tem tido com embates diretos nestes mais de três anos e meio em que exerce o governo da Bahia. Deve ter percebido o quanto o poder, com o séquito de puxa-sacos que arregimenta e aparentemente protege, também fragiliza seu detentor ante a realidade e a disputa.

Com experiência vasta na vida pública, representada pelo exercício entre outros cargos do de ministro, João Santana, da coligação “Pra mudar de verdade” (MDB, DC), teve desempenho incapaz de o colocá-lo à frente do concorrente do DEM na corrida para ser o maior adversário do governador. Produziu uma frase interessante, ainda que não tenha parecido proposital, ao declarar, para firmar seu histórico de agente público íntegro, que “ninguém nunca me ofereceu um relógio”. Relógio…, relógio, relógio!? Mais oportuno para um debate entre os candidatos ao Senado.

O bem vindo fator entrópico, aquele que desorganiza o coreto, foi representado muito bem pelo candidato Marcos Mendes, da coligação “Vamos juntos sem medo de mudar a Bahia” (PSOL), tão veterano em debates quanto em disputas majoritárias. Portando sua submetralhadora giratória, disparou contra Rui, Ronaldo, ACM, avô e Neto, Michel Temer e até o presidente da Câmara de Vereadores de Salvador, Leonardo Prates (DEM), que, do jeito que gosta de votos, devia estar correndo atrás deles em algum rincão do interior enquanto a bagaceira se desenrolava.

O representante do PSOL mostrou que estava ali mais para confundir do que esclarecer, mas ainda assim produziu duas boas frases de efeito: A “cinquenta tons de ACM” e a subsequente, a “cinquenta tons de Temer”, para dizer que todos, à exceção dele próprio, naturalmente, eram farinha do mesmo saco derramado, daquela encontrada na Cesta do Povo, cuja privatização lamentou. Em um dos confrontos com Rui, sapecou outros dois pensamentos supimpa: “Voce tem uma equipe carlista de frente”, disse, referindo-se aos principais aliados do governador, todos egressos do carlismo. Mas não parou por aí.

“Você defende um modelo hospitalicêntrico”, inventou, provavelmente provocando um rápido curto-circuito nos neurônios cansados da audiência que tinha conseguido acompanhar o embate até aquele momento, para criticar o fato de, ao falar sobre a saúde, o governador ter elencado as construções que fez no setor para a população. Por algum motivo, a candidata da coligação “Sustentabilidade pela Bahia” (Rede), Célia Sacramento, rendeu menos do que o esperado. Ficou uma arara com um questionamento sobre ter migrado da base de ACM Neto, de quem foi vice-prefeita, para a Rede, da pura e ilibada Marina Silva, a Santa.

Também não conseguiu dizer a Rui, pelo que se depreendeu, que Michel Temer, atacado várias vezes pelo governador, só virou presidente por ter sido escolhido vice de Dilma Rousseff pelo PT e Lula. Precisava de um ponto e teria um se fosse uma candidata rica. Quanto à passagem pela vice-prefeitura no governo de Neto, não escondeu a mágoa com o prefeito, que a preteriu em favor da escolha de Bruno Reis (DEM) para vice em seu segundo mandato: “já fui vice, apesar de o prefeito ter me dado o golpe”, afirmou, ao falar sobre onde, na sua carreira política, tudo começou.

O candidato João Henrique, da coligação Aleluia, irmão!, ou melhor, da “Bahia acima de tudo, Deus acima de Todos” (PRTB, PSL), pode mostrar mais uma vez como nasceu para o vídeo e as câmeras o acolhem. Com certeza, enrolaria todo mundo e entregaria para venda, não fosse já um grande conhecido do ilustríssimo eleitor. Foi um dos que se colocaram muito bem, menos pelo conteúdo do que pela forma. Com certeza, se Deus, estando acima de todos, passasse por cima da legislação e lhe desse mais tempo no horário eleitoral, ia causar algum estrago. Até Rui lhe deu trela.

16 de agosto de 2018, 11:45

EXCLUSIVA Ex-emedebistas são tratados como cristãos novos no DEM, para onde foram em abril

Foto: Divulgação/Arquivo

Luciano Simões chegou a produzir card com o número que achou que obteria no DEM, mas não conseguiu

Cristãos novos no DEM, no qual entraram nos dias que antecederam a decisão do prefeito ACM Neto (DEM) de não concorrer ao governo do Estado, os deputados estaduais Pedro Tavares e Luciano Simões, que eram do MDB, continuam sendo tratados no partido como novos quadros. Sequer conseguiram os números que haviam pedido ao partido para identificar suas candidaturas. Tavares solicitara o 25.678, já que no MDB usava o 15.678, mas acabou ficando com o 25.000. Luciano pleiteou o 25.123, uma vez que utilizava o 15.123 quando estava no MDB, mas o DEM fez vistas grossas ao seu pedindo, lhe atribuindo o 25.222.

16 de agosto de 2018, 07:51

EXCLUSIVA Registro concretiza e encerra farsa de candidatura Lula, por Raul Monteiro*

Foto: Amanda Perobelli/Estadão/Arquivo

Ex-presidente Lula é acusado de ter transformado a prisão num comitê eleitoral, por procuradores

É possível dizer que o registro da candidatura de Lula à Presidência da República simbolizou ontem o encerramento do jogo de cena que marcou a estratégia petista até aqui. Mais do que ninguém, os petistas sabem que não há mais para onde ir com a história fantasiosa, mas muito bem utilizada estrategicamente, de que o ex-presidente pode concorrer de novo à Presidência depois de ter sido condenado e preso por corrupção e lavagem de dinheiro, o que torna a maior liderança petista um caso clássico e emblemático de ficha suja.

Só insistiram com ela porque concluíram que era a melhor forma de tentar manter o presidiário vivo politicamente. E, num certo sentido, foram muito bem sucedidos. Mas agora o jogo é outro. É de quem tem bala na agulha para poder seguir à frente disputando dentro da legalidade e do que o arcabouço jurídico e político do país permite, caso em que não se enquadra o ex-presidente. Não por acaso, os representantes da Operação Lava Jato, que trancafiaram Lula, escolheram o dia de ontem para tentar acabar com o comitê eleitoral em que sua prisão se transformou.

Num documento muito bem fundamentado, cheio de elementos a provar seus argumentos, os procuradores atacaram frontalmente as regalias dadas a Lula, que transformou a prisão efetivamente numa espécie de Quartel General de sua candidatura, às barbas da Justiça e da própria polícia. É claro que a farra precisa acabar, porque é incompatível com o mundo real e com a punição que precisa ser aplicada ao ex-presidente, por tudo o que praticou no comando da nação. E, pelo visto, a hora não parece melhor, na visão dos procuradores.

É sintomático que o ex-governador Jaques Wagner, que participou da farra do registro da candidatura lulista, tenha aproveitado a oportunidade para insinuar que sabe que ela tem tempo de duração e ele está expirando. Não por acaso, o petista fez questão de dizer que é hora de o PT tocar o barco e, na hipótese, que sabe mais do que ninguém ser concreta, de a Justiça Eleitoral indeferir a candidatura de Lula, abraçar-se com o nome de Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, que, como mostram as pesquisas, ainda não pode se beneficiar da transferência de votos do ex-presidente.

Wagner sabe que o tempo é muito na política e que, com a campanha encurtada, Haddad pode não ter o suficiente para poder ser vinculado, principalmente na população nordestina, ao nome de Lula para a Presidência, prejudicando a todos no partido, em especial os governadores petistas, como seu maior aliado, Rui Costa. Daí que não só foi o primeiro a levantar a hipótese de que talvez o PT tivesse que apoiar um candidato de fora da agremiação como, agora que possui um nome alternativo próprio, passou a defender que o processo seja acelerado, em benefício da própria legenda.

* Artigo do editor Raul Monteiro publicado hoje na Tribuna da Bahia.

Raul Monteiro*

15 de agosto de 2018, 22:02

EXCLUSIVA MDB fecha chapa proporcional que pode eleger dois à Câmara e dois à Assembleia

Foto: Divulgação/Arquivo

Lúcio acha que o MDB elege dois deputados federais e dois estaduais em outubro

O MDB fechou hoje sua chapa de candidatos a deputado federal e estadual com o DC, antigo PSDC, com a qual estima poder garantir pelo menos duas vagas na Câmara dos Deputados e o mesmo número de parlamentares na Assembleia. Ao todo, o MDB terá 54 candidatos a deputado federal e 48, a estadual. Como não conseguiu reunir o número máximo de 18 candidatas para federal, o partido acabou tendo que cortar 10 candidatos homens para equilibrar o jogo entre os dois gêneros na chapa. O total de candidatos a deputado estadual representa praticamente a metade do que poderia apresentar, que chega a 90 nomes para o Parlamento estadual. Feliz com o resultado, o deputado federal Lúcio Vieira Lima diz que, além de ter garantido a eleição dos seus representantes na Câmara e na Assembleia, o partido conseguiu reunir um exército suficiente para pedir, com folga, votos para o candidato ao governo do partido, João Santana, o que muitos concorrentes, segundo ele, não têm.

15 de agosto de 2018, 18:42

EXCLUSIVA O doce lanche da tarde dos desembargadores com o dinheiro dos baianos

Foto: Reprodução

Pleno do Tribunal de Justiça da Bahia, onde os desembargadores são alimentados com lanches durante as sessões

E você sentado aí, caro leitor, fez hoje seu lanche da tarde? E se o fez, foi com o seu próprio dinheiro ou com o de outrem? Com certeza, se não tinha recurso, ficou com fome. Muito diferente do que fazem os já regiamente remunerados desembargadores baianos, que, além de todos os penduricalhos com que “sobrevivem”, são muito bem servidos com lanches nas sessões que acontecem no Tribunal de Justiça da Bahia.

Lá, como convém à turma cuja medicina recomenda cuidado com a alimentação, o cardápio é frugal. São frutas “in natura” de “primeira qualidade”, em “grau máximo de evolução no tamanho, no aroma e no sabor”, como diz o edital de licitação utilizado para comprá-las dentro dos conformes e da máxima legalidade. Porque é tudo legal e, ainda por cima, caro leitor, não engorda.

O problema é que quem paga a mordomia, porque não há outro nome para a regalia, somos nós, pobres contribuintes baianos, extorquidos pelo Estado, afundados em dívidas, entre outros problemas aprofundados pelo precário estado da economia brasileira. Nem lembremos dos miseráveis, dos famélicos, que são em número cada vez maior no país e na Bahia!

Pois é, caros contribuintes, tem até concorrência para que o TJ possa arrematar, com a máxima segurança para seus 61 membros ilustres, as frutinhas da tarde. A feirinha mais recente custará, pelo lote mais barato, R$ 39,6 mil, embora suas excelências pudessem consumir até R$ 72,8 mil em abacaxis, côcos, laranjas, limas, mamãos, mangas e melancias.

Reforçando: além de legal, tudo é justificadíssimo na Corte, inclusive a “economia” feita com a compra atual. Pelo critério, pela legislação, pela tradição. (…) “a futura e eventual aquisição de frutas in natura faz-se necessária para a continuidade dos serviços da Copa da Presidência, mais especificamente o fornecimento de lanches para as Sessões de Julgamento das Câmaras e Sessões do Tribunal Pleno, ordinárias e extraordinárias”.

Este é o liso texto do edital do Tribunal de Justiça, para a satisfação dos desembargadores baianos. O nosso, deste Política Livre, encerra aqui, sob a certeza de que com uma elite dessas, lamentavelmente, não há jeito para este rico pobre país.

15 de agosto de 2018, 17:14

EXCLUSIVA Heineken nega que “impasse judicial” em Pernambuco impacte fábrica na Bahia

Foto: Divulgação

A unidade da Heineken na Bahia funciona em Alagoinhas

A propósito do post “Notícia de fechamento da Heineken causa verdadeiro alvoroço em Alagoinhas”, publicado na última segunda-feira, o grupo Heineken enviou uma nota a este Política Livre esclarecendo que, diferentemente do informado, “as operações da fábrica de Alagoinhas não serão impactadas por quais medidas relacionadas ao referido impasse judicial” em Pernambuco. A empresa também “colocou-se à disposição para outros esclarecimentos que contribuam com a apuração do portal Política Livre”. O post dizia que a notícia de que a empresa pretendia fechar fábricas no Brasil, surgida depois de declarações da presidente da Heineken no Brasil, Nelcina Tropardi, sobre processos judiciais que enfrenta em Pernambuco, causou um verdadeiro alvoroço em Alagoinhas, com repercussões na Prefeitura e na Câmara do município, onde é uma das principais empregadoras, e que sindicato dos trabalhadores local já estudava solicitar apoio ao prefeito para uma audiência com o governador Rui Costa (PT), na qual pediria sua intervenção contra a medida.

15 de agosto de 2018, 09:58

EXCLUSIVA Psirico agita todas em festa de Gamil e adversários pensam em impugná-lo

Foto: Divulgação/Arquivo

Gamil Foppel, ao fundo, lidera chapa à sucessão na OAB

Uma festa promovida pelo Movimento Renova OAB para lançar o advogado Gamil Foppel candidato à sucessão na instituição, no último sábado, levou seus adversários a estudarem a possibilidade de impugnar sua candidatura. Para o evento, o Renova OAB contratou a banda de pagode Psirico, considerada uma dos cachês mais caros do segmento, que não deixou ninguém parado. Ocorre que os adversários de Gamil dizem que o evento pode ser considerado um showmício, o que, eles asseguram, é vedado pelas regras da OAB. Especialista em direito eleitoral, o advogado Nixon Muniz está entre os profissionais que defendem que a ação pode trazer graves problemas jurídicos para a chapa liderada pelo advogado na disputa deste ano. De acordo com Nixon, o showmício é uma prática proibida na eleição da OAB, conforme, segundo ele, o Provimento 146/2011, art. 12 , III, do Conselho Federal. “A atividade de pré-campanha pode resultar até na impugnação de Gamil”, declarou ao Política Livre.

14 de agosto de 2018, 15:39

EXCLUSIVA Depois de anúncio, saída de Gualberto da vida pública não é escolha, mas sentença

Foto: Divulgação/Arquivo

João Gualberto anunciou hoje de maneira surpreendente a desistência de concorrer à reeleição

A maneira inesperada com que o deputado federal João Gualberto (PSDB) decidiu anunciar hoje sua renúncia à reeleição, sem um aviso prévio formal a seus principais aliados e correligionários nem, principalmente, aos eleitores, torna seu afastamento da vida pública não uma escolha, como, pelo visto, ele gostaria que fosse, mas uma sentença da qual ele terá dificuldade de recorrer, se quiser.

O comportamento imprevisível de Gualberto sepulta de imediato, por exemplo, qualquer expectativa de que ele pudesse se tornar uma opção do PSDB para a disputa da Prefeitura de Salvador, em 2020, no caso de um afastamento político do partido em relação ao prefeito ACM Neto (DEM), especulação que ganhou os meios políticos depois que o democrata desistiu de concorrer ao governo do Estado, em abril último.

Até os argumentos utilizados pelo parlamentar para justificar a desistência são incapazes de inspirar qualquer simpatia. “Há um ano venho pensando em tomar essa decisão. Ir para Brasília, ficar longe dos meus negócios e da minha família me deixavam pensativo sobre isso”, disse, acrescentando que adorou ser prefeito mas percebeu, depois de ter se tornado deputado, que sua vida é no Poder Executivo.

O curioso é o quanto demorou para tomar a decisão definitiva. Pior, o fez sem emitir uma palavra sequer sobre o coletivo, a comunidade, a carente sociedade brasileira e baiana. Seria uma prova de que, como alguns o acusam, Gualberto só representa a si mesmo no Congresso? Pode ser um exagero, mas é a análise que ele permitiu que se faça. A bem da verdade, o deputado federal já vinha sinalizando há algum tempo para aqueles com quem convive de que andava desgostoso.

A dica mais recente foi ontem, numa reunião com ACM Neto, no Palácio Thomé de Souza, para discutir estratégias de campanha. Em pleno encontro, em que o assunto não cabia, Gualberto disse que ia desistir da candidatura. Como já era algo que se repetia, ninguém achou que fosse verdade, até o prefeito, que, no entanto, segundo um assessor, registrou a informação e comentou sobre ela depois da reunião, sem lhe dar, no entanto, maior peso.

Dias atrás, uma liderança política havia tentado falar com Gualberto. A ligação foi direcionada para a caixa de mensagens do seu celular, da qual saiu um comunicado em inglês que ele não compreendeu. Foi o suficiente para concluir que o deputado estava fora do país em plena campanha. Como não justificou adequadamente a desistência, o deputado ainda terá de conviver com os boatos de que algo muito sério a provocou. Eles correm rápido.

14 de agosto de 2018, 14:19

EXCLUSIVA Adolfo herda votos de Gualberto à Câmara no PSDB, que faz agora dois federais

O deputado estadual Adolfo Viana, candidato a deputado federal pelo PSDB, deve ser o principal herdeiro do patrimônio político do deputado federal João Gualberto, que anunciou hoje a decisão de renunciar à reeleição e deixar a vida pública. Além de amigo pessoal de Gualberto, Adolfo elegeu-se à Assembleia Legislativa, há quatro anos, dobrando em vários municípios com o ex-prefeito de Mata de São João, cidade que, aliás, já fechou com sua eleição à Câmara dos Deputados. Com a desistência de Gualberto de concorrer, o mais provável agora é que o PSDB eleja Viana e o deputado federal Antonio Imbassahy, já que, desde que o partido anunciou que disputaria as eleições proporcionais à Câmara sem coligar com nenhuma outra sigla, viu a chance de fazer três deputados reduzir para dois. A eleição de Adolfo e Imbassahy é dada como certa porque ambos devem ter mais de 110 mil votos.

14 de agosto de 2018, 09:19

EXCLUSIVA Wagner revela discordâncias sobre estratégia do PT para presidência da República

As constantes declarações do ex-governador Jaques Wagner discordando do calendário traçado pelo PT para a sucessão presidencial são exatamente isso: uma manifestação de discordância com relação a o que o partido pretende para as eleições de outubro.

Não é incorreto dizer que Wagner representa um grupo no PT cada vez mais ansioso com o atrelamento forçado entre a estratégia pensada para a candidatura do ex-presidente Lula, que envolve o seu registro na Justiça Eleitoral, em Brasília, apesar de o petista estar preso e dificilmente poder concorrer à luz da legislação brasileira, e o calendário eleitoral.

Estão neste time os governadores de Estado ligados à esquerda e ao PT, no qual perfila em posição de destaque Rui Costa, da Bahia. Para eles, principalmente para os que concorrerão à reeleição, é melhor ter o quanto antes o presidenciável do PT definido. Eles precisam de um nome a quem apoiar junto ao eleitor.

Precisam também assumir, de fato, a liderança sobre os partidos da base, onde se encontram muitas siglas ligadas a candidaturas presidenciais adversárias, o que esperar pelo destino de Lula, que muitos sabem já estar selado, não ajuda.

Não é por outro motivo que, para Wagner, se o PT quer realmente lançar o hoje vice, Fernando Haddad, à corrida presidencial, não pode continuar evitando assumí-lo como seu candidato. Os posicionamentos normalmente sensatos e cirúrgicos de Wagner, nem sempre compartilhados pela direção do PT, têm, normalmente, impacto na dinâmica partidária.

14 de agosto de 2018, 08:32

EXCLUSIVA Pressionado por lojistas e clientes, Barra investiga se houve autorização a ato pró-Lula

Foto: Divulgação/Arquivo

Fachada do Shopping Barra

A direção do Shopping Barra abriu uma sindicância interna para apurar quem liberou o espaço do centro comercial para uma manifestação de ativistas petistas em defesa do movimento “Lula Livre”, na semana passada, que provocou reação de clientes e quase gera um tumulto de grandes proporções. A decisão foi tomada depois de reclamação de lojistas, preocupados com o fato de clientes terem passado a defender nas redes sociais o boicote ao shopping, como se o evento tivesse contado com o apoio da direção do espaço. A frequência do Barra é formada basicamente por moradores dos bairros de classe média e média alta do entorno, associados ao anti-petismo. Um funcionário do shopping disse a este Política Livre que colegas suspeitam de que a autorização para a manifestação tenha passado por alguém que tem conexões com o secretariado do governador Rui Costa (PT). “É apenas uma suspeita”, reforçou.

13 de agosto de 2018, 19:27

EXCLUSIVA Medo de perder PSL leva PHS a contratar consultor para limpar imagem de Kannário

Foto: Divulgação/Arquivo

Discurso anti-policial de Kannário virou motivo de preocupação na chapinha liderada pelo PHS

Preocupado com o impacto da presença do candidato a deputado federal Igor Kannário numa coligação que tem entre os principais partidos o PSL, o PHS, líder da chapinha do qual o partido do presidenciável Jair Bolsonaro faz parte na Bahia, resolveu contratar um conhecido consultor de imagem para tentar limpar a barra do cantor, conhecido por seu discurso anti-policial, escolhido para funcionar como um puxador de votos.

Desde a celebração da chapinha para disputar as eleições proporcionais, o PHS passou a temer pelo futuro da coligação quando viu a forte reação no aliado PSL pelo fato de ter, entre os seus principais candidatos, Kannário, conhecido pelo discurso contra policiais. No Carnaval deste ano, o cantor chegou a ser acusado de incitar foliões que acompanhavam seu trio contra a Polícia Militar, responsável pela segurança no evento.

O episódio levou o comandante da PM na época a chamá-lo de “marginal”. O maior alvo dos ataques contra a aproximação com Kannário não é, no entanto, o PHS. A presidente do PSL, Daiane Pimentel, figura de confiança de Bolsonaro na Bahia, tem sido criticada intensamente nas redes sociais desde que aceitou fazer a coligação que tem Kannário entre os seus principais representantes.

“A senhora sabe que Igor Canário não respeita a polícia? Páre com isso enquanto é tempo (sic)”, disse um internauta, seguido de vários outros, com mensagens com o mesmo tipo de protesto nas páginas de Daiane nas redes sociais. “Vai apoiar um cara que não respeita polícia?”, questionou outro. Há quem diga que Daiane vai ser obrigada a se posicionar publicamente sobre a aliança com o PHS e Kannário nos próximos dias.

13 de agosto de 2018, 10:17

EXCLUSIVA Notícia de fechamento da Heineken causa verdadeiro alvoroço em Alagoinhas

Foto: Divulgação/Arquivo

Fábrica tem uma unidade em Alagoinhas

Causa um verdadeiro alvoroço em Alagoinhas, com repercussões na Prefeitura e na Câmara Municipal, a notícia de que Heineken ameaça fechar suas unidades no Brasil, o que incluiria a fábrica construída no município, onde é um dos principais empregadores. A possibilidade foi aventada pela presidente da Heineken no Brasil, Nelcina Tropardi, sob a alegação de que a operação no país, um dos maiores consumidores de cerveja do mundo, está deficitária e, além disso, a fábrica enfrenta processos judiciais em várias cidades. O sindicato dos trabalhadores local já estuda solicitar apoio ao prefeito para uma audiência com o governador Rui Costa (PT) na qual pediria sua intervenção contra a medida, que pode levar ao desemprego milhares de pessoas. O curioso é que a planta de Alagoinha acaba de passar por reformas que representaram mais de R$ 200 milhões de investimento, depois que a fábrica recebeu vários incentivos fiscais por parte do Estado.

13 de agosto de 2018, 08:23

EXCLUSIVA E os deputados, farão o que com o aumento do STF?, por Raul Monteiro

Foto: Divulgação/Arquivo

Ministra Carmem Lúcia foi contra o aumento se auto-atribuído pelos ministros

A decisão da maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) de, numa reunião administrativa, aprovar um aumento de 16% para os próprios salários corresponde a um soco no estômago daqueles que, no Brasil, acreditam que o Judiciário pode assumir o papel de representante da sociedade em lugar da classe política. A decisão subsequente dos procuradores de, aproveitando a iniciativa da mais alta Corte brasileira, adotar o mesmo procedimento visando os seus próprios interesses apenas confirma a tese de que tanto uma classe quanto a outra representa melhor a si própria do que a população.

A auto-elevação do subsídio da chamada elite da elite do funcionalismo, num momento em que o país vive uma crise econômica pesada, com mais 13 milhões de desempregados, sem perspectivas de melhora no médio prazo e no qual mais de um terço da população recebe, quando muito, um salário mínimo, mais do que uma desfaçatez e um desrespeito, é uma verdadeira agressão à dignidade da maioria. Ainda mais porque, como se sabe, a majoração implicará num efeito cascata, empurrando aumentos desenfreados no âmbito do funcionalismo, capaz de levar efetivamente o Brasil à bancarrota, a depender do presidente eleito em outubro próximo.

Nada disso, no entanto, foi capaz de levar os senhores ministros do Supremo Tribunal Federal, donos do emprego dos sonhos de qualquer brasileiro, com todos os seus penduricalhos e mordomias, além da garantia da estabilidade até a morte, ou seja, condições que elevam em muito os subsídios que eles recebem, a refletir e decidir respeitar a triste situação da maioria do povo brasileiro. Se era preciso uma prova de que, na condução da Lava Jato, eles não fazem mais do que cumprir o seu papel, sem que ele se confunda com o respeito à fragilidade da sociedade brasileira, ela está aí escancarada.

Na contramão de todos eles, no entanto, pode ainda se colocar a classe política, essa sim que deveria representar os interesses legítimos da sociedade e rebelar-se contra a medida no Congresso enquanto é tempo, cumprindo o seu papel e colocando-se contra o desatino de uma elite que, com efeito, não tem a menor preocupação ou, pior, consideração com aqueles que carregam o país nas costas, são obrigados a pagar impostos extorsivos para sustentar sua boa vida e hoje enfrentam condições de vida muito piores do que no passado.

A expectativa de reação, na verdade, é apenas uma expectativa, porque há muito a classe política também sucumbiu ao mesmo estilo de corporativismo que a faz desconsiderar completamente o povo a que deveria representar, buscando, quando as oportunidades se apresentam, defender e lutar por seus próprios interesses em detrimento dos da maioria. Num momento em que o país se prepara para renovar sua classe política, em eleições em outubro, era bom cada eleitor procurar saber antes como seus candidatos vão se posicionar ante o afrontoso aumento antes de votar.

* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.

Raul Monteiro*

11 de agosto de 2018, 10:57

EXCLUSIVA Tem gente perigando mais do que Aleluia depois dos últimos arranjos coligacionais

Foto: Divulgação/Arquivo

O deputado federal José Carlos Aleluia tem reeleição mais segura do que muitos em seu grupo político

Não entende de quociente eleitoral quem prevê a derrota de José Carlos Aleluia à Câmara dos Deputados em outubro, depois dos últimos arranjos coligacionais no grupo do candidato a governador democrata José Ronaldo. O deputado federal está em posição bem segura entre os deputados federais do DEM que disputam a reeleição. O que não se pode dizer, com toda a certeza, de outros dois candidatos do time oposicionista sobre os quais se pintava a imagem de imbatíveis quando se dava a formação do chapão como certa.