20 de julho de 2019, 10:20

ECONOMIA Para analistas, alto endividamento vai limitar efeitos de saques do FGTS

Foto: Amanda Perobelli/Estadão

Liberação dos saques do FGTS pode impulsionar crescimento em até 0,4 ponto porcentual.

De modo geral, os analistas do mercado financeiro acham positiva a liberação do saque de contas ativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), que deve ser anunciada pelo governo na próxima semana. No entanto, eles fazem a ressalva de que o alto nível de endividamento das famílias deve limitar os efeitos positivos para o varejo. E as construtoras não devem ser prejudicadas. Para Mario Roberto Mariante, analista da Planner Corretora, é preciso esperar os detalhes sobre como serão as regras para os saques. Mas ele lembra o grande número de pessoas endividadas no País. “Com isso, pode-se imaginar que parte dos recursos liberados irão para o pagamento de dívidas atrasadas. Também teremos uma parte direcionada ao consumo, e outra para alguma poupança”. Na opinião de Pedro Galdi, da Mirae Asset, muitas famílias devem “arrumar a casa” com os recursos. Ele diz ainda que mesmo a parte direcionada ao consumo terá efeito temporário na economia. Em relação às construtoras, ele ressalta que o governo mudou o discurso após as reclamações dos empresários. “Vamos ver o que eles irão oferecer para o sistema habitacional como troca, já que o interesse do governo é colocar dinheiro na economia para um pré-aquecimento, enquanto as reformas não se finalizam ou impactam a economia”, completa Galdi. Alvaro Bandeira, economista-chefe do Modalmais, chama o plano de “movimento meramente episódico”. Para ele, os saques das contas ativas terão efeito limitado na recuperação da economia. “É claro que o setor varejista será beneficiado, mas os resultados não devem se alterar muito. O mesmo acontece com o setor de construção, que já vinha melhorando com desova de imóveis e maior volume de lançamentos. A garantia do Minha Casa Minha Vida deixou os construtores mais tranquilos”, afirma. Ricardo Peretti, estrategista de Pessoa Física da Santander Corretora, tem uma visão mais otimista sobre a iniciativa do governo. Ele lembra que a liberação de saques de contas inativas do FGTS, no segundo semestre de 2017, teve impactos importantes no varejo. “Embora as regras ainda não estejam definidas, acreditamos que a iniciativa terá um efeito prático positivo para as vendas das varejistas, tanto de vestuário quanto de itens mais discricionários. Indiretamente, as operadoras de shoppings, como Iguatemi e Multiplan, também podem se beneficiar do aumento do tráfego de consumidores em suas lojas”, explica Peretti. Para Sandra Peres, analista da Coinvalores, há um risco para o financiamento de imóveis voltados para a população de baixa renda. “Por outro lado, o setor de varejo tende a ter melhor performance de vendas, dada a maior propensão ao consumo com o resgate destes recursos”, opina a analista. Em relação às carteiras recomendadas para a próxima semana, a Guide Investimentos fez uma alteração, com a saída de Duratex ON e a inclusão de Bradesco PN. A Mirae também inseriu Bradesco PN em sua lista, e fez mais duas mudanças, com as entradas de Fleury ON e Usiminas PNA. A MyCap também fez três alterações, com as inserções de Usiminas PNA, IRB Brasil Re ON e Taesa Unit. A Modalmais colocou CSN ON e Copasa ON em sua carteira. A Planner também fez duas mudanças, com as entradas de Neoenergia ON e Sanepar Unit.

Estadão Conteúdo

20 de julho de 2019, 07:20

ECONOMIA Reforma da Previdência leva risco país ao menor nível em 5 anos

Foto: Gabriela Biló/Estadão

Reforma da Previdência foi aprovada em primeiro turno na Câmara dos Deputados

Com a aprovação da reforma da Previdência em primeiro turno na Câmara dos Deputados e a previsão de que o texto passe em segundo turno sem dificuldades, a percepção de risco do investidor internacional sobre o Brasil caiu para o menor patamar em quase cinco anos. O Credit Default Swap (CDS) de cinco anos, espécie de termômetro do risco país, era negociado na sexta-feira, 19, em 128 pontos, patamar que não era registrado desde setembro de 2014 – quando o Brasil era classificado como grau de investimento pelas agências de rating. Além do avanço na reforma previdenciária, contribuiu para a redução do risco país o cenário de um mercado internacional mais calmo, com a perspectiva de queda do juro nos Estados Unidos e na Europa. A avaliação do mercado é que o risco de uma crise fiscal diminuiu, ao mesmo tempo em que reduziu a chance de haver uma fuga de recursos para os EUA – o que seria provável caso o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) elevasse os juros, como considerava fazer no início do ano. “O cenário para os emergentes é melhor agora. O dólar não vai se apreciar tanto, o que ajuda esses países. E, uma vez aprovada a reforma, abre um caminho para outras coisas (reformas) andarem. Podemos começar um círculo virtuoso”, disse o chefe de economia e estratégia do Bank of America Merrill Lynch no Brasil, David Beker. Para o economista Leonardo Porto, do Citi, a aprovação da reforma da Previdência num momento de virada no ambiente externo pode colocar o Brasil numa posição privilegiada. Com a provável queda do juro americano, a liquidez mundial deve aumentar e os investidores terão de buscar alternativas. “Esse é o melhor dos mundos para os emergentes, especialmente para o Brasil”, diz Porto. Ele salienta que a reforma é importante para ancorar as expectativas das contas públicas, uma condição necessária para o crescimento. “Mas não é uma panaceia”, destaca. Para convencer os investidores estrangeiros, o Brasil ainda precisa dar sinais de que outras agendas serão implementadas. O economista-chefe do Goldman Sachs para a América Latina, Alberto Ramos, ressalta, porém, que a aprovação da reforma em primeiro turno, com um número maior de votos do que o previsto, não garante que outros textos passarão com facilidade. “Foi feito um trabalho (de articulação política) pela Previdência. A base para outras reformas não está tão clara”, diz. Na lista de melhorias necessárias estão medidas para facilitar o ambiente de negócios, reduzir a burocracia e aumentar a produtividade. Tem ainda a reforma tributária, diz o economista-chefe do Itaú, Mario Mesquita. Na avaliação dele, se o País conseguir dar andamento a essas mudanças, terá vantagem em relação aos demais emergentes. “Além da agenda de reformas do Brasil ser bem vista pelos estrangeiros, os desafios dos outros emergentes são mais intensos. Portanto, o País pode ser beneficiado”. A queda do CDS do Brasil tem sido uma das mais rápidas entre os emergentes. Em maio, o CDS brasileiro chegou a encostar em 200 pontos, em meio a ruídos entre o Planalto e o Congresso e ao estresse no mercado internacional com a tensão entre China e EUA. Há um ano, as taxas superaram 300 pontos. Quando a Previdência começou a avançar no Congresso, em junho, as taxas passaram a cair rapidamente. O Brasil hoje tem CDS perto do México (115 pontos), país classificado como grau de investimento. Mas a taxa brasileira ainda está alta em relação a outras economias, como o Chile (36 pontos) e Colômbia (84 pontos). A exceção é a Argentina, que em meio à crise econômica e tensão eleitoral, tem taxa perto de 900 pontos. Com o atual nível do risco país, os investidores atribuem probabilidade implícita de calote do Brasil de 2,1% nos próximos cinco anos. Na Argentina, essa chance é de 15%. Um ex-diretor do Banco Central ressalta que o mercado já estava considerando o Brasil com nota um nível acima na classificação das agências de risco quando o CDS estava na casa dos 180 pontos. Esse movimento se acentuou agora e o país é precificado em “BBB”, ou seja, três níveis acima da nota atual. Na avaliação do economista para América Latina em Nova York da consultoria norte-americana Continuum Economics, Pedro Tuesta, a principal razão por trás da queda do risco país é o avanço da Previdência e a expectativa de que a aprovação vai reduzir os juros, melhorando a nota da dívida do Brasil. Mas a retomada da classificação grau de investimento pode demorar mais tempo. Ele espera o retorno para o seleto grupo de bons pagadores em pelo menos daqui a dois anos. Pesquisa do Bank of America Merrill Lynch feita este mês com investidores internacionais mostra otimismo com o Brasil: 85% acreditam que o País vai reconquistar o selo de grau de investimento, com metade esperando que isso ocorra até 2021, 20% até 2022 e o restante “até 2023 ou além”. Apenas 5% não veem o Brasil voltando a ter essa classificação.

Estadão Conteúdo

19 de julho de 2019, 20:45

ECONOMIA Com piora no cenário externo, Bolsa fecha a semana em queda

Foto: Gabriela Biló/ Estadão

Ibovespa não conseguiu fechar a semana acima dos 104 mil pontos

A Bolsa brasileira aprofundou as perdas na tarde desta sexta-feira. Assim, o Ibovespa não conseguiu fechar a semana acima dos 104 mil pontos. Com a piora nos resultados nas Bolsas dos Estados Unidos, o índice encerrou o dia aos 103.451,93 pontos, em queda de 1,21%, tendo como destaque negativo ações do setor financeiro. Na semana, a Bolsa acumulou perda de 0,44%. O dólar esteve todo o tempo alinhado ao exterior, fechando aos R$ 3,7458, com alta de 0,45% – na semana, a moeda americana teve valorização de 0,20% ante o real. No mês, o dólar recua 2,46% e o real é uma das divisas que mais se valorizam ante a moeda americana. Estrategistas ainda veem potencial de valorização do real pela frente, sobretudo quando o Congresso voltar do recesso e a reforma da Previdência avançar como o esperado. Na Bolsa de São Paulo a queda foi generalizada entre as blue chips, as ações mais comercializadas, mas se destacou entre as do setor financeiro – grupo de maior peso na composição do Ibovespa -, onde as perdas superaram 2% na maioria dos papéis. Os principais recuos foram de Santander Unit (2,59%) e Bradesco PN (2,26%). Esse movimento foi reflexo da delação premiada em que o ex-ministro Antonio Palocci teria dito que alguns dos principais bancos do País fizeram doações eleitorais que somam R$ 50 milhões a campanhas do PT em troca de favorecimento nos governos de Lula e Dilma Rousseff. Mesmo com a queda desta sexta, o Ibovespa acumula alta de 2,46% em julho. No ano, o ganho chega a 17,71%. No exterior, os negócios foram pautados pelos ajustes nas expectativas sobre a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) no fim deste mês. A aposta numa redução menor do juro, de 0,25 ponto porcentual, começou a ganhar espaço depois que o Fed de Nova York “corrigiu” a leitura feita do discurso do presidente da distrital John Williams e que havia alimentado apostas numa queda de 0,50 ponto.

Estadão Conteúdo

19 de julho de 2019, 19:15

ECONOMIA FGTS: Trabalhador que escolher novo tipo de saque poderá voltar atrás

Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Caixa

O trabalhador que escolher a opção de sacar uma parcela do FGTS todo ano no mês de aniversário e se arrepender terá o direito de voltar atrás, disse ao Estadão/Broadcast uma fonte da equipe econômica a par do assunto. A ideia é que a nova opção de saque do FGTS permita ao trabalhador resgatar uma parcela (cujo porcentual ainda não foi batido o martelo) em troca de abrir mão do saque de todo o fundo caso seja demitido sem justa causa. Na opção “saque aniversário”, caso seja demitido sem justa causa, o trabalhador receberá só a multa de 40% sobre o total de tudo o que a empresa depositou ao longo do tempo de serviço. O restante dos recursos seria retirado anualmente, na mesma proporção que ainda vai ser definida. Mas, segundo essa fonte, caso o trabalhador se arrependa, ele poderá voltar ao sistema atual. Ou seja, não mais resgatará uma parcela para ter direito a retirar tudo que conseguir acumular a partir de então caso seja demitido sem justa causa. “Vamos ampliar o direito de escolha do trabalhador com o saque aniversário, mas se ele se arrepender, pode voltar. Nosso lema é: nenhum direito a menos”, disse a fonte. Hoje, o saque quando o trabalhador é demitido sem justa causa é a modalidade de onde saem mais recursos do FGTS. Em 2017, R$ 77,4 bilhões foram sacados dessa forma, ou 65,3% do total de R$ 118,6 bilhões sacados. A liberação das contas do FGTS foi revelada pelo Estadão/Brodcast na quarta-feira. A reportagem adiantou que os limites que estão sendo estudados pelo governo variam entre 10% (para quem tem mais de R$ 50 mil no fundo) a 35% (para quem tem até R$ 5 mil). A ideia era fazer o anúncio na quinta-feira, durante a cerimônia dos 200 dias do governo Bolsonaro, mas a publicação pelo Estadão/Broadcast da medida fez com que houvesse forte pressão do setor da construção, que teme que a liberação retire dinheiro do FGTS para financiamentos a juros mais baixos, principalmente para a casa própria. O anúncio ficou marcado para a próxima quarta-feira, segundo o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. A fonte assegura que “nenhum centavo” será retirado do dinheiro destinado aos financiamentos imobiliários porque o governo está calibrando para que não haja um aumento dos saques na comparação com o que é feito hoje. Isso porque, como também antecipou o Estadão/Broadcast, quem retirar a parcela do FGTS agora vai ter que abrir mão da possibilidade de retirar todos os recursos do fundo se for demitido sem justa causa. Ou seja, pelas contas do governo, os desembolsos do fundo vão continuar no mesmo patamar porque uma opção vai excluir a outra. Especificamente para este ano, a equipe econômica estuda uma regra de transição para limitar em porcentual ou em valores os saques. Uma das opções é que o máximo permitido seja de 35% ou R$ 3 mil. Há quem defenda até mesmo um tratamento diferente: para os que fizeram aniversário, o limite seria R$ 3 mil; para os que ainda vão fazer, o porcentual que ainda será definido. Apesar das críticas do presidente Jair Bolsonaro à multa de 40% paga pelos empregadores nas demissões sem justa causa, a equipe econômica não vê espaço para modificar a regra. “Essa multa de 40% foi quando o (Francisco) Dornelles era ministro do FHC. Ele aumentou a multa para evitar a demissão. O que aconteceu depois disso? O pessoal não emprega mais por causa da multa. Estamos em uma situação, eu, nós temos que falar a verdade. É quase impossível ser patrão no Brasil”, disse o presidente. Antes, ao ser questionado se a multa iria cair, o presidente respondeu: “Está sendo estudado, desconheço qualquer trabalho nesse sentido (sic)”. Segundo a fonte, neste momento não se discute mudanças nas regras da multa de 40%, embora a equipe econômica já tenha proposto, em outro momento, alterações. Ou seja, os trabalhadores vão continuar a ter direito à multa mesmo se optar por retirar uma parcela do fundo todo ano no mês de aniversário. A multa é sempre calculada sobre todo o valor depositado pela empresa durante o período do serviço.

Estadão Conteúdo

18 de julho de 2019, 20:40

ECONOMIA Distribuidoras poderão vender gás de cozinha diretamente ao consumidor

Foto: Agilberto Lima/Estadão

Botijão de gás de cozinha será vendido diretamente ao consumidor

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou nesta quinta-feira, 18, em reunião de diretoria, a revogação de resoluções editadas pelo governo em 2016 e que proibiam a venda direta de botijões de GLP (gás de cozinha) por distribuidores de combustíveis. “É o fim da obrigatoriedade que o botijão de gás de cozinha de 13 kg tenha que passar pelo revendedor de GLP antes de chegar ao consumidor. Assim estamos eliminando uma restrição regulatória que nunca se confirmou na prática”, disse o diretor-geral da ANP, Décio Oddone. “A questão do GLP é crucial, hoje ele é vendido R$ 70 em média, mas tem lugares que são R$ 100. O valor do produto corresponde a cerca de R$ 26, os tributos são R$ 12 e o resto são as margens de distribuição e revenda”, explicou o diretor-geral da ANP. Para permitir a venda direta, foram revogados os artigos 36 da resolução 49/2016 e 27, da 51/2016, que proibiam os distribuidores de GLP de participar diretamente da atividade de revenda. “Nós estamos trabalhando no sentido de aumentar a competitividade, que tem como pano de fundo melhorar o preço pro consumidor”, disse o diretor Dirceu Amorelli. Ele disse ainda que a decisão é importante por se tratar do primeiro passo na direção de uma regulação menos restritiva no setor.

Estadão Conteúdo

18 de julho de 2019, 17:00

ECONOMIA Sem tempo para se preparar, Caixa contribuiu para adiar liberação do FGTS

Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Caixa

Além do impasse sobre a parcela que poderá ser retirada das contas do FGTS, a Caixa também foi responsável pelo adiamento da liberação dos recursos do fundo. O Estadão/Broadcast apurou que representantes do banco estatal reclamaram que estava muito em cima da hora para colocar de pé um plano de atendimento aos trabalhadores para o saque do FGTS. Em 2017, para que 25,9 milhões de trabalhadores retirassem R$ 44 bilhões das contas inativas (de contratos anteriores) do FGTS, a Caixa preparou um esquema de atendimento que previu a abertura das agências mais cedo e nos fins de semana no período, que foi de 10 de março a 31 de julho. Apesar de incluir os saques do FGTS e do PIS/Pasep na solenidade de 200 dias de governo Bolsonaro, o anúncio da medida em detalhes será na semana que vem, informou na tarde desta quinta-feira, 18, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Como o Estadão/Broadcast revelou, a ideia defendida no Ministério da Economia é permitir que os trabalhadores saquem entre 10% e 35% dos recursos das contas ativas do FGTS dependendo do tamanho do saldo que possuem no fundo. A equipe econômica também defende que a mesma proporção seja aplicada às contas inativas (de contratos de trabalhos anteriores). Outra medida em estudado, também revelada pelo Estadão/Broadcast, é limitar os saques para os demitidos sem justa causa. Hoje, é possível resgatar tudo o que tem no fundo nessa situação. A equipe econômica defende colocar um limite e, para compensar, permitir que, todo ano, seja possível sacar uma parcela no mês de aniversário. As propostas foram entregues ao presidente Jair Bolsonaro ontem à noite. Ele seria o responsável por bater o martelo.

Estadão Conteúdo

18 de julho de 2019, 15:15

ECONOMIA Governo diz que economia com reforma será de R$ 933,5 bilhões em 10 anos

Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

O secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho

O secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, afirmou nesta quinta-feira, 18, que a economia esperada agora com a reforma da Previdência é de um total de R$ 914,3 bilhões em dez anos. Com adição do CSLL, há acréscimo de R$ 19,2 bilhões. Com isso, o total geral da reforma da Previdência nesse período chega a R$ 933,5 bilhões. “Sem entrar na questão do direito adquirido, essa reforma tem o maior impacto paramétrico no mundo”, disse. “Estamos apresentando ao País a maior e mais abrangente reestruturação previdenciária”, afirmou. “Não tenho dúvidas de que a votação do primeiro turno impactou todos nós, País amadureceu o tema”. A previsão é baseada no texto que foi aprovado em primeiro turno pela Câmara dos Deputados, no último dia 12 de julho. No final, foram aprovadas mudanças que suavizaram as regras para homens, mulheres, professores e policiais. Na semana passada, mesmo com as mudanças, Marinho tinha afirmado que a economia com a reforma nas regras de aposentadoria e pensão ficaria em torno de R$ 900 bilhões em dez anos. No entanto, a equipe econômica refez as contas e divulgou nesta quinta nova previsão. O texto aprovado no primeiro turno propõe que os homens só poderão se aposentar aos 65 anos e as mulheres, aos 62 anos, com um tempo mínimo de contribuição de 15 anos (homens e mulheres). A modalidade da aposentadoria por tempo de contribuição – que exige tempo mínimo de 35 anos (homens) e 30 anos (mulheres) vai acabar, caso a reforma seja aprovada da forma como está. Os novos critérios valerão para quem ainda não começou a trabalhar. Quem já está trabalhando e contribuindo para o INSS ou o setor público terá regras de transição. A reforma pode sofrer novas alterações ainda. O segundo turno da proposta deve ser votado na segunda semana de agosto. Nesta fase, deputados podem retirar trechos da proposta. Depois, o projeto seguirá para o Senado. No texto original submetido pela equipe de Guedes, a economia prevista com a reforma da Previdência era de R$ 1,1 trilhão, em dez anos. Na última semana, Marinho estimou que, após os destaques feitos na Câmara dos Deputados, a medida ainda deveria gerar uma economia de R$ 900 bi ao longo de uma década. As mudanças feitas na reforma no plenário da Câmara dos Deputados tiveram um impacto de R$ 43 bilhões na economia esperada com a medida, afirmou o secretário da Previdência, Leandro Rolim. Segundo Rolim, não é possível separar o impacto de cada um dos destaques que foram aprovados. “Não temos impacto individualizado de medidas, porque uma tem reflexo na outra. Elas têm efeito cruzado. Não há como quantificar isoladamente cada uma”, disse. Ele afirmou, no entanto, que o impacto mais forte é a mudança da regra de cálculo das mulheres, porque afeta um número maior de pessoas. A bancada feminina negociou para que a regra dos dois pontos fosse aplicada a partir dos 15 anos de contribuição para as mulheres, já que, para elas, a reforma prevê que o tempo mínimo de contribuição é de 15 anos, e não 20. Em relação ao destaque aprovado no plenário que trouxe alteração para a aposentadoria dos homens, do PSB, que reduziu o tempo mínimo de contribuição exigido para homens do regime geral para 15 anos. Segundo Rolim, essa mudança vale apenas para os homens que já estão no mercado de trabalho, sendo que os que ainda vão ingressar terão de contribuir por 20 anos no mínimo. Rolim afirmou que mudanças na Previdência devem colaborar com a melhor redistribuição de renda no País. Segundo ele, o impacto per capita para o regime próprio é de R$ 114, 1 mil, enquanto para o geral é de R$ 9,2 mil. O impacto per capita no tempo de contribuição é de R$ 25,9 mil e por idade é de R$ 4,3 mil. “Isso reforça o impacto redistributivo de renda”, disse.

Estadão Conteúdo

18 de julho de 2019, 07:07

ECONOMIA Liberação do FGTS pode dar fôlego à economia e elevar PIB para até 1,1%

Foto: Amanda Perobelli / Estadão

Expectativa da equipe econômica é que saques reforcem o crescimento da economia em 0,3 ponto porcentual, para o mesmo nível registrado nos dois últimos anos do governo Temer

A liberação de parcela das contas ativas (dos contratos atuais) do FGTS para os trabalhadores deve dar impulso à economia e pode garantir ao presidente Jair Bolsonaro um crescimento do Produto Interno Bruto acima de 1% no primeiro ano do governo. A expectativa da equipe econômica é que os saques reforcem o PIB em 0,3 ponto porcentual, o que elevaria a projeção para 1,1% – mesmo nível registrado nos dois anos anteriores do governo Michel Temer. Segundo modelos preparados para a liberação dos saques, o impulso ao crescimento pode ficar entre 0,2 e 0,4 ponto porcentual. Hoje, o governo trabalha com estimativa de crescimento de 0,81%. Com a revelação na quarta-feira pelo Estadão/Broadcast dos detalhes do projeto, o ministro da Economia, Paulo Guedes, determinou à sua equipe que acelerasse a proposta para ser apresentada na noite de quarta ao presidente Bolsonaro. A medida deverá ser anunciada nesta quinta-feira e valerá para contas ativas e inativas (de contratos de trabalho anteriores). Segundo fontes, Guedes, que passou a quarta-feira na Argentina, exigiu da equipe da Secretaria de Política Econômica (SPE), que elabora o programa, manter intocados os recursos do FGTS para a habitação. Com isso, o valor da liberação vai cair de R$ 42 bilhões para R$ 30 bilhões. O Estadão/Broadcast revelou que o Ministério da Economia deve permitir que os trabalhadores saquem entre 10% e 35% dos recursos das contas ativas do FGTS dependendo do saldo que possuem no fundo. Para o economista da LCA Consultores Vitor Vidal, o impacto da liberação das contas ativas do FGTS sobre o consumo e, consequentemente, sobre o PIB pode ser maior agora do que na liberação das contas inativas promovida pelo governo de Michel Temer em 2017. Isso porque a inadimplência das famílias hoje é menor. Em 2017, fizeram o saque de cerca de R$ 44 bilhões de contas inativas 25,9 milhões de trabalhadores. Vidal cita que uma pesquisa do Ibre/FGV na época mostrou que 40% desses recursos foram destinados ao pagamento de dívidas. A economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) Marianne Hanson também estima que o impacto sobre a economia pode ser maior dada a melhoria nas expectativas para a atividade no segundo semestre, com o andamento da reforma da Previdência. A CNC, em 2017, calculou que um quarto dos recursos foi destinado ao consumo, o que levou a um aumento de 1,4% no varejo entre março e julho, meses em que os valores foram sacados. Marianne acredita que setores mais ligados à renda podem ser mais beneficiados, como o de supermercados.

Estadão

17 de julho de 2019, 19:45

ECONOMIA Governo estuda limitar ou até impedir saque do FGTS para trabalhador demitido

Foto: Amanda Perobelli/Estadão

Até a caderneta de poupança rende mais que o FGTS

Além da liberação de parte do saldo de contas ativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o governo estuda limitar o saque da totalidade para trabalhadores demitidos sem justa causa. Atualmente, quem é demitido sem justa causa pode retirar toda a verba que tem no fundo, com rendimentos, além de uma multa de 40% sobre esse valor. Segundo as fontes, que pediram anonimato, limitar ou até mesmo impedir o saque nessa condição é uma ideia que está sendo discutida. Por outro lado, o governo passaria a permitir que todo ano seja possível resgatar uma parcela do fundo no mês de aniversário do trabalhador. O setor da construção civil é o mais crítico à medida, porque os recursos do FGTS são usados para financiar programas de habitação, como o Minha Casa Minha Vida, além de saneamento e infraestrutura, com juros menores do que as taxas de mercado. A medida também acabaria, segundo fontes, com os acordos “fakes” entre empresas e trabalhadores de demissão sem justa causa apenas para permitir ao empregado sacar o FGTS. A reforma trabalhista do ex-presidente Michel Temer, sancionada em 2017, criou a possibilidade de rescisão por acordo entre o trabalhador e a empresa. Nesse caso, ele tem direito de sacar 80% do saldo do FGTS e a multa do empregador é de 20% sobre esse valor. O FGTS foi instituído em 1966 e hoje está previsto como um direito dos trabalhadores na Constituição. O fundo foi criado como alternativa à chamada estabilidade decenal, que previa que o empregado com mais de 10 anos de serviço na mesma empresa não poderia ser despedido se não fosse por “falta grave ou circunstância de força maior, devidamente comprovadas”. A ideia era compensar a mudança nas regras que acabaram com essa estabilidade com uma proteção financeira ao trabalhador. Com a criação do FGTS, as empresas passaram a pagar, mensalmente, o equivalente a 8% do valor do salário do trabalhador para a conta dele no fundo. Hoje, as situações mais conhecidas de saque são aposentadoria e demissão sem justa causa. A retirada também é permitida, por exemplo, na compra de imóvel e quando o trabalhador fica afastado do regime do FGTS por três anos.

Estadão Conteúdo

17 de julho de 2019, 18:45

ECONOMIA Liberação do FGTS pode dar fôlego ao mercado e jogar PIB para perto de 1%

Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Liberação dos saques das contas ativas do FGTS pode conter a sangria do atual ciclo de estagnação da economia

A liberação dos saques das contas ativas do FGTS poderia conter a sangria do atual ciclo de estagnação da economia. Na opinião dos especialistas consultados pelo Estado, a medida pode trazer novo fôlego ao mercado no curto prazo e, para este ano, empurrar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para perto de 1%. Nas últimas semanas, o mercado vem renovando para baixo as projeções para o PIB, hoje em 0,81%. Matéria antecipada pelo Estado revela que o Ministério da Economia deve permitir que os trabalhadores saquem até 35% dos recursos de suas contas ativas (dos contratos de trabalho atuais) do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A expectativa do governo é que a medida injete até R$ 42 bilhões na economia. Segundo as contas do economista do Itaú-Unibanco Luka Barbosa, a liberação dos recursos FGTS pode adicionar 0,1% ao PIB de 2019 e 0,2% no PIB do ano que vem. “As contas ainda são preliminares, porque não sabemos exatamente como será essa liberação dos recursos. Mas se for algo em torno de R$ 42 bilhões, como está sendo noticiado, acreditamos que vai levar o PIB para perto de 1% neste ano. A gente estava trabalhando com 0,8% e, agora, esperamos algo em torno de 0,9% neste ano”, afirma. Para o economista-sênior da XP Investimentos, Marcos Ross, esse dinheiro deve melhorar o consumo no curto prazo, além de motivar uma retomada do mercado de crédito, que anda estagnado devido ao alto endividamento das famílias. Segundo dados do Serasa de abril, 63 milhões de pessoas estão com dívidas em atrasadas ou com o nome sujo. “Eu vejo como uma medida positiva e não existe outra coisa que o governo pode fazer neste momento. A economia está parada”, diz Ross. “Na falta de um vetor de crescimento, o governo pode ir acionando alguns gatilhos para melhorar a situação. É uma medida similar ao que se fez lá atrás, durante o governo de Michel Temer. Naquela ocasião, a medida reduziu a alavancagem das famílias, melhorou o consumo e abriu o crédito, já que elas passaram a tomar empréstimos novos”, afirma o especialista da XP. Para o economista Roberto Luis Troster, a troca de uma poupança com baixa rentabilidade, como é hoje o FGTS, é uma boa notícia para as famílias. “O impacto no consumo deve ser importante”, diz. No entanto, ele afirma que sem atacar questões como a alta taxa de crédito para o consumidor, o resultado da liberação dos recursos do FGTS tende a se perder no curto prazo. “Com os juros do cheque especial a 300% não tem jeito. As pessoas voltam a se endividar e o consumo cai rapidamente”, destaca. Troster faz ressalvas sobre os riscos no médio e longo prazos representados pelo desmonte do FGTS, tido como uma reserva para o trabalhador usada para aposentadoria, um seguro no caso de demissão sem justa causa ou poupança para compra de imóvel próprio. “A gente está possivelmente adquirindo um problema no futuro para resolver um problema de curto prazo”, diz. “Mas quem retirar esse dinheiro e aplicar em outra poupança, tende a se beneficiar”, afirma. As empresas brasileiras são obrigadas a recolher o FGTS dos salários de todos os trabalhadores em regime CLT. O fundo é composto por 8% do salário mensal, e a rentabilidade é de 3% ao ano somada à TR, que está zerada desde 2017. Segundo a economista Paula Sauer, da ESPM, o FGTS é o pior investimento dentre as opções do mercado, perdendo até para a inflação. Leia mais no Estadão.

Estadão Conteúdo

17 de julho de 2019, 09:21

ECONOMIA Mercosul vai discutir revisão de tarifas de importação

Na abertura da 54ª Cúpula do Mercosul, a primeira depois de ter sido fechado o acordo entre o bloco e a União Europeia, o chanceler argentino, Jorge Faurie, disse que um dos temas a serem abordados será a revisão das tarifas de importação “para que nossas economias ganhem produtividade e competitividade no cenário internacional”. “Será a primeira vez, em 25 anos, que faremos uma revisão integral das alíquotas.” Com relação ao acordo com a União Europeia, os países do bloco discutem um esquema comum para acelerar o processo de implementação do tratado, por meio do mecanismo de cláusula de vigência bilateral. O que significa que, uma vez ratificado pelo Parlamento Europeu, se um dos países sul-americanos aprovar em seu Congresso antes de seus vizinhos, ele já pode começar a implementar o pacto. Essa medida, porém, vale só para questões comerciais. Anunciado no fim de junho após mais de 20 anos de discussões, o acordo entre Mercosul e União Europeia, que envolve 780 milhões de pessoas, prevê redução paulatina das tarifas de importação entra os blocos. O chanceler argentino também anunciou oficialmente o acordo para a eliminação da cobrança de “roaming” internacional entre os países integrantes do bloco (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai). “Será um elemento para facilitar a vida dos cidadãos, que, com cada vez maior frequência, se movem entre nossos países e pedem para estar mais conectados.” Nesta terça-feira (16), participam da reunião os chanceleres. Além do anfitrião, Faurie, estão presentes o brasileiro, Ernesto Araújo, o uruguaio, Rodolfo Nin Novoa, e o paraguaio Luis Alberto Castiglioni. Nesta quarta (17), ocorre a cúpula dos quatro países. A Argentina, atual presidente pro-tempore do bloco, passará o bastão para o Brasil. Faurie disse ainda que os países também pretendem avançar nos acordos já em negociação com Canadá, Coreia, Singapura e Vietnã. O governo argentino vê na reunião também uma oportunidade de fazer propaganda da ligeira melhora dos números da macroeconomia nos últimos dois meses. A inflação baixou de 4,7% ao mês para 2,6%, e o dólar está estável, em 43,60. Também nas últimas semanas, a distância entre a chapa que lidera as pesquisas, a dos kirchneristas Alberto Fernández e Cristina Kirchner, e a do atual presidente, Mauricio Macri, com o peronista Miguel Ángel Pichetto de vice, diminuiu. A cidade de Santa Fé, capital da província, está voltada à propaganda da chapa governista.

Folhapress

16 de julho de 2019, 13:16

ECONOMIA Guedes: primeira meta de Montezano no BNDES é devolver dinheiro para a União

Foto: Estadão

Ministro da Economia, Paulo Guedes

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta terça-feira, 16, durante evento no Palácio do Planalto, que a primeira meta do novo presidente do BNDES, Gustavo Montezano, será “devolver dinheiro para a União”. Pouco antes, Montezano já havia indicado que sua meta é concluir a devolução de recursos de R$ 126 bilhões ao Tesouro ainda este ano. Guedes afirmou ainda que o BNDES vai trabalhar para acelerar o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) e a infraestrutura brasileira. “Montezano passou 6 meses com o Salim (Mattar, secretário especial de Desestatização e Desinvestimento do Ministério da Economia) fazendo programa de privatizações”, pontuou Guedes. “Nós vamos acelerar as privatizações com o Salim Mattar”, acrescentou. O ministro afirmou ainda que outro trabalho do BNDES será atacar o problema do saneamento básico no Brasil. “Há 40 mil crianças que morrem no Brasil por falta de saneamento”, pontuou. “A média de vida do Nordeste é mais baixa por conta de mortalidade infantil, porque falta saneamento”, disse. Conforme Guedes, o BNDES atuará na área de saneamento. Guedes disse ainda, ao tratar da atuação do BNDES na área de crédito, que o dinheiro “tem que ser baixo para todo mundo e não para alguns brasileiros”. Durante sua fala, ele lembrou que, durante anos, o BNDES ofertou juros mais baixos a segmentos específicos da economia, em detrimento do restante da população. “O projeto nosso é desestatizar o mercado de crédito brasileiro” afirmou Guedes. “Há uma série de imperfeições que jogam o juro para a lua. As empresas vivem um flagelo”, avaliou.

Estadão

15 de julho de 2019, 20:55

ECONOMIA Depois de cinco quedas seguidas, dólar volta a fechar em alta

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O dólar voltou a subir nesta segunda-feira, 15, fechando em alta de 0,48%, a R$ 3,7563

Sem a influência da reforma da Previdência, como na semana passada, quando o texto-base foi votado em primeiro turno na Câmara, o mercado financeiro no País sofreu os efeitos do movimento do cenário internacional nesta segunda-feira, 15. O dólar voltou a subir nesta segunda-feira, 15, após cair nos últimos cinco pregões, fechando em alta de 0,48%, a R$ 3,7563. Operadores destacam que o movimento foi um ajuste, sobretudo após o real ser a moeda que mais se valorizou no mercado internacional na semana passada, considerando uma cesta de 35 divisas. Nesta segunda-feira, com a agenda doméstica fraca, o mercado local acompanhou o fortalecimento do dólar no exterior, ante moedas de países desenvolvidos e alguns emergentes. No mercado de ações, a Bolsa fechou em queda de 0,10%, aos 103.802,69 pontos. O volume financeiro foi baixo em relação à média, de R$ 13,2 bilhões. “Na falta de notícias internas, o mercado acompanhou o exterior”, afirma o gerente de tesouraria do Travelex Bank, Felipe Pellegrini. Apesar da alta, ele ressalta que a tendência do dólar ainda é de queda e a moeda pode cair abaixo de R$ 3,70 se houver noticiário positivo, sobretudo sobre a Previdência, como a reinclusão de Estados e municípios no texto. Sem um condutor no plano doméstico, o Ibovespa iniciou a segunda quinzena do mês à deriva. Nesse cenário, houve espaço para os investidores realizarem ganhos e também para mais compras, o que levou o índice à vista, pontualmente, para o nível dos 104,5 mil pontos na máxima do dia. Mas, na maior parte do pregão, o indicador se conteve ao redor da estabilidade. Para Marco Tulli Siqueira, gestor de renda variável da Coinvalores, com o recesso dos parlamentares, que oficialmente tem início dia 18, as oscilações do mercado acionário doméstico vão estar mais ligadas ao movimento dos índices das bolsas no exterior, principalmente em Nova York. Álvaro Bandeira, economista-chefe do banco digital Modalmais, também diz acreditar que o recesso parlamentar pode trazer menor volatilidade aos mercados. “Mas é certo que as pressões sobre a reforma da Previdência vão continuar”, afirmou em relatório. As ações ordinárias da Vale se destacaram em alta na sessão, encerrando com ganhos de 1,70%. Também no terreno positivo, as Units do Santander subiram 0,50%. Já Banco do Brasil ON, Itaú Unibanco PN e Bradesco PN tiveram queda de 0,60%, 0,27% e 0,42%, respectivamente.

Estadão Conteúdo

15 de julho de 2019, 08:59

ECONOMIA Mercado reduz estimativa de crescimento da economia para 0,81%, diz BC

A estimativa do mercado financeiro para o crescimento da economia este ano continua em queda. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central (BC) com instituições financeiras, a projeção para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todos os bens e serviços produzidos no país – desta vez foi reduzida de 0,82% para 0,81%. Essa foi a 20ª redução consecutiva. Para 2020, a expectativa é que a economia tenha crescimento maior, de 2,10%, na semana passada, a estimativa era de 2,20%. A previsão para 2021 e 2022 permanece em 2,50%. A estimativa de inflação, calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), subiu de 3,80% para 3,82% este ano. A meta de inflação de 2019, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é 4,25%, com intervalo de tolerância entre 2,75% e 5,75%. A projeção do mercado financeiro para a inflação em 2020 é 3,90%. A meta para o próximo ano é 4%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Agência Brasil

14 de julho de 2019, 11:33

ECONOMIA Petrobrás, Caixa e BB garantem resultado no 1.º semestre

O programa de desestatização do governo pode estar em marcha lenta, por conta da decisão de concentrar as forças até agora na reforma da Previdência e da resistência de vários ministros em relação à privatização de empresas ligadas a suas pastas (ler texto acima). Se considerarmos que o programa pode permitir uma arrecadação de cerca de R$ 450 bilhões, de acordo com levantamento do Estado, a meta estabelecida pelo próprio governo para 2019, de obter uma receita de US$ 20 bilhões (R$ 76 bilhões ao câmbio atual) com a desestatização, é modesta. Ela representa apenas 16,9% do que se pode arrecadar até 2022, quando deveria ser de pelo menos US$ 29 bilhões, o equivalente a 25% do total, para representar 1/4 da receita possível nos quatro anos de governo. Agora, com a meta em vista, quando se observa o que aconteceu nos primeiros seis meses de gestão, constata-se que o ritmo da desestatização não foi tão moroso quanto pode parecer à primeira vista. Segundo o levantamento do Estado, o governo já arrecadou até agora um total de R$ 54 bilhões (US$ 14,1 bilhões, pelo câmbio da data de cada operação), entre concessões (R$ 5,7 bilhões) e privatizações, desinvestimentos, vendas de participações minoritárias e operações de abertura de capital (R$ 48,3 bilhões). Isso significa que o governo cumpriu 71% da meta em metade do tempo. Terá, portanto, todo o segundo semestre para realizar os 29% que faltam

Estadão