24 de agosto de 2019, 10:26

EXCLUSIVA Estrangeiros impõem a Bolsonaro limite que brasileiros ainda não aprenderam a dar

Foto: Reprodução Youtube

A crise internacional em que Jair Bolsonaro (PSL) jogou o país por conta exclusivamente de sua irresponsabilidade, truculência, incompetência e despreparo é um vexame sob todos os aspectos.

Mas deveria lançar também vergonha sobre aqueles que permaneceram brandindo as teses negacionistas do desmatamento mesmo quando os céus de vários Estados e imagens à farta mostravam a Amazônia em chamas.

Ministros como Onix Lorenzoni (Casa Civil), Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Teresa Cristina (Agricultura) merecem tanto ou mais reprovação do que o presidente desatinado neste episódio.

Se funcionam como um exército acrítico de bajuladores de um Nero tupiniquim, sem impor-lhe qualquer tipo de constrangimento quando seu erro é evidente, não valem ao país nem o valor que custam ao erário.

Foram todos parados por uma instituição que se mostrou muito mais forte e imponente que o Brasil governado por um projeto de autocrata infantil – a aliança das potências internacionais que não se prestam a assistir impassíveis a suas sandices.

Jair Bolsonaro poderia deixar o mandato que conquistou sob uma confluência de fatores na qual pouco contou sua capacidade política e intelectual sem a pecha de mentiroso com que ontem lhe carimbou internacionalmente, com toda a razão, o presidente da França.

É vergonhoso que o Brasil se veja agora ameçado de boicote e que todos estejam sujeitos às consequências devastadoras de uma aliança internacional que foi obrigada a dar limites às loucuras do governante do país.

Quando o Brasil vai aprender que uma Nação é feita de homens e mulheres que precisam se posicionar claramente e de forma pública para evitar que se aprofundem situações de crise de consequências irreversíveis?

Que não pensem apenas no poder, na influência e eventualmente nos negócios que posições delegadas por governantes possam prover? O país está prostrado sob um processo de ridicularização mundial.

Felizmente, houve protestos e manifestações também em várias partes da Nação. Mas elas deveriam ganhar mais força e enfrentar também a operação desmonte que o presidente executa na Receita, no Coaf e no Ministério Público Federal para proteção doméstica.

Na falta de líderes que apontem o caminho, as ruas precisam começar a dar, de novo, a sua contribuição para melhorar a qualidade da política nacional. O processo de depuração institucional é longo e precisa de todos.

É claro que não se precisa mais de um Lula, nem daqueles que o defendem, mas também não é possível se contentar apenas com isso aí.

23 de agosto de 2019, 19:16

EXCLUSIVA Embalado por pesquisa e movimento por candidato negro, Lázaro vai concorrer a prefeito de Salvador

Foto: Reprodução/Arquivo

Irmão Lázaro pode disputar Prefeitura de Salvador pelo PL

O presidente do PL na Bahia, José Carlos Araújo, obteve esta semana autorização da direção nacional da sigla para trabalhar a candidatura do pastor Irmão Lázaro à Prefeitura de Salvador. Os dois devem ter uma reunião na próxima semana para acertar os detalhes da pré-campanha, que passa, inicialmente, pela mudança de domicílio eleitoral para Salvador do ex-candidato a senador do PSC. A decisão do PL estadual de priorizar a capital baiana para a candidatura de Lázaro, que chegou a ser pensado para disputar a Prefeitura de Feira, foi tomada depois que uma pesquisa divulgada esta semana colocou o ex-deputado com 7% das intenções de votos. Também foi impulsionada pela tese, defendida pelo Movimento Negro, de que Salvador precisa de um representante negro na Prefeitura.

23 de agosto de 2019, 08:09

EXCLUSIVA Fora de evento do Clima quando Amazônia pega fogo, Rui Costa mostra que candidatura presidencial é para boi dormir

Foto: Fernanda Chagas / Política Livre/Arquivo

Governador Rui Costa deixa evento sobre o Clima em Salvador e baboseiras de Bolsonaro passarem em branco

Se ainda havia alguma dúvida entre incautos de que não passa de simples marola destinada a fortalecer sua candidatura ao Senado em 2022 a idéia de que o governador Rui Costa é presidenciável no PT, a Semana do Clima em Salvador, que se encerra hoje, a dissipou de vez.

No momento em que o mundo cai de pau em cima de Jair Bolsonaro (PSL)) por causa de suas perigosas sandices relativas ao meio-ambiente, Rui não foi nem mandou representante para o evento em que o ministro Ricardo Salles, pau mandado do presidente para a área ambiental, vaiado, teve que sair às carreiras do encontro.

Duas versões não-oficiais circulam sobre a ausência do governo estadual do evento. A primeira é de que não compareceram porque o Seminário é uma iniciativa da Prefeitura de Salvador, que teve que suar para realizá-lo quando a disposição do governo Bolsonaro, avesso ao meio-ambiente, era não deixar mais que acontecesse.

Portanto, se trataria de um evento promovido por um adversário político a quem não caberia prestigiar. A segunda, mais ácida, é a de que o governo do Estado passaria um vexame no encontro simplesmente por não ter o que mostrar. Exemplo apontado pelos críticos: há sete anos não se reúne o fórum baiano de mudanças climáticas.

Também até hoje ninguém sabe onde foi parar o plano de fazer um inventário de emissões de gases de efeito estufa na região metropolitana. São acusações que o secretário estadual de Meio Ambiente ou algum representante de órgãos congêneres do Estado, se lá tivessem aparecido, poderiam ter esclarecido ou desmentido.

Enquanto Rui Costa lá não deu as caras, ACM Neto (DEM), naturalmente, usou e abusou da imagem de prefeito verde que, como ele mesmo destacou entre as inúmeras entrevistas que concedeu, gosta do meio-ambiente e defende sua preservação como patrimônio para o mundo.

Sobre o presidente da República, para quem as queimadas na Amazônia são promovidas pelos defensores da floresta, disse que Bolsonaro ‘fala o que pensa”, provavelmente querendo dizer o que todo mundo já sabe: que por trás da truculência do chefe da República está um ser humano ao qual faltam instrumentos básicos para o pensamento.

Está aí um papel a que o governador do Estado poderia se reservar, se quisesse mostrar a todos que gosta do meio-ambiente e que defende uma Amazônia em chamas contra o presidente da República. Enfim, definitivamente, esqueçam: Rui Costa é, no máximo, candidato a senador daqui a quatro anos.

22 de agosto de 2019, 16:30

EXCLUSIVA Veto a artigo do Estatuto da Igualdade Racial pode adiar votação de projeto dos aplicativos na Câmara

Foto: Antonio Queirós/CMS

Sobrestando a pauta, ainda não existe acordo entre as bancadas sobre como procederão diante da rejeição de Neto

Embora o presidente da Câmara de Salvador, vereador Geraldo Júnior (SD), assegure que nada será votado no Parlamento municipal enquanto o projeto que regulamenta os aplicativos em Salvador não for apreciado, o veto parcial do prefeito ACM Neto ao artigo nº 44 do Estatuto da Igualdade Racial e Combate à Intolerância Religiosa, sancionado pelo Executivo no dia 28 de junho, pode atrapalhar os planos do presidente. Sobrestando a pauta, ainda não existe acordo entre as bancadas partidárias sobre como procederão diante da rejeição de Neto.

Informações chegadas a este Política Livre dão conta de que a proposta da base do governo é aprovar o projeto de lei que ficou na Casa por mais de uma década com o veto para, posteriormente, se criar um novo projeto de lei com o conteúdo do artigo rejeitado por Neto, que diz que o município ‘deverá’ destinar um percentual de vagas em convênios para pessoas em situação de rua. Contudo, por trás disso existe uma imposição por parte do grupo governista, apesar de possuir maioria. Para que isso ocorra [a aprovação do novo projeto] a oposição, bem como o bloco partidário independente, que já se manifestaram contra a decisão do gestor da capital baiana, devem votar de forma favorável ao veto e a resistência neste sentido é grande. Com isso, se confirma nos corredores da Casa que uma nova polêmica está instalada e o projeto dos aplicativos pode não ser votado na próxima semana.

“Eu vou buscar cada vereador para que a gente o derrube, pois é inadmissível que depois de 131 anos da abolição da escravatura a gente ainda encontre resistência em dar oportunidades aos negros que foram jogados na rua da amargura, sem indenização, sem educação, sem condições para superar a situação de penúria”, declarou o líder do bloco independente, vereador Edvaldo Brito (PSD), na ocasião da sanção.
Na mesma linha, o vereador Sílvio Humberto (PSB), já havia se posicionado contrário ao veto. Para ele, não cabe a justificativa apresentada pelo de que população em situação de rua merece um tratamento diferenciado, ou porque já há estudos em andamento na Secretaria Municipal de Promoção Social e Combate à Pobreza (Sempre). “Se esse argumento fosse crível, o mesmo raciocínio poderia ser aplicado para vetar outros artigos que tratam, por exemplo, de racismo institucional, saúde da população negra, ou aplicação da lei 10639/03, visto que há ações em curso em outras secretarias”, ponderou.

Ainda que em meio à discursos contrários ao veto e ao que manda o regimento, o presidente da Câmara atesta que: “Vamos votar o projeto dia 28. Não votamos nada enquanto não votar o projeto dos aplicativos. Nem sessão especial, nem moção, nada. Já deixei isso bem claro aos líderes do governo, oposição e bloco partidário independente”.

Fernanda Chagas

21 de agosto de 2019, 07:22

EXCLUSIVA Preço a ser pago pelo país por Eduardo em Washington será astronômico

Foto: Dida Sampaio/Agência Estado/Arquivo

Eduardo Bolsonaro, um dos filhos do homem

Não tarda e todo o país deverá tomar conhecimento do preço que o tesouro terá que pagar pela indicação do filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL) ao posto mais importante da diplomacia brasileira no Exterior.

Eduardo Bolsonaro, um dos zeros do presidente da República, é tão bronco ou até pior do que o pai. E está sendo indicado exclusivamente porque é seu filho. Ele sabe que os senadores também não o topam.

Num país sério, o governante sequer cogitaria do nome de Eduardo, a quem faltam todas as credenciais para assumir o cargo, para enviar à Embaixada brasileira nos Estados Unidos.

É nisso que os senadores que querem negociar a peso de ouro a aprovação ao seu nome se pegam. Diferentemente do que já ocorreu na Câmara, com a proposta de reforma da Previdência, eles não viram até agora uma emenda liberada.

Nem a entrega de cargos em estatais e outros órgãos governamentais importantes em troca de apoio ao governo. Pois é chegada a hora de tudo mudar. E o presidente da República sabe disso.

Aliás, apesar do discurso contra o toma lá dá cá, quando não é da sua conveniência, Bolsonaro criou uma situação que só pode ser resolvida na base dos piores métodos da velha política.

As raposas do Senado sabem como chegar onde desejam aproveitando da obsessão pessoal do pai em fazer de um filho embaixador a qualquer custo. E já fazem abertamente isso, aumentando a tensão em torno da votação.

Na última semana, um parecer da equipe técnica do próprio Senado estatuiu que a indicação do filho do presidente é nepotismo, o que o bom senso decreta antes de qualquer estudo superficial.

Agora, os senadores fazem chegar aos ouvidos do presidente que a tendência é contra a aprovação do nome de Eduardo. Tudo bolado para aumentar o preço da votação em favor do filhão.

E a sociedade, impassível, assistindo a tudo isso do lado de fora, em meio a uma das mais severas e tristes crises econômicas da história do país.

P.S. A virtual atuação de Eduardo Bolsonaro como Embaixador em Washinton será um capítulo à parte.

20 de agosto de 2019, 07:16

EXCLUSIVA 2020: Paraná Pesquisas coloca um ‘doido’ no caminho do governo e de Bellintani

Foto: Reprodução/Arquivo

Que tiro foi esse, Pastor Isidório?

Analisados superficialmente, os números coletados pela Paraná Pesquisas sobre a sucessão municipal, a segunda sondagem sobre intenções de voto para a Prefeitura de Salvador do mesmo instituto, divulgados ontem, mostram um quadro pelo menos de desafio para o grupo do governador Rui Costa (PT), principalmente se prevalece interesse pela escolha, de fato, de Guilherme Bellintani (sem partido) para candidato a prefeito.

O fator surpresa é, por que não dizer, o favoritismo do deputado federal Pastor Sargento Isidório (Avante), que aparece liderando a pesquisa, à frente da deputada federal e ex-prefeita Lídice da Mata (PSB). E “o doido”, como é mais conhecido, se auto-intitula e faz questão de ser chamado, pode não estar aí para brincadeira. Sua emergência nas intenções de voto tem tudo para embolar – e muito e de maneira irreversível – o jogo.

Afinal, se é bem verdade que os números dos nomes ligados ao campo do governo, juntos, são capazes de levar a disputa facilmente para o segundo turno, eles indicam que o corolário da passagem para a segunda etapa do processo eleitoral pode ser o deputado. Em outras palavras, os correligionários do governador, incluindo aí Lídice, estão no jogo, mas podem apenas servir ao plano “divino”, em se tratando de um religioso, para colocar Isidório lá.

Seria ele – e mais ninguém – aquele que, portanto, faria o combate contra o vice-prefeito Bruno Reis (DEM), terceiro colocado na sondagem e virtual candidato do prefeito ACM Neto (DEM), cuja excelente avaliação na cidade, não se duvide, deve ter peso decisivo nas próximas eleições e, provavelmente, já deve ter sido visto, em algum canto do Palácio Thomé de Souza, na Praça Municipal, se divertindo com o cenário que emerge.

Mas, se o plano é realmente transformar Bellintani no candidato a prefeito de Rui Costa, o que fazer com ‘o doido’? Ignorá-lo, deixando que inviabilize os planos de se fazer do presidente do Esporte Clube Bahia o próximo prefeito de Salvador, ou trabalhando, o quanto antes, para esvaziá-lo, fazendo alguma arte para redirecionar o interesse daqueles que pensam em escolhê-lo para governar a cidade para uma opção, digamos, mais ‘normal’?

Será que Isidório resistiria a qualquer tentativa de limá-lo, da parte dos próprios aliados, com uma daqueles performances inofensivas, com bíblia na mão e sangue no paletó, que já realizou no carpete da Câmara dos Deputados ou encararia uma eventual rasteira como uma guerra santa? Ele mostrou resignação quando, enquadrado pelo governo, encerrou a conversa de pedir votos para Jair Bolsonaro (PSL) contra Fernando Haddad (PT) na sucessão presidencial.

Será que, desta vez, fortalecido pelo eleitorado que aposta em sua candidatura à Prefeitura, daria tamanha demonstração de elevação espiritual ou resolveria a situação colocando fogo na casa, abrindo o gás daquele botijão que costumava carregar nas costas para aparecer junto ao eleitorado mais pobre quando ainda era um ilustre desconhecido antes de se eleger, pela primeira vez, deputado estadual?

Pode ser que o governador do Estado, o primeiro a incentivar suas pretensões eleitorais para o executivo municipal nas últimas eleições à Prefeitura, tenha um belo plano político para lidar com o ‘doido’.

Leia mais:
Isidório comemora liderança em pesquisa e lembra que ideia partiu de Rui
Na pesquisa espontânea: ACM Neto e Bruno Reis lideram
Para Lídice, resultado de pesquisa é reconhecimento de seu trabalho por Salvador
Bruno Reis avalia pesquisa como resultado da aprovação ao trabalho ‘transformador’ do seu grupo

18 de agosto de 2019, 17:48

EXCLUSIVA Motivadas por 2022, divergências entre Wagner e Rui crescem e estão por trás da tentativa de senador assumir, pela primeira vez, controle do PT na Bahia

Foto: Fernanda Chagas / Política Livre

Wagner, em lançamento de segundo volume de biografia de Emiliano José sobre Waldir Pires, quer ser candidato ao governo, enquanto Rui pensa no nome de Otto

Embora haja pelo meio a disputa pelas Prefeituras, a discussão sobre a sucessão estadual de 2022 já começou entre as principais forças do governo, ameaçando colocar em campos opostos quem antes era visto como unha e carne. A composição da chapa, que da próxima vez terá três vagas – ao governo, à vice e a uma posição no Senado – estaria por trás da discórdia que aliados já começam a identificar em passos e declarações que o governador Rui Costa e o senador Jaques Wagner, principais lideranças petistas do Estado, passaram a dar nas últimas semanas, bem como das especulações sobre o risco de estarem, pela primeira vez, se desentendendo.

Articuladores de ambos garantem que Wagner e Rui pensam de forma diferente com relação à estratégia a adotar para as próximas eleições estaduais, o que pode fazer ruir todo o castelo que construíram até agora, responsável pela hegemonia política do PT na Bahia por 13 anos, criando as condições para que a oposição, liderada pelo prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), assuma finalmente o controle do Palácio de Ondina. Segundo aliados do petismo, o senador não tem gostado de ver os movimentos de Rui no sentido de que pode deixar o governo antes do tempo para concorrer a um cargo majoritário – à Presidência da República ou ao Senado.

Reservadamente, Wagner, considerado o principal estrategista político do grupo e apontado como o principal responsável por o petismo ter chegado aonde chegou, inclusive pela eleição de Rui ao governo, pela primeira vez, em 2014, defende que o petista leve até o fim seu mandato no governo do Estado, mantendo as forças políticas que hoje dão sustentação à sua administração unidas e coesas. Por este princípio, o senador concorreria ele próprio ao governo em 2022, mantendo na chapa o PP e o PSD, depois do PT, principais partidos da base, que controlam as mesmas posições hoje.

Rui, no entanto, não estaria confortável com a idéia de ficar sem mandato pelos próximos quatro anos em benefício da harmonia e entendimento do grupo que lideram, o que tem levado alguns a acusá-lo de egoísmo. “Rui é o político mais egoísta que a Bahia produziu nos últimos anos. Aliás, não é o único, mas podemos dizer que é o mais importante, o que pode produzir sua própria derrota”, diz um conhecido aliado de Wagner no PT, temeroso de que, pela primeira vez, em 16 anos, a serem completados em 2022, o PT fique fora do poder na Bahia.

Segundo sua avaliação, que ele garante ser compartilhada no círculo político íntimo do senador, Rui ensaia a candidatura à Presidência, mesmo sabendo que não há como remover a postulação do paulista petista Fernando Haddad em 2022, para construir uma marola que torne triunfal sua renúncia ao mandato para concorrer ao Senado sob um arranjo político que dê um mandato-tampão ao vice-governador, João Leão (PP), e crie as condições para que o hoje senador Otto Alencar (PSD) se viabilize como candidato ao governo pelo grupo daqui a três anos.

Mas, além de a estratégia poder vir a desagregar todo o grupo, lançando ao primeiro plano disputas e interesses contrariados que estariam hoje muito bem administrados pelo formato atual do consórcio que controla as principais posições do governo estadual na Bahia, esconderia, de acordo com a mesma fonte, um plano maquiavélico do governador: levar à derrota o próprio Otto, que muitos acreditam não ter força eleitoral para poder ganhar as eleições, tudo indica, para o prefeito de Salvador, ainda mais sob uma base que tenderá à plena desagregação.

A solução para que não se corra riscos, na avaliação dele, seria o grupo marchar unido com a candidatura de Wagner, único capaz de impedir que tanto Otto quanto Leão ensaiem dissidências no grupo para concorrer ao governo. Em sua avaliação, o senador não estaria disposto a assistir de camarote e impassível à montagem do plano que o governador teria concebido para a própria sucessão. Estaria aí, em sua avaliação, a explicação para o movimento que o senador desenvolve no sentido de conquistar o controle da máquina petista no Estado, com o que nunca trabalhou nem quando foi governador do Estado.

O candidato de Wagner à presidência do partido é um assessor dele, Eden Valadares, que tem feito um esforço hercúleo de articulação para se viabilizar, junto a diversas correntes petistas, muitas incomunicáveis entre si, para tentar levar o comando da legenda, considerada fundamental no jogo que será estabelecido daqui a três anos para as articulações com vistas à sucessão estadual no âmbito do governo.

16 de agosto de 2019, 17:24

EXCLUSIVA Direita na Câmara Municipal fica impressionada com Rui Costa

Foto: Fermanda Chagas/Arquivo

Governador foi esta semana à Câmara Municipal falar sobre o VLT

Não foi apenas o presidente da Câmara Municipal de Salvador, Geraldo Jr. (SD), que ficou extasiado com a passagem do governador Rui Costa (PT) esta semana pela Casa a fim de apresentar o projeto do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), que substituirá os trens do Subúrbio.

Vereadores da bancada do prefeito ACM Neto, especialmente aqueles identificados com a direita, teriam também ficado encantados com o governador, alegando que ele não se negou a responder nenhuma das perguntas.

Rui só teria ficado sem esclarecer, no entanto, sobre quantas linhas de ônibus serão substituídas com o novo e moderno equipamento que o governo quer construir na Cidade Baixa.

“Ele tem mãos de fada. Tudo em que toca dá certo”, disse visivelmente emocionado sobre Rui o presidente da Câmara após a reunião, realizada a portas fechadas, sem a presença da imprensa, no Salão Nobre da Casa.

Geraldo Jr. foi o principal articulador da ida do governador ao espaço para a conversa com os vereadores antes mesmo de o governo do Estado ter apresentado o projeto ao prefeito de Salvador.

Um dos pontos altos do encontro, na avaliação geral, foi uma resposta que o governador deu à vereadora Aladilce, do PCdoB, que cobrou do gestor o passe-livre para estudantes pobres do Subúrbio.

Alegando ser muito mais conservador do que ela, Rui usou uma frase cuja popularização é atribuída a um dos ideólogos do liberalismo, o economista Milton Friedman, para respondê-la.

– Como não existe almoço de graça, o pai de família vai pagar por aqueles que utilizarem o serviço de forma gratuita, declarou o governador. Segundo relatos, Aladilce teria ficado sem voz.

Por outro lado, a afirmação do governador teria deixado o vereador Alexandre Aleluia (DEM), um dos jovens talentos da Câmara e direitista convicto, com quem muitas vezes a própria Aladilce discute, tão impressionado que ele não dirigiu mais nenhum questionamento a Rui.

16 de agosto de 2019, 15:56

EXCLUSIVA Além de ingresso no PSB, Bellintani já avalia mulher negra para vice

Foto: Divulgação/Arquivo

Guilherme Bellintani é hoje presidente do Esporte Clube Bahia

Apesar de o PSB ter tratado como especulação a notícia de que o presidente do Esporte Clube Bahia, Guilherme Bellintani, vai se filiar ao partido, publicada hoje com exclusividade por este Política Livre, o dirigente esportivo de fato definiu a legenda como opção para concorrer à Prefeitura, considerando fortemente a possibilidade de, inclusive, se afastar da instituição desportiva antes do tempo para disputar a sucessão municipal.

Pelo menos dois políticos com que Bellintani conversou hoje confirmaram mais uma vez, agora à tarde, a notícia. Eles também anteciparam que o ex-secretário municipal de Turismo do prefeito ACM Neto (DEM) passou a se reunir com mais regularidade com lideranças políticas em sua casa, no Campo Grande, pelo menos duas vezes por semana, para tratar da campanha, mesmo negando de público o movimento.

De acordo com figuras próximas ao presidente do Bahia, a única situação que ainda “segura” uma manifestação clara de Bellintani no sentido de que é candidato é a demora do governador Rui Costa (PT) em fazer um aceno claro de que ele tem a sua preferência para disputar a Prefeitura de Salvador, o que não ocorre com vários membros da “cozinha” do governo e até com o senador Jaques Wagner, que têm buscado incentivá-lo a concorrer.

Mesmo assim, o presidente do Esporte Clube Bahia tem buscando intensificar seus contatos políticos e passou, nos últimos dias, a avaliar, inclusive, que opções poderia ter para compor sua chapa como candidatos a vice. Inicialmente, ele pensou numa mulher negra para ter ao seu lado na campanha, mas seus articuladores recomendaram avaliar outros nomes.

O assunto é também tratado com cuidado para não melindrar o PSB, pelo qual Bellintani espera se definir nos próximos dias. O risco de perder o timing para uma definição é outro temor da equipe que assessora, informalmente, o presidente do Bahia. Muitos chamam a atenção para o fato de que o vice-prefeito Bruno Reis (DEM), apoiado pelo prefeito de Salvador, tem jogado solto como pré-candidato na cidade sem enfrentar qualquer tipo de concorrência.

Aludindo à competência política de Bruno, além de sua forte presença na máquina municipal e da agenda intensa com a qual visita bairros da periferia e lidera inaugurações, alguns chegam a avaliar, do lado do governo, que o vice-prefeito pode, caso o quadro perdure desta forma, acabar adquirindo todas as condições para tornar irreversível sua vitória no ano que vem.

16 de agosto de 2019, 11:26

EXCLUSIVA Bellintani bate martelo e decide se filiar ao PSB para disputar Prefeitura de Salvador; partido nega

Foto: Divulgação

O presidente do Esporte Clube Bahia, Guilherme Bellintani, bateu o martelo nesta sexta-feira (16) e decidiu se filiar ao PSB, informou uma fonte importante do partido a este Política Livre. A decisão foi tomada depois de uma avaliação do quadro político feita nesta semana. Ele avalia, inclusive, antecipar sua saída do comando do clube para se dedicar à campanha pela Prefeitura de Salvador em 2020. O PSB é presidido na Bahia pela deputada federal Lídice da Mata. Em nota emitida esta tarde, no entanto, o 1° secretário do PSB da Bahia, Rodrigo Hita, afirmou que “não procede o movimento de filiação“ de Bellintani ao partido. “Admiro bastante o trabalho dele como gestor no maior clube do Nordeste, mas não tratamos nada sobre eleição 2020 com ele” pontuou o ex-secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Atualizado às 14h30

16 de agosto de 2019, 10:43

EXCLUSIVA José Sérgio Gabrielli declara apoio a Ademário Costa na disputa por diretório municipal do PT

Foto: Política Livre

O candidato à presidência do diretório municipal do PT de Salvador Ademário Costa recebeu o apoio do ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli, acentuando a polarização com o atual ocupante do posto, o ex-vereador Gilmar Santiago. Segundo Gabrielli, o correligionário “é a mistura do novo e o velho”.

“Ademário é a mistura do novo e o velho. Conheci-o militante estudantil, ainda quando eu era professor. Aguerrido, polêmico, firme na defesa de suas ideias. Depois o conheci como militante político, intransigente na defesa dos oprimidos, comprometido com a construção partidária, procurando alternativas para a direção da luta dos trabalhadores. O conheci também no Gandhi e nos debates sobre a importante questão racial, elemento fundamental para entender os destinos da libertação do nosso povo”, disse.

Gabrielli afirma ainda que Ademário “tem condições de reafirmar o protagonismo do partido” em um momento de “ataque da direita”. “Agora ele amplia seus apoios e se coloca em um projeto de liderar o PT em Salvador, em um momento extremamente importante em que estamos sob ataque da direita, particularmente da extrema direita, e dos conservadores em geral. Ademario tem condiçõees de reafirmar o protagonismo do partido nas lutas sociais, nas disputas institucionais e eleitorais e na reaglutinação de forças para enfrentar os desafios do presente, olhando para o future”, acrescentou.

O ex-dirigente da Petrobras é ligado à tendência interna Construindo um Novo Brasil (CNB), mesma do ex-presidente Lula e dos presidentes nacional e estadual da sigla, Gleisi Hoffmann e Everaldo Anunicação, respectivamente. Conforme noticiado pelo Política Livre, Ademário uniu-se a Iracema Moura, que foi pré-candidata da Esquerda Popular Socialista (EPS), e a Hamilton Menezes, da CNB.

Na corrida pelo comando do diretório estadual da legenda, Gabrielli apoia o assessor do senador Jaques Wagner, Éden Valadares. Estes, por sua vez, anunciaram a preferência por Gilmar Santiago em Salvador.

As eleições do diretório acontecem em meio ao debate sobre a disputa pela prefeitura de Salvador no próximo ano. Tanto Ademário quanto Gilmar defendem uma candidatura própria do PT, e de preferência uma liderança negra para liderar a chapa.

Leia também:
Apoios recebidos por Gilmar Santiago e Ademário Costa acirram disputa por presidência do PT de Salvador

15 de agosto de 2019, 07:37

EXCLUSIVA Vantagem de Bruno Reis sobre demais candidatos é inegável, por Raul Monteiro*

Foto: Divulgação/Arquivo

Secretário de Infraestrutura e vice-prefeito de Salvador, Bruno Reis checa projeto da Prefeitura para bairro periférico

Faz sentido a preocupação dos que tentam articular a candidatura do presidente do Esporte Clube Bahia, Guilherme Bellintani, à Prefeitura de Salvador, em 2020, com a dificuldade de o governador Rui Costa (PT) abraçar sua postulação, levando-o a integrar, neste primeiro momento, o time dos eventuais nomes que deverão sair candidatos à sucessão municipal no time de partidos aliados do petista. Escoltado por uma equipe de bons estrategistas, que vêm em seu nome a única chance de o governo fazer o próximo prefeito de Salvador, Bellintani sequer tem um partido pelo qual possa concorrer.

A ausência de uma legenda que possa chamar de sua e que, em contrapartida, o abrace como seu, o coloca em grande desvantagem em relação aos eventuais concorrentes no próprio grupo governista. Para completar, o virtual principal adversário do time de Rui, o vice-prefeito Bruno Reis (DEM), que fez da disposição para o trabalho uma de suas marcas e acumula, por estratégia do prefeito ACM Neto (DEM), a secretaria municipal de Infraestrutura, não pára quieto, submetido deliberamente a uma rotina intensa de inaugurações e visitas a bairros, principalmente periféricos, cujo resultado tem sido torná-lo mais e mais conhecido.

O claro interesse de Bruno em suceder ACM Neto, que programa o anúncio de seu nome como seu candidato oficial para o fim do ano como forma exclusivamente de não melindrar os partidos da base, alguns com interesse também na sucessão mas nenhum com nome suficientemente forte para confrontar o escolhido do prefeito, é um dos grandes diferenciais do vice, que trafega praticamente sozinho como postulante à sucessão municipal até agora. Com competência política reconhecida, respeito dos aliados e domínio crescente da máquina municipal, construído na base de experiências como secretário, Bruno voa até agora em céu de brigadeiro.

E deve continuar assim até a chegada do próximo ano, quando se espera que os partidos da base do governo estadual, a levar em conta o ritmo lento em que normalmetne se movem, devam começar a se articular para definir nomes e estratégias para as eleições municipais. Os cinco meses que separam Bruno desse momento podem se transformar numa eternidade inteiramente a seu favor, uma vez que sabiamente ele já vem buscando aproveitar, desde agora, todos os recursos de que dispõe para fortalecer o próprio nome, deixando todos aqueles que ainda pretendem se definir em natural desvantagem.

A situação se aplica naturalmente tanto a Bellintani, que sequer ainda se filiou a um partido e, pelo menos por enquanto, parece que ainda disputa o apoio do governador a seu nome como forma de se viabilizar, como a outros nomes que já se ensaiam no campo do governo estadual interessados em enfrentar a disputa, a qual ainda contará com um elemento que tende mais a desagregar do que unir quem ainda não conquistou tônus para disputar a sucessão. Trata-se da mudança na legislação que acabou com as coligações proporcionais, obrigando os partidos a lançarem candidatos próprios para fazer bancadas.

* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.

Raul Monteiro*

14 de agosto de 2019, 12:27

EXCLUSIVA Corrente interna Renova PT promete ser “divisor de águas” em eleições para diretório municipal

Foto: Divulgação

As eleições para o diretório municipal do PT de Salvador, já polarizadas pelo assessor do deputado federal Jorge Solla Ademário Costa e pelo atual presidente, Gilmar Santiago, podem ser decididas com o apoio da corrente interna Renova PT a um dos candidatos. É o que garante o militante Cleriston Silva, presidente da Central das Creches do Brasil e membro da tendência.

Em entrevista ao Política Livre, o petista afirmou que o Renova PT conta com cerca de 1 mil filiados e deve entregar em torno de 30% dos votos a quem decidir apoiar. “É uma nova corrente interna, que não tem deputado nem vereador, mas é formada por movimentos sociais e sindicais no partido. É uma das maiores forças do partido em Salvador. Estamos discutindo a possibilidade de apoiar um dos dois grupos. Será o divisor de águas”, disse Silva, acrescentando que uma das propostas do grupo, que ‘resgatou’ filiados nas 20 zonais, é renovar e “resgatar o PT antigo. Quando surgiu, o partido tinha uma ideologia, e hoje abandonou as bases, a militância antiga”.

Gilmar Santiago, que tem a vereadora Marta Rodrigues na vice, conta com o apoio do senador Jaques Wagner e de seu assessor, Éden Valadares, que concorre à presidência do diretório estadual. Já Ademário uniu-se a Iracema Moura e a Hamilton Menezes, que chegaram a entrar na disputa, mas desistiram.

O Renova PT também discute com qual candidato caminhará nas eleições para o diretório estadual. Atualmente, Éden Valadares e o deputado estadual Jacó, apoiado pelo atual presidente, Everaldo Anunciação, figuram como dois dos candidatos mais competitivos. E, conforme noticiado ontem com exclusividade pelo Política Livre, a chapa de Éden pode chegar à vitória com 45% dos votos. “Estamos conversando. Estamos aguardando uma conversa com Éden Valadares. Conversamos com Everaldo, que também sinalizou interesse no apoio do Renova PT”, afirmou Cleriston.

Leia também:
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14 de agosto de 2019, 09:37

EXCLUSIVA 2020: Geraldo Jr. revela a colegas que fechou acordo de apoio mútuo com Bellintani

Foto: Divulgação/Redes Sociais

Geraldo Júnior, inclusive, não cansa de propagar que na ‘esteira’ que Bellintani estiver, ele estará

O presidente da Câmara de Salvador, vereador Geraldo Júnior (SD), que não esconde o desejo de governar Salvador, apesar de ser integrante da base do prefeito ACM Neto (DEM), cuja aposta clara é no nome do vice-prefeito Bruno Reis (DEM) para a sucessão municipal, praticamente deflagrou sua pré-campanha e teria fechado até um acordo com o  presidente do Esporte Clube Bahia, Guilherme Bellintani, ainda sem partido.

Contudo, a estratégia dele seria reunir o máximo de apoios em torno do seu nome e definir se dará prosseguimento ou não ao trabalho em janeiro do ano que vem, quando acha que poderá ter mais garantias de que não dará “um tiro no pé”. Informações chegadas a este Política Livre dão conta, por exemplo, de que recentemente ele revelou para um grupo maior de pessoas quais são seus planos.

Após a aprovação do projeto que isentou o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), no último dia 8, na Câmara Municipal, por exemplo, Geraldo Júnior teria buscado capitalizar a votação junto aos pares, colocando a aprovação de três das oito emendas apresentadas ao projeto pelos vereadores na sua conta. Até mesmo um jantar para comemorar o resultado aconteceu, na tentativa de fortalecer ainda mais seu objetivo.

Esse seria apenas mais um dos encontros com os edis em torno do assunto. No jantar, Geraldo Júnior teria admitido que trabalha com a hipótese de buscar se cacifar para disputar a Prefeitura até janeiro, quando espera sentar com o presidente do Esporte Clube Bahia a fim de fazer uma avaliação sobre quem está melhor nas pesquisas e então definirem conjuntamente para quem irá o apoio nas eleições municipais.

O presidente não esconde de ninguém a afinidade que afirma possuir com Bellintani, sobre quem diz que já firmou um entendimento pelo qual aquele que estiver melhor nas pesquisas apoiará o outro. A contrapartida a ele seria o apoio do presidente do Bahia para que renove o mandato de vereador e se reeleja para o comando da Câmara Municipal, onde ficaria por dois anos até concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados.

Nessa linha, o presidente da Câmara já possui de forma declarada uma aliança entre o seu partido, o Solidariedade, com o MDB, o PSC e o PTB, para as eleições municipais do próximo ano. “Referendamos nosso entendimento da constituição de um processo político democrático para as eleições municipais de 2020 onde todos possam ter uma participação efetiva nesse processo”, teria dito na ocasião.

Quanto a Bellintani, seria “o melhor amigo que construiu na vida pública” e, conforme também as próprias palavras,  seu grande trunfo. Pois, se nada der certo a seu favor, se a campanha que ele “vislumbra como cabeça de chapa não deslanchar, não haveria problema para ele compor com seu grande parceiro”. Geraldo Júnior, inclusive, não cansa de propagar que, na ‘esteira’ em que Bellintani estiver, ele estará.

Aliado a isso, o presidente da Câmara busca uma aproximação com o governador Rui Costa (PT), que, conforme este site publicou, teria sido levado a concluir que o melhor nome em seu grupo para disputar a sucessão em Salvador em 2020 é Guilherme Bellintani, que emergiu para a vida pública depois de ocupar três secretarias no governo de ACM Neto. A última ofensiva de Geraldo Júnior foi confirmar a ida de ‘forma inédita’ à Câmara do governador.

A visita acontece hoje à tarde, quando Rui pretende pedir apoio aos vereadores para facilitar os procedimentos para a construção do VLT na capital baiana. “É preciso registrar o ineditismo desse ato. Nenhum governador veio a esta Câmara para fazer apresentação. Prova que estamos caminhando na mesma esteira para a construção de uma cidade melhor e mais justa”, enfatizou.

Fernanda Chagas

14 de agosto de 2019, 09:04

EXCLUSIVA Visita de Rui Costa à Câmara Municipal pode se transformar num “tiro no pé”

Foto: Fernanda Chagas/Política Livre

Governador Rui Costa faz visita inédita hoje à Câmara Municipal

Justificadamente cercada de cuidados para evitar uma exposição desnecessária ao chefe do executivo estadual, a visita que o governador Rui Costa (PT) faz hoje à tarde à Câmara Municipal está envolta em incógnitas com relação a seus objetivos e eventuais resultados.

Pelo que consta, Rui deve pedir aos vereadores apoio para aprovar projeto que concederia isenção fiscal às empresas que devem construir o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) na região do Subúrbio, em substituição ao sistema de trens que hoje serve àquela parte bela, porém pobre da cidade.

Ocorre que a matéria precisa ser enviada à Câmara Municipal pelo prefeito ACM Neto (DEM), que, depois de alguma luta, acaba de ver aprovado pelos vereadores iniciativa semelhante de autoria da Prefeitura renunciando à receita do ISS que deveria ser pago pelas empresas de ônibus.

Levando em conta o baque que tanto o primeiro projeto quanto o que pode beneficiar o VLT podem, cumulativamente, produzir nas finanças da cidade, além do papel que o prefeito, seu gestor, precisa jogar no processo, era de se esperar que Rui procurasse para uma conversa, primeiro, ACM Neto.

Ainda que esteja em seus planos consultá-lo mais adiante ou mesmo que setores do governo e da Prefeitura possam estar já em franco entendimento para produzir algo que atenda a seu desejo, não parece razoável que dirija-se, primeiro à Câmara, que não tem poder de iniciativa neste caso.

Além de parecer uma desconsideração ao papel institucional do representante legal máximo da cidade, a iniciativa do governador pode indicar que ele coloca as divergências políticas e ideológicas que possui com o democrata acima dos interesses de Salvador, o que pode, naturalmente, atrapalhar seus planos para o VLT.

Sem contar que os vereadores da base do prefeito já se municiam para esperá-lo na Praça Municipal, alguns com pacotes de pedidos que vão da isenção do ICMS sobre o diesel até a devolução de parte dos recursos que o sistema de integração ônibus-metrô tirou das empresas de ônibus que podem transformar sua passagem pela Câmara num “tiro no pé”.

A visita tem ainda caráter mais inédito dada a maneira com que Rui é acusado de sempre ter tratado os vereadores, a começar pela bancada de seu partido, que se queixa de nunca ter sido prestigiada pelo gestor desde o seu primeiro governo.

Não deve ser à toa que entre os líderes do movimento para recepcionar o governador com exigências que certamente não andavam no seu horizonte se encontra Henrique Carballal, vereador de formação esquerdista que integrou a bancada petista na Câmara até a chegada de Rui ao governo.

Carballal é um dos políticos que nunca escondeu desaprovar a pouca importância dada pelo governador aos correligionários de Salvador, o que pode ter influído na sua opção, como de outros petistas, de deixar o partido para se aliar a ACM Neto na cidade no auge da força petista na Bahia.