19 de outubro de 2017, 12:05

EXCLUSIVA Estado mínimo neles!, por Raul Monteiro

Há pelo menos um ponto muito positivo neste conturbado momento político e moral porque o país passa: o início, em vários setores, e o crescimento, em outros, de uma discussão sobre o tamanho do Estado brasileiro, um debate interditado há anos no Brasil por uma mentalidade esquerdista e estatista arcaica cuja inadequação ao desenvolvimento e evolução do país tem sido cabalmente demonstrada pelo nível de corrupção em que políticos e empresários, utilizando-se de uma máquina inchada por órgãos públicos ineficientes, se envolveram, à custa do suado dinheiro do trabalhador brasileiro.

É graças à mais completa falta de perspectiva de saída da crise sem uma reformulação completa do conceito de Estado a que o país se acostumou que é possível se colocar hoje na mesa um debate, ainda que tímido, sobre a venda de estatais como os bancos do Brasil e Caixa e de um patrimônio exclusivo de políticos e empresários desonestos como se tornou a Petrobras, antes verdadeiros tabus para a sociedade brasileira. Como disse recentemente o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, de saída do PSDB para o partido NOVO, a privatização no Brasil não é uma questão de “liberalismo”.

Pelo contrário, pontuou Franco, ao anunciar a decisão de ingressar numa nova legenda, pelo visto mais antenada com a busca de saídas efetivas para o buraco em que o país submergiu pelo patrimonialismo, o corporativismo e a corrupção históricos, privatizar no Brasil é uma questão de Código Penal. É uma bem bolada frase que sintetiza o que décadas de estatismo, acentuados pela Era petista tão bem representada no segundo governo de Lula e nos anos de mandatos de Dilma Rousseff, produziram nas instituições brasileiras, no fortalecimento do espírito empresarial predatório e estatal-dependente e em todos os Poderes da República.

Não deixa de ser surpreendente assistir na televisão, em horário nobre, à propaganda política de uma nova agremiação, como o Livres, absolutamente centrada na defesa da redução do Estado e do incentivo à economia de mercado no país. Sem dúvida, um fato inédito para o Brasil, onde o máximo a que se chegou até hoje em termos de discussões sobre rumos a serem implementados na economia foi a uma agenda retrógrada, para não dizer absolutamente superada, capitaneada pela falsa dicotomia entre os social-democratas do PSDB e os ex-operários do PT.

Pode até ser realmente que a construção de um Estado mínimo prove, em poucos anos, não ser o melhor caminho para o Brasil, mas é difícil imaginar uma alternativa melhor para um país onde as lideranças políticas, invocando o direito à prática mais deslavada do presidencialismo de coalizão ou de cooptação, habituaram-se a dispor dos órgãos do Estado para toda a sorte de negociatas e maracutaias, como as investigações sobre o mensalão, o petrolão e tantas outras estão a provar, cabalmente. Num país tão marcadamente patrimonialista como o Brasil, o povo, pobre, só tem a continuar perdendo com um estado nacional hipertrofiado.

* Artigo publicado originalmente no jornal Tribuna da Bahia

Raul Monteiro

18 de outubro de 2017, 09:05

EXCLUSIVA Candidatos à sucessão na Câmara têm oportunidade em briga de Neto com Trindade

Foto: Divulgação/Arquivo

Trindade pode se tornar alvo de candidatos à presidência da Câmara Municipal

A inimizade pessoal entre o prefeito ACM Neto (DEM) e o vereador José Trindade (PSL), líder da Oposição na Câmara Municipal, chegou a tal ponto que assessores do gestor passaram a sugerir-lhe que condicione seu apoio ao candidato à sucessão do vereador Léo Prates (DEM) na presidência da Casa que melhor se destacar no combate ao edil, conhecido por suas relações muito próximas com o governador Rui Costa (PT). Este Política Livre contou pelo menos quatro nomes que manifestam interesse na disputa, embora nenhum deles queira admitir publicamente neste momento o desejo de se candidatar.

17 de outubro de 2017, 09:43

EXCLUSIVA Pressão contra retorno de Walter Pinheiro ao governo já é grande

Foto: Emerson Nunes/Arquivo

Pinheiro volta ao Senado para votar pelo afastamento do colega Aécio Neves

A decisão do senador licenciado Walter Pinheiro (sem partido) de pedir exoneração da secretaria estadual de Educação comporta um risco grande para sua relação com o governo. Apesar de ter usado como argumento oficial para deixar a pasta o desejo de votar pelo afastamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG), Pinheiro corre o risco de ter seu retorno à administração boicotado devido a pressão de gente do próprio governo.

“O melhor seria que ele ficasse por lá”, disse agora há pouco ao Política Livre um importante aliado do governador Rui Costa (PT). Segundo a mesma fonte, é preciso reconhecer que Pinheiro não é um secretário relapso, mas está muito longe de vir fazendo um trabalho que provoque admiração. Além disso, desagrada há muito mais gente do quem está fora do governo imagina.

O colaborador do governo acha, entretanto, que o problema de Rui Costa é encontrar um nome que possa substituí-lo. Ele avalia que Pinheiro decidiu voltar ao Senado porque, para seus planos de concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados, no ano que vem, é importante tomar parte em votações importantes, que lhe dêem visibilidade na opinião pública.

Mas adverte também que, na hipótese de Pinheiro se afastar em definitivo da Educação, estará criado, no governo, um problema com o PP, partido do suplente de Pinheiro, Roberto Muniz, um senador com atuação elogiada que terá, no entanto, que deixar o Senado. Antes de assumir a vaga do ex-secretário Muniz dedicava-se à atividade privada. Agora, não se sabe o que lhe aconteceria fora da política.

Leia também:  Pinheiro é exonerado da Educação para votar em afastamento de Aécio

16 de outubro de 2017, 09:21

EXCLUSIVA Coronel viaja nesta quinta e passa presidência da Assembleia a Luis Augusto

Foto: Divulgação/Arquivo

Presidente da Assembleia, deputado Angelo Coronel

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Angelo Coronel (PSD), viaja nesta quinta-feira, cumprindo roteiro que passa, inclusive, por visita à China. Como ele ficará fora até o dia 12 de novembro, embora a viagem tenha caráter particular, Coronel passará o comando do Legislativo baiano ao primeiro-vive, o deputado estadual Luis Augusto, do PP, que presidirá o Poder por 25 dias.

9 de outubro de 2017, 11:18

EXCLUSIVA Dória e sua ambição descem a ladeira, por Raul Monteiro

Foto: Rafael Arbex/Estadão

Prefeito tucano de São Paulo, João Dória

Devem estar frustrados os políticos que, quer no PSDB, no DEM ou mesmo no PMDB, sonharam com a candidatura do prefeito tucano de São Paulo, João Dória, à Presidência da República, representando o “novo”. Pesquisa Datafolha divulgada este final de semana é, senão um balde de água fria na ambição do prefeito, um sinal de que ele vai ter forçosamente que melhorar o manejo da mídia, a partir de onde às vezes parece querer governar a maior cidade brasileira, para tentar retomar algum espaço na dura disputa por uma vaga de candidato à sucessão do presidente Michel Temer (PMDB).

Além da avaliação de Dória em São Paulo ter piorado desde junho – 32% consideram seu governo ótimo ou bom agora, ante 41% há quatro meses -, para 58% dos entrevistados em São Paulo ele não deveria deixar o governo local, enquanto 55% descartam votar no tucano em uma disputa pelo Palácio do Planalto. E, embora o adversário do prefeito no PSDB a seus planos de concorrer à presidência, o governador Geraldo Alckmin, tenha aprovação de 31% entre os paulistanos, praticamente a mesma do prefeito, a diferença é significativa quando se pergunta qual dos dois deve ser o postulante do PSDB ao comando do país.

Para 45%, Alckmin é o cara, ao passo que Dória é citado por 31%. O cenário vai se apresentando ainda mais desfavorável a Dória na medida em que parece esgotar a idéia de que o prefeito de São Paulo era genuinamente o novo, imagem decorrente da exploração do fato de, até a eleição para prefeito, não ter sido político. Curioso é que o tucano atribua a queda de sua avaliação em São Paulo à herança do petista Fernando Haddad, que deixou a cidade mais endividada do que a recebeu do antecessor, Gilberto Kassab (PSD), segundo levantamento do Tribunal de Contas dos Municípios. O fato de ter se abraçado ao presidente Michel Temer (PMDB) não foi levado em conta.

Com efeito, embora a sondagem não revele, deve ter sido este (o “amor” por Temer) o fato que colocou o prefeito em situação mais desvantajosa na disputa pela Presidência em relação ao governador Geraldo Alckmin. Afinal, não se tem conhecimento de que ninguém que tenha se vinculado ao peemedebista, o político mais impopular do país, tenha despontado como alternativa em qualquer pesquisa. Para completar, Dória começa a exibir seu lado, digamos, destemperado, quando ataca o ex-governador tucano Alberto Goldman, usando termos que partidários de ambos consideraram muito duros. Enfim, pelo visto, Dória…

Uma verdadeira dama

A Bahia perdeu no último sábado a ex-primeira-dama do Estado Arlete Magalhães. A TV Bahia, de propriedade da família Magalhães, fez uma reportagem honesta sobre sua figura simples, elegante, discreta e extremamente gentil, que era uma verdadeira unanimidade na sociedade baiana, mesmo entre aqueles que não a conheciam de perto. Entre os diversos depoimentos sobre ela que enriqueceram a matéria, despontou o do empresário ACM Jr., um de seus filhos, que falou sobre seu legado de mãe e mulher de forma, embora emocionada, bastante equilibrada em momento particular tão difícil.

* Artigo publicado originalmente no jornal Tribuna da Bahia

Raul Monteiro

6 de outubro de 2017, 18:29

EXCLUSIVA Fundo Eleitoral era impulso que faltava para Neto ser candidato em 2018

Foto: Divulgação/Arquivo

Prefeito ACM Neto tem agora mais um motivo para decidir ser candidato

Políticos aliados acreditam que a aprovação do polêmico fundo eleitoral para financiar as campanhas de 2018 deu o impulso que faltava para que o prefeito ACM Neto (DEM) assuma definitivamente a candidatura ao governo em 2018. Desde o princípio, Neto condicionava a batida do martelo com relação a ser candidato à definição de regras mais claras com relação ao financiamento eleitoral e à liberdade para montar uma chapa que considere efetivamente competitiva.

Usava como argumento tanto a paranóia que se estabeleceu em relação ao uso de dinheiro nas eleições desde o início da operação Lava Jato quanto a necessidade de se sentir confortável na montagem de um grupo para disputar a sucessão que lhe desse tanto tranquilidade moral quanto eleitoral. O primeiro ponto, com a aprovação do financiamento público, parece definitivamente assegurado, diz um assessor do prefeito que acompanha de perto seus passos e humores.

“Embora isto não tenha vazado nem ganho maiores proporções, esta (a indefinição das regras de financiamento) era a única questão que poderia impedir o prefeito de renunciar à Prefeitura para concorrer ao governo no ano que vem”, afirma a mesma fonte, garantindo ter ouvido mais de uma vez Neto ter afirmado que não havia hipótese de sujar seu nome envolvendo-se numa campanha em que o financiamento empresarial fora tanto proibido quanto criminalizado sem que o Congresso tivesse definido alternativas para os candidatos.

Este teria sido um dos motivos porque a totalidade dos deputados federais ligados ao prefeito resolveu apoiar a criação do Fundo Eleitoral, apesar da polêmica que o precedeu e continua acompanhando, provocando, inclusive, desgaste nos apoiadores da iniciativa. “Consideramos que, de fato, talvez o maior obstáculo para que o prefeito decidisse se tornar candidato a governador foi definitivamente superado com a decisão do Congresso com relação à criação do Fundo”, contou o assessor ao Política Livre.

6 de outubro de 2017, 13:03

EXCLUSIVA João Leão agiliza em Portugal projeto da ponte Salvador-Itaparica

Foto: Antônio Matos

João Leão e Jairo Vaz chegando ao aeroporto Humberto Delgado em Lisboa

Com o objetivo de agilizar o projeto da construção da ponte Salvador-Itaparica, desembarcou, no final da manhã desta sexta-feira (6), em Lisboa, o vice-governador João Leão (PP). Ele vai discutir, com o Governo de Portugal e empresários locais, o funcionamento da ponte ‘Vasco da Gama’, com 17 quilômetros e que liga Lisboa a Alcochete. “Não só o funcionamento, eu quero saber de detalhes da ponte, da parceria público privado que viabilizou a sua construção e da maneira como ela está sendo explorada”, ressaltou Leão, ao lembrar que a ‘Salvador-Itaparica’ terá aproximadamente 13 quilômetros. Acompanhado de Jairo Vaz, titular da Superintendência de Indústria e Comércio (Sudic), Leão permanece em Portugal até a próxima quinta-feira (12). “Durante este período, além de visitar a ponte ‘Vasco da Gama’, irei, juntamente com Jairo, me encontrar com produtores da região do Além Tejo, visando a atraí-los para implantar vinícolas na área do São Francisco. Está também na agenda do vice-governador uma conversa com empresários portugueses, que adquiriram extensas propriedades rurais no município baiano de Barra, para a criação de suínos. “Será uma cadeia produtiva, que se inicia com a criação dos animais, passa pelo abate e termina na instalação de frigoríficos e na venda do produto”, esclareceu.

Antônio Matos, enviado especial do 'Política Livre' a Portugal

6 de outubro de 2017, 08:31

EXCLUSIVA STF e PT, os verdadeiros responsáveis pelo polêmico e bilionário Fundo Eleitoral

Foto: Reprodução/Arquivo

Plenário da Câmara dos Deputados numa das inúmeras votações

A crítica à criação do bilionário Fundo Eleitoral para financiamento de campanhas de nossa ilustre classe política esquece que a iniciativa é uma resposta direta à proibição do financiamento privado determinada pelo glorioso Supremo Tribunal Federal (STF), depois de campanha desfechada pelo igualmente glorioso PT. Como diz um deputado federal baiano que votou a favor do Fundo, apesar de todo o desgaste que a decisão pode lhe acarretar, ante a decisão do STF os políticos tinham duas alternativas: fazer uma campanha sem dinheiro algum, portanto, sem chance de se eleger, o que é impensável para qualquer um deles, ou captar o dinheiro ilegalmente e correr o risco de enfrentar a Justiça e a prisão depois. “Não tínhamos alternativa. Além de ter sido proibido, o financiamento privado de campanhas foi integralmente desmoralizado por todas as revelações (de lavagem de dinheiro e esquemas de propina entre políticos e empresários) que a Lava Jato vem fazendo”, conclui. Ao cabo e ao final, a conta vai, como sempre, para a sociedade.

5 de outubro de 2017, 18:27

EXCLUSIVA Aliados de Temer tiram de Rui Costa palanque sobre duplicação de estrada na Bahia

Foto: Divulgação/Arquivo

Ato de assinatura de ordem de serviço para duplicação de Ilhéus Itabuna acontecerá em Brasília sob comando de ministro

Pode ter subido no telhado a idéia do governador Rui Costa (PT) de assinar na próxima segunda-feira, em Ilhéus, junto com um representante do governo federal, a ordem de serviço para a duplicação da rodovia que liga a cidade a Itabuna. Deputados baianos aliados do presidente Michel Temer (PMDB) o convenceram de que, para evitar que Rui capitalize sozinho a ação, o ideal seria fazer com que o ministro dos Transportes, Maurício Quintela, assine a ordem, em Brasília, na mesma hora em que o ato deveria ocorrer na estrada baiana. Se Rui quiser participar do evento, ao lado do presidente Michel Temer, a porta estará aberta, diz ao Política Livre um dos parlamentares que participaram da operação para levar o ato para Brasília. A estrada será construída pelo governo baiano com recursos federais porque há trechos em que a BA se torna BR.

5 de outubro de 2017, 14:05

EXCLUSIVA Apostador da Mega-Sena leva bolada de pouco mais de “um Geddel”

Foto: Reprodução/Arquivo

Novo milionário da Mega tem hoje no banco o que a Polícia Federal diz que Geddel mantinha num apartamento em Salvador

Um homem de sorte da cidade de Itapiranga, em Santa Catarina, foi quem acertou as seis dezenas da Mega-Sena que estava acumulada havia oito sorteios e pagou a bolada de R$ 54.268.048,74 esta semana. E pensar que o bunker estourado numa rua da Graça em Salvador, atribuído a Geddel Vieira Lima, preso na Papuda por este motivo, escondia R$ 51 milhões cash!

5 de outubro de 2017, 11:43

EXCLUSIVA PSDB nacional obriga diretório em SSA, controlado por Imbassahy, a fazer convenção

Foto: Divulgação/Arquivo

Antonio Imbassahy, ministro da Secretaria de Governo de Michel Temer

A direção nacional do PSDB determinou que o diretório municipal da legenda em Salvador realize convenção para renovar seus membros. A decisão foi tomada depois que o diretório municipal, descumprindo decisão da direção estadual, obteve uma liminar que lhe garantia o direito de não realizar convenções zonais e municipal na capital baiana, convalidando a atual formação do colegiado. Por entender que a iniciativa “não preserva a integridade partidária e a democracia interna no partido”, a direção nacional determinou então que as convenções zonais sejam feitas no dia 22 próximo e a municipal, no dia 29, quando os mandatos de seus atuais membros, respectivamente, se extinguem. A direção municipal do partido é controlada pelo deputado federal licenciado Antonio Imbassahy, atual ministro da Secretaria de Governo, e o vereador licenciado Paulo Câmara.

5 de outubro de 2017, 10:10

EXCLUSIVA O triunfo do rouba mas “faz” pelo social, por Raul Monteiro*

Foto: André Dusek/Arquivo/Estadão

Ex-presidente Lula, campeão de intenções de voto e denúncias

A última pesquisa DataFolha que trouxe mais uma vez o ex-presidente Lula (PT) bombando na preferência do eleitorado revelou um paradoxo que ameaçou fundir a cabeça de quem teve acesso aos números. Afinal, apesar de 34% dos entrevistados terem indicado intenção de voto no petista, 54% defenderam abertamente sua prisão com base nas revelações propiciadas pela Lava Jato. Que país esquizofrênico é este em que a maioria defende tanto a eleição quanto a prisão de uma liderança política que se transformou em ícone da mais profunda controvérsia eleitoral de sua história recente?

Foi o que tentaram explicar três dias depois da divulgação da sondagem, por meio de artigo publicado na própria Folha, Mauro Paulino, diretor-geral do instituto, e Alessandro Janoni, seu diretor de pesquisas. Na verdade, não há saída possível para entender o quadro trazido pelo DataFolha, senão pela constatação de que é revelador do nível de tolerância à corrupção a que a sociedade brasileira chegou. Paulino e Janoni chegaram à triste conclusão com base no grau de concordância dos entrevistados com algumas frases utilizadas exclusivamente para mensurá-la.

Segundo eles, da análise conjunta de uma matriz com seis frases, quatro de correlação direta com o tema da corrupção, foi possível perceber que uma taxa elevada de eleitores que condenam a prática cai praticamente pela metade quando ela é associada a determinados fins. No total, apenas 40% dos entrevistados mantêm-se firmes na posição de condenar a corrupção sob qualquer aspecto. 60%, portanto, a maioria, segundo os pesquisadores, a admite, mesmo que em parte, em algum momento, dependendo da finalidade a que o crime é associado.

No eleitorado de menor renda e baixa escolaridade, exatamente aquele que pretende votar em Lula, segundo a pesquisa, esse percentual chega a 77% e também é elevado entre os mais jovens. Outras frases que, de acordo com os pesquisadores, relativizam junto ao eleitorado a criminalização da corrupção são: “A corrupção é até aceitável no país se servir para gerar empregos e fazer a economia crescer” e “Se um governante administra bem um país não importa se ele é corrupto ou não”. Enfim, um horror!

Para eles, a explicação para a tolerância com a corrupção diante de ações sociais está justamente no peso quantitativo do eleitorado mais carente. Afinal, dizem, em um universo onde 47% têm renda familiar mensal de até dois salários mínimos, taxa que cresce para 66% quando se inclui até três salários, a demanda por políticas públicas para a diminuição da desigualdade tem o seu apelo eleitoral. Paulino e Janoni não dizem – nem precisavam – o quanto o PT, Lula e os fiéis seguidores da seita a que se referiu Antonio Palocci, ao defenderem-se contra tantas evidências de malfeitos, têm colaborado decisivamente para difundir a tolerância com a corrupção detectada na pesquisa.

* Artigo publicado originalmente na Tribuna da Bahia.

Raul Monteiro*

4 de outubro de 2017, 15:52

EXCLUSIVA Convicto de que se reelege, Rui já pensa em ganhar também Salvador em 2020

Foto: Mateus Pereira/Gov-Ba/Arquivo

Governador Rui Costa já tem planos para além de 2018

Convencido de que, ainda que sob luta, conseguirá a reeleição em 2018, o governador Rui Costa (PT) já discute, muito reservadamente, e com apenas algumas cabeças coroadas do petismo, um projeto para ganhar também a Prefeitura de Salvador, em 2020.

O projeto é construir uma candidatura, preferencialmente fora do PT, capaz de derrotar o candidato do prefeito, que deve ser, possivelmente, o hoje vice-prefeito Bruno Reis (PMDB). O peemedebista deve assumir a Prefeitura na hipótese, muito provável, de renúncia de Neto para disputar o governo.

Por este motivo, até segunda ordem, concorrerá à reeleição como candidato natural do grupo netista em 2020. “Se, como esperamos, Rui for reeleito em 2018, ninguém tira dele a Prefeitura de Salvador em 2020”, diz um conselheiro conhecido do governador ao Política Livre.

Para ele, Rui amadureceu com a experiência de 2016, em que tomou um balão do PCdoB ao ver o partido lhe impor uma candidatura, da deputada federal Alice Portugal, na qual não acreditava, talvez porque considerasse que era muito difícil impedir a reeleição de Neto.

Como o candidato em 2020 não será mais o atual prefeito, que não deverá entrar na disputa e virtualmente ficará sem mandato no caso de perder a eleição ao governo, Rui, uma vez reeleito, acredita que estará forte o suficiente para trabalhar pela eleição de um aliado em Salvador.

O propósito é tomar do prefeito o que seria seu principal reduto político, dificultando seus passos futuros e seu plano de se tornar governador, um projeto contra o qual o PT pretende lutar com todas as suas forças, segundo a mesma fonte ligada a Rui Costa.

4 de outubro de 2017, 07:55

EXCLUSIVA Assessores acreditam que, com metrô, Rui vai dividir eleitorado de Neto em SSA

Foto: Paula Fróes/Agecom

Metrô caiu no gosto popular com integração e grupo de Rui aposta no sucesso para catapultá-lo em Salvador

Com o sucesso da integração no sistema de transporte de Salvador, que tem sido responsável pelo aumento do fluxo de passageiros para o metrô, causando, inclusive, engarrafamento de pessoas em estações como a de Mussurunga, assessores do governador Rui Costa (PT) estão convencidos de que ele conseguirá abrir um espaço significativo no eleitorado do prefeito ACM Neto (DEM) na capital, onde o democrata lidera hoje com folga as sondagens de opinião. O sucesso da empreitada, dizem, depende, no entanto, de como a comunicação de Rui vai manejar esta que chamam de primeira “janela de oportunidade” para o governador em Salvador.

3 de outubro de 2017, 22:29

EXCLUSIVA PP volta às boas com o governo, mas diz que não aceitará “picuinhas” de Josias

Foto: Reprodução/Arquivo

Josias Gomes virou "persona non grata" para o PP, apesar de "panos quentes" do vice-governador

Não chamem para dividir a mesma mesa o secretário estadual de Relações Institucionais, Josias Gomes, e a turma do PP. Apesar de o vice-governador, João Leão, líder maior do partido na Bahia, ter almoçado com o governador Rui Costa (PT) e posto fim à guerra que já estava se estabelecendo entre a legenda e o governo na Assembleia, os representantes da agremiação prometem voltar à carga, caso identifiquem novos lances do que chamam de “picuinha” do secretário de Relações Institucionais com o PP.