18 de julho de 2019, 15:15

ECONOMIA Governo diz que economia com reforma será de R$ 933,5 bilhões em 10 anos

Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

O secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho

O secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, afirmou nesta quinta-feira, 18, que a economia esperada agora com a reforma da Previdência é de um total de R$ 914,3 bilhões em dez anos. Com adição do CSLL, há acréscimo de R$ 19,2 bilhões. Com isso, o total geral da reforma da Previdência nesse período chega a R$ 933,5 bilhões. “Sem entrar na questão do direito adquirido, essa reforma tem o maior impacto paramétrico no mundo”, disse. “Estamos apresentando ao País a maior e mais abrangente reestruturação previdenciária”, afirmou. “Não tenho dúvidas de que a votação do primeiro turno impactou todos nós, País amadureceu o tema”. A previsão é baseada no texto que foi aprovado em primeiro turno pela Câmara dos Deputados, no último dia 12 de julho. No final, foram aprovadas mudanças que suavizaram as regras para homens, mulheres, professores e policiais. Na semana passada, mesmo com as mudanças, Marinho tinha afirmado que a economia com a reforma nas regras de aposentadoria e pensão ficaria em torno de R$ 900 bilhões em dez anos. No entanto, a equipe econômica refez as contas e divulgou nesta quinta nova previsão. O texto aprovado no primeiro turno propõe que os homens só poderão se aposentar aos 65 anos e as mulheres, aos 62 anos, com um tempo mínimo de contribuição de 15 anos (homens e mulheres). A modalidade da aposentadoria por tempo de contribuição – que exige tempo mínimo de 35 anos (homens) e 30 anos (mulheres) vai acabar, caso a reforma seja aprovada da forma como está. Os novos critérios valerão para quem ainda não começou a trabalhar. Quem já está trabalhando e contribuindo para o INSS ou o setor público terá regras de transição. A reforma pode sofrer novas alterações ainda. O segundo turno da proposta deve ser votado na segunda semana de agosto. Nesta fase, deputados podem retirar trechos da proposta. Depois, o projeto seguirá para o Senado. No texto original submetido pela equipe de Guedes, a economia prevista com a reforma da Previdência era de R$ 1,1 trilhão, em dez anos. Na última semana, Marinho estimou que, após os destaques feitos na Câmara dos Deputados, a medida ainda deveria gerar uma economia de R$ 900 bi ao longo de uma década. As mudanças feitas na reforma no plenário da Câmara dos Deputados tiveram um impacto de R$ 43 bilhões na economia esperada com a medida, afirmou o secretário da Previdência, Leandro Rolim. Segundo Rolim, não é possível separar o impacto de cada um dos destaques que foram aprovados. “Não temos impacto individualizado de medidas, porque uma tem reflexo na outra. Elas têm efeito cruzado. Não há como quantificar isoladamente cada uma”, disse. Ele afirmou, no entanto, que o impacto mais forte é a mudança da regra de cálculo das mulheres, porque afeta um número maior de pessoas. A bancada feminina negociou para que a regra dos dois pontos fosse aplicada a partir dos 15 anos de contribuição para as mulheres, já que, para elas, a reforma prevê que o tempo mínimo de contribuição é de 15 anos, e não 20. Em relação ao destaque aprovado no plenário que trouxe alteração para a aposentadoria dos homens, do PSB, que reduziu o tempo mínimo de contribuição exigido para homens do regime geral para 15 anos. Segundo Rolim, essa mudança vale apenas para os homens que já estão no mercado de trabalho, sendo que os que ainda vão ingressar terão de contribuir por 20 anos no mínimo. Rolim afirmou que mudanças na Previdência devem colaborar com a melhor redistribuição de renda no País. Segundo ele, o impacto per capita para o regime próprio é de R$ 114, 1 mil, enquanto para o geral é de R$ 9,2 mil. O impacto per capita no tempo de contribuição é de R$ 25,9 mil e por idade é de R$ 4,3 mil. “Isso reforça o impacto redistributivo de renda”, disse.

Estadão Conteúdo

18 de julho de 2019, 07:07

ECONOMIA Liberação do FGTS pode dar fôlego à economia e elevar PIB para até 1,1%

Foto: Amanda Perobelli / Estadão

Expectativa da equipe econômica é que saques reforcem o crescimento da economia em 0,3 ponto porcentual, para o mesmo nível registrado nos dois últimos anos do governo Temer

A liberação de parcela das contas ativas (dos contratos atuais) do FGTS para os trabalhadores deve dar impulso à economia e pode garantir ao presidente Jair Bolsonaro um crescimento do Produto Interno Bruto acima de 1% no primeiro ano do governo. A expectativa da equipe econômica é que os saques reforcem o PIB em 0,3 ponto porcentual, o que elevaria a projeção para 1,1% – mesmo nível registrado nos dois anos anteriores do governo Michel Temer. Segundo modelos preparados para a liberação dos saques, o impulso ao crescimento pode ficar entre 0,2 e 0,4 ponto porcentual. Hoje, o governo trabalha com estimativa de crescimento de 0,81%. Com a revelação na quarta-feira pelo Estadão/Broadcast dos detalhes do projeto, o ministro da Economia, Paulo Guedes, determinou à sua equipe que acelerasse a proposta para ser apresentada na noite de quarta ao presidente Bolsonaro. A medida deverá ser anunciada nesta quinta-feira e valerá para contas ativas e inativas (de contratos de trabalho anteriores). Segundo fontes, Guedes, que passou a quarta-feira na Argentina, exigiu da equipe da Secretaria de Política Econômica (SPE), que elabora o programa, manter intocados os recursos do FGTS para a habitação. Com isso, o valor da liberação vai cair de R$ 42 bilhões para R$ 30 bilhões. O Estadão/Broadcast revelou que o Ministério da Economia deve permitir que os trabalhadores saquem entre 10% e 35% dos recursos das contas ativas do FGTS dependendo do saldo que possuem no fundo. Para o economista da LCA Consultores Vitor Vidal, o impacto da liberação das contas ativas do FGTS sobre o consumo e, consequentemente, sobre o PIB pode ser maior agora do que na liberação das contas inativas promovida pelo governo de Michel Temer em 2017. Isso porque a inadimplência das famílias hoje é menor. Em 2017, fizeram o saque de cerca de R$ 44 bilhões de contas inativas 25,9 milhões de trabalhadores. Vidal cita que uma pesquisa do Ibre/FGV na época mostrou que 40% desses recursos foram destinados ao pagamento de dívidas. A economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) Marianne Hanson também estima que o impacto sobre a economia pode ser maior dada a melhoria nas expectativas para a atividade no segundo semestre, com o andamento da reforma da Previdência. A CNC, em 2017, calculou que um quarto dos recursos foi destinado ao consumo, o que levou a um aumento de 1,4% no varejo entre março e julho, meses em que os valores foram sacados. Marianne acredita que setores mais ligados à renda podem ser mais beneficiados, como o de supermercados.

Estadão

17 de julho de 2019, 19:45

ECONOMIA Governo estuda limitar ou até impedir saque do FGTS para trabalhador demitido

Foto: Amanda Perobelli/Estadão

Até a caderneta de poupança rende mais que o FGTS

Além da liberação de parte do saldo de contas ativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o governo estuda limitar o saque da totalidade para trabalhadores demitidos sem justa causa. Atualmente, quem é demitido sem justa causa pode retirar toda a verba que tem no fundo, com rendimentos, além de uma multa de 40% sobre esse valor. Segundo as fontes, que pediram anonimato, limitar ou até mesmo impedir o saque nessa condição é uma ideia que está sendo discutida. Por outro lado, o governo passaria a permitir que todo ano seja possível resgatar uma parcela do fundo no mês de aniversário do trabalhador. O setor da construção civil é o mais crítico à medida, porque os recursos do FGTS são usados para financiar programas de habitação, como o Minha Casa Minha Vida, além de saneamento e infraestrutura, com juros menores do que as taxas de mercado. A medida também acabaria, segundo fontes, com os acordos “fakes” entre empresas e trabalhadores de demissão sem justa causa apenas para permitir ao empregado sacar o FGTS. A reforma trabalhista do ex-presidente Michel Temer, sancionada em 2017, criou a possibilidade de rescisão por acordo entre o trabalhador e a empresa. Nesse caso, ele tem direito de sacar 80% do saldo do FGTS e a multa do empregador é de 20% sobre esse valor. O FGTS foi instituído em 1966 e hoje está previsto como um direito dos trabalhadores na Constituição. O fundo foi criado como alternativa à chamada estabilidade decenal, que previa que o empregado com mais de 10 anos de serviço na mesma empresa não poderia ser despedido se não fosse por “falta grave ou circunstância de força maior, devidamente comprovadas”. A ideia era compensar a mudança nas regras que acabaram com essa estabilidade com uma proteção financeira ao trabalhador. Com a criação do FGTS, as empresas passaram a pagar, mensalmente, o equivalente a 8% do valor do salário do trabalhador para a conta dele no fundo. Hoje, as situações mais conhecidas de saque são aposentadoria e demissão sem justa causa. A retirada também é permitida, por exemplo, na compra de imóvel e quando o trabalhador fica afastado do regime do FGTS por três anos.

Estadão Conteúdo

17 de julho de 2019, 18:45

ECONOMIA Liberação do FGTS pode dar fôlego ao mercado e jogar PIB para perto de 1%

Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Liberação dos saques das contas ativas do FGTS pode conter a sangria do atual ciclo de estagnação da economia

A liberação dos saques das contas ativas do FGTS poderia conter a sangria do atual ciclo de estagnação da economia. Na opinião dos especialistas consultados pelo Estado, a medida pode trazer novo fôlego ao mercado no curto prazo e, para este ano, empurrar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para perto de 1%. Nas últimas semanas, o mercado vem renovando para baixo as projeções para o PIB, hoje em 0,81%. Matéria antecipada pelo Estado revela que o Ministério da Economia deve permitir que os trabalhadores saquem até 35% dos recursos de suas contas ativas (dos contratos de trabalho atuais) do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A expectativa do governo é que a medida injete até R$ 42 bilhões na economia. Segundo as contas do economista do Itaú-Unibanco Luka Barbosa, a liberação dos recursos FGTS pode adicionar 0,1% ao PIB de 2019 e 0,2% no PIB do ano que vem. “As contas ainda são preliminares, porque não sabemos exatamente como será essa liberação dos recursos. Mas se for algo em torno de R$ 42 bilhões, como está sendo noticiado, acreditamos que vai levar o PIB para perto de 1% neste ano. A gente estava trabalhando com 0,8% e, agora, esperamos algo em torno de 0,9% neste ano”, afirma. Para o economista-sênior da XP Investimentos, Marcos Ross, esse dinheiro deve melhorar o consumo no curto prazo, além de motivar uma retomada do mercado de crédito, que anda estagnado devido ao alto endividamento das famílias. Segundo dados do Serasa de abril, 63 milhões de pessoas estão com dívidas em atrasadas ou com o nome sujo. “Eu vejo como uma medida positiva e não existe outra coisa que o governo pode fazer neste momento. A economia está parada”, diz Ross. “Na falta de um vetor de crescimento, o governo pode ir acionando alguns gatilhos para melhorar a situação. É uma medida similar ao que se fez lá atrás, durante o governo de Michel Temer. Naquela ocasião, a medida reduziu a alavancagem das famílias, melhorou o consumo e abriu o crédito, já que elas passaram a tomar empréstimos novos”, afirma o especialista da XP. Para o economista Roberto Luis Troster, a troca de uma poupança com baixa rentabilidade, como é hoje o FGTS, é uma boa notícia para as famílias. “O impacto no consumo deve ser importante”, diz. No entanto, ele afirma que sem atacar questões como a alta taxa de crédito para o consumidor, o resultado da liberação dos recursos do FGTS tende a se perder no curto prazo. “Com os juros do cheque especial a 300% não tem jeito. As pessoas voltam a se endividar e o consumo cai rapidamente”, destaca. Troster faz ressalvas sobre os riscos no médio e longo prazos representados pelo desmonte do FGTS, tido como uma reserva para o trabalhador usada para aposentadoria, um seguro no caso de demissão sem justa causa ou poupança para compra de imóvel próprio. “A gente está possivelmente adquirindo um problema no futuro para resolver um problema de curto prazo”, diz. “Mas quem retirar esse dinheiro e aplicar em outra poupança, tende a se beneficiar”, afirma. As empresas brasileiras são obrigadas a recolher o FGTS dos salários de todos os trabalhadores em regime CLT. O fundo é composto por 8% do salário mensal, e a rentabilidade é de 3% ao ano somada à TR, que está zerada desde 2017. Segundo a economista Paula Sauer, da ESPM, o FGTS é o pior investimento dentre as opções do mercado, perdendo até para a inflação. Leia mais no Estadão.

Estadão Conteúdo

17 de julho de 2019, 09:21

ECONOMIA Mercosul vai discutir revisão de tarifas de importação

Na abertura da 54ª Cúpula do Mercosul, a primeira depois de ter sido fechado o acordo entre o bloco e a União Europeia, o chanceler argentino, Jorge Faurie, disse que um dos temas a serem abordados será a revisão das tarifas de importação “para que nossas economias ganhem produtividade e competitividade no cenário internacional”. “Será a primeira vez, em 25 anos, que faremos uma revisão integral das alíquotas.” Com relação ao acordo com a União Europeia, os países do bloco discutem um esquema comum para acelerar o processo de implementação do tratado, por meio do mecanismo de cláusula de vigência bilateral. O que significa que, uma vez ratificado pelo Parlamento Europeu, se um dos países sul-americanos aprovar em seu Congresso antes de seus vizinhos, ele já pode começar a implementar o pacto. Essa medida, porém, vale só para questões comerciais. Anunciado no fim de junho após mais de 20 anos de discussões, o acordo entre Mercosul e União Europeia, que envolve 780 milhões de pessoas, prevê redução paulatina das tarifas de importação entra os blocos. O chanceler argentino também anunciou oficialmente o acordo para a eliminação da cobrança de “roaming” internacional entre os países integrantes do bloco (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai). “Será um elemento para facilitar a vida dos cidadãos, que, com cada vez maior frequência, se movem entre nossos países e pedem para estar mais conectados.” Nesta terça-feira (16), participam da reunião os chanceleres. Além do anfitrião, Faurie, estão presentes o brasileiro, Ernesto Araújo, o uruguaio, Rodolfo Nin Novoa, e o paraguaio Luis Alberto Castiglioni. Nesta quarta (17), ocorre a cúpula dos quatro países. A Argentina, atual presidente pro-tempore do bloco, passará o bastão para o Brasil. Faurie disse ainda que os países também pretendem avançar nos acordos já em negociação com Canadá, Coreia, Singapura e Vietnã. O governo argentino vê na reunião também uma oportunidade de fazer propaganda da ligeira melhora dos números da macroeconomia nos últimos dois meses. A inflação baixou de 4,7% ao mês para 2,6%, e o dólar está estável, em 43,60. Também nas últimas semanas, a distância entre a chapa que lidera as pesquisas, a dos kirchneristas Alberto Fernández e Cristina Kirchner, e a do atual presidente, Mauricio Macri, com o peronista Miguel Ángel Pichetto de vice, diminuiu. A cidade de Santa Fé, capital da província, está voltada à propaganda da chapa governista.

Folhapress

16 de julho de 2019, 13:16

ECONOMIA Guedes: primeira meta de Montezano no BNDES é devolver dinheiro para a União

Foto: Estadão

Ministro da Economia, Paulo Guedes

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta terça-feira, 16, durante evento no Palácio do Planalto, que a primeira meta do novo presidente do BNDES, Gustavo Montezano, será “devolver dinheiro para a União”. Pouco antes, Montezano já havia indicado que sua meta é concluir a devolução de recursos de R$ 126 bilhões ao Tesouro ainda este ano. Guedes afirmou ainda que o BNDES vai trabalhar para acelerar o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) e a infraestrutura brasileira. “Montezano passou 6 meses com o Salim (Mattar, secretário especial de Desestatização e Desinvestimento do Ministério da Economia) fazendo programa de privatizações”, pontuou Guedes. “Nós vamos acelerar as privatizações com o Salim Mattar”, acrescentou. O ministro afirmou ainda que outro trabalho do BNDES será atacar o problema do saneamento básico no Brasil. “Há 40 mil crianças que morrem no Brasil por falta de saneamento”, pontuou. “A média de vida do Nordeste é mais baixa por conta de mortalidade infantil, porque falta saneamento”, disse. Conforme Guedes, o BNDES atuará na área de saneamento. Guedes disse ainda, ao tratar da atuação do BNDES na área de crédito, que o dinheiro “tem que ser baixo para todo mundo e não para alguns brasileiros”. Durante sua fala, ele lembrou que, durante anos, o BNDES ofertou juros mais baixos a segmentos específicos da economia, em detrimento do restante da população. “O projeto nosso é desestatizar o mercado de crédito brasileiro” afirmou Guedes. “Há uma série de imperfeições que jogam o juro para a lua. As empresas vivem um flagelo”, avaliou.

Estadão

15 de julho de 2019, 20:55

ECONOMIA Depois de cinco quedas seguidas, dólar volta a fechar em alta

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O dólar voltou a subir nesta segunda-feira, 15, fechando em alta de 0,48%, a R$ 3,7563

Sem a influência da reforma da Previdência, como na semana passada, quando o texto-base foi votado em primeiro turno na Câmara, o mercado financeiro no País sofreu os efeitos do movimento do cenário internacional nesta segunda-feira, 15. O dólar voltou a subir nesta segunda-feira, 15, após cair nos últimos cinco pregões, fechando em alta de 0,48%, a R$ 3,7563. Operadores destacam que o movimento foi um ajuste, sobretudo após o real ser a moeda que mais se valorizou no mercado internacional na semana passada, considerando uma cesta de 35 divisas. Nesta segunda-feira, com a agenda doméstica fraca, o mercado local acompanhou o fortalecimento do dólar no exterior, ante moedas de países desenvolvidos e alguns emergentes. No mercado de ações, a Bolsa fechou em queda de 0,10%, aos 103.802,69 pontos. O volume financeiro foi baixo em relação à média, de R$ 13,2 bilhões. “Na falta de notícias internas, o mercado acompanhou o exterior”, afirma o gerente de tesouraria do Travelex Bank, Felipe Pellegrini. Apesar da alta, ele ressalta que a tendência do dólar ainda é de queda e a moeda pode cair abaixo de R$ 3,70 se houver noticiário positivo, sobretudo sobre a Previdência, como a reinclusão de Estados e municípios no texto. Sem um condutor no plano doméstico, o Ibovespa iniciou a segunda quinzena do mês à deriva. Nesse cenário, houve espaço para os investidores realizarem ganhos e também para mais compras, o que levou o índice à vista, pontualmente, para o nível dos 104,5 mil pontos na máxima do dia. Mas, na maior parte do pregão, o indicador se conteve ao redor da estabilidade. Para Marco Tulli Siqueira, gestor de renda variável da Coinvalores, com o recesso dos parlamentares, que oficialmente tem início dia 18, as oscilações do mercado acionário doméstico vão estar mais ligadas ao movimento dos índices das bolsas no exterior, principalmente em Nova York. Álvaro Bandeira, economista-chefe do banco digital Modalmais, também diz acreditar que o recesso parlamentar pode trazer menor volatilidade aos mercados. “Mas é certo que as pressões sobre a reforma da Previdência vão continuar”, afirmou em relatório. As ações ordinárias da Vale se destacaram em alta na sessão, encerrando com ganhos de 1,70%. Também no terreno positivo, as Units do Santander subiram 0,50%. Já Banco do Brasil ON, Itaú Unibanco PN e Bradesco PN tiveram queda de 0,60%, 0,27% e 0,42%, respectivamente.

Estadão Conteúdo

15 de julho de 2019, 08:59

ECONOMIA Mercado reduz estimativa de crescimento da economia para 0,81%, diz BC

A estimativa do mercado financeiro para o crescimento da economia este ano continua em queda. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central (BC) com instituições financeiras, a projeção para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todos os bens e serviços produzidos no país – desta vez foi reduzida de 0,82% para 0,81%. Essa foi a 20ª redução consecutiva. Para 2020, a expectativa é que a economia tenha crescimento maior, de 2,10%, na semana passada, a estimativa era de 2,20%. A previsão para 2021 e 2022 permanece em 2,50%. A estimativa de inflação, calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), subiu de 3,80% para 3,82% este ano. A meta de inflação de 2019, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é 4,25%, com intervalo de tolerância entre 2,75% e 5,75%. A projeção do mercado financeiro para a inflação em 2020 é 3,90%. A meta para o próximo ano é 4%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Agência Brasil

14 de julho de 2019, 11:33

ECONOMIA Petrobrás, Caixa e BB garantem resultado no 1.º semestre

O programa de desestatização do governo pode estar em marcha lenta, por conta da decisão de concentrar as forças até agora na reforma da Previdência e da resistência de vários ministros em relação à privatização de empresas ligadas a suas pastas (ler texto acima). Se considerarmos que o programa pode permitir uma arrecadação de cerca de R$ 450 bilhões, de acordo com levantamento do Estado, a meta estabelecida pelo próprio governo para 2019, de obter uma receita de US$ 20 bilhões (R$ 76 bilhões ao câmbio atual) com a desestatização, é modesta. Ela representa apenas 16,9% do que se pode arrecadar até 2022, quando deveria ser de pelo menos US$ 29 bilhões, o equivalente a 25% do total, para representar 1/4 da receita possível nos quatro anos de governo. Agora, com a meta em vista, quando se observa o que aconteceu nos primeiros seis meses de gestão, constata-se que o ritmo da desestatização não foi tão moroso quanto pode parecer à primeira vista. Segundo o levantamento do Estado, o governo já arrecadou até agora um total de R$ 54 bilhões (US$ 14,1 bilhões, pelo câmbio da data de cada operação), entre concessões (R$ 5,7 bilhões) e privatizações, desinvestimentos, vendas de participações minoritárias e operações de abertura de capital (R$ 48,3 bilhões). Isso significa que o governo cumpriu 71% da meta em metade do tempo. Terá, portanto, todo o segundo semestre para realizar os 29% que faltam

Estadão

13 de julho de 2019, 18:21

ECONOMIA Aprovação da Previdência vai consolidar expectativa de PIB, diz Meirelles

Foto: Estadão

Secretário de Fazenda do Estado de São Paulo, Henrique Meirelles

A reforma da Previdência, já aprovada no Plenário da Câmara em primeiro turno, vai consolidar uma expectativa de crescimento no Brasil, disse há pouco o secretário de Fazenda do Estado de São Paulo, Henrique Meirelles. O secretário conversou com jornalistas ao chegar para participar do seminário “Brasa em Casa. O Brasil no Divã”, que acontece neste sábado na capital paulista. “Eu acredito que vai sim consolidar uma expectativa de crescimento como resultado, exatamente, de equilíbrio fiscal”, disse Meirelles em resposta à reportagem do Broadcast. Meirelles lembrou que o mercado e a economia entraram o ano de 2018 crescendo, com as expectativas à época rodando em torno de 2,5% até 3%. Mas o crescimento foi de 1%,o que para ele foi resultado da incerteza eleitoral. Existia, segundo Meirelles, uma preocupação muito grande de que houvesse vitória de algum candidato que trouxesse de novo programas que deram errado no Brasil. Em 2019, segundo o ex-ministro, o ano começou novamente com uma expectativa de que o PIB cresceria 2,5%. “Tivemos o problema da discussão e do atraso [na reforma da previdência] e começaram a surgir dúvidas sobre se de fato seria aprovada a Previdência neste governo por diversas circunstâncias”, afirmou. Mas houve, de acordo com Meirelles, “um acontecimento positivo, que foi o protagonismo do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, em patrocinarem e liderarem a proposta no Legislativo”. “Isso foi muito importante, foi aprovado. Então isso deve dar as bases para um crescimento sustentável. Evidentemente, que o Brasil vai precisar aumentar a taxa de crescimento para o futuro. Mas aí é para uma segunda etapa. São outras reformas, outras questões que já deixamos uma grande lista de propostas já feitas no Ministério da Fazenda, agora Economia, no Congresso Nacional, que acredito que começarão a ser encaminhadas”, disse.

Estadão Conteúdo

13 de julho de 2019, 10:23

ECONOMIA Governo corta previsão de crescimento para 0,8%

O governo cortou pela metade a previsão oficial de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) para 2019, de 1,6% para 0,81%. A medida reduz a projeção de arrecadação, dificulta o cumprimento da meta fiscal e pode forçar a equipe econômica a fazer novo bloqueio no Orçamento. É a terceira reavaliação do governo para baixo, para calcular a execução das contas federais. O orçamento de 2019 foi elaborado no meio de 2018 e trazia, inicialmente, previsão de crescimento de 2,5%. Em março, a projeção baixou para 2,2%. Depois, em maio, para 1,6%. O novo corte foi antecipado pela Folha de S.Paulo. Normalmente, as projeções do governo para o PIB são tornadas públicas a cada dois meses em relatórios de avaliação de receitas e despesas. Agora, o governo apresentou os parâmetros semanas antes da publicação para aproximar sua previsão da calculada por analistas de mercado. Segundo o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (8), a expectativa do mercado é um crescimento de 0,82% neste ano. A reavaliação do governo aponta para a necessidade de novo contingenciamento de recursos em 2019. A decisão final será divulgada em 22 de julho, no relatório bimestral. Em março, o governo teve de anunciar um bloqueio de cerca de R$ 30 bilhões para os ministérios. Após onda de protestos contra cortes em universidades, a equipe econômica anunciou o desbloqueio de R$ 2,1 bilhões na educação. O governo também reavaliou a previsão de crescimento para 2020, que caiu de 2,6% para 2,2%. Foi revista ainda a projeção de inflação em 2019, com alta de 3,8%, não mais de 4,1%.

Folhapress

12 de julho de 2019, 19:45

ECONOMIA Novo presidente do BNDES vai trocar toda a diretoria e apresenta sete nomes

Foto: Fábio Motta/Estadão

´BNDES

O novo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, de posse marcada para a próxima terça-feira, 16, em Brasília, trocará toda a diretoria da instituição de fomento. A diretoria, hoje com oito vagas (uma desocupada), passará a ter dez postos, conforme estrutura organizacional apresentada por Montezano em reunião nesta quinta-feira, 11, no Rio. No encontro, o novo presidente reafirmou a meta, já estipulada na semana anterior, de explicar a “caixa-preta” do BNDES em até dois meses. Das dez vagas, Montezano anunciou sete nomes. Três deles têm formação em institutos militares, assim como Montezano, engenheiro formado pelo Instituto Militar de Engenharia (IME). Os três nomes que faltam “ainda não foram definidos”, informou o BNDES em nota divulgada ontem. Enquanto isso, três atuais diretores seguirão nos cargos, para um trabalho de “transição”. A atual diretoria do BNDES havia sido quase toda indicada pelo ex-presidente Joaquim Levy, que entregou o cargo mês passado, após ser criticado pelo presidente Jair Bolsonaro. A exceção era a diretora de Investimentos, Eliane Lustosa, no banco desde a gestão de Maria Silvia Bastos Marques, que assumiu em maio de 2016, após a saída da ex-presidente Dilma Rousseff. Um dos motivos alegados por Bolsonaro para se dizer “por aqui” com Levy foi a indicação, para a vaga desocupada na diretoria do BNDES, do advogado Marcos Barbosa Pinto, que trabalhou na Gávea Investimentos e ocupou cargos na administração federal nos governos do PT. O outro motivo para a insatisfação presidencial com Levy seria a demora em abrir a “caixa-preta” do BNDES. Em reuniões com diretores e superintendentes, semana passada e ontem, Montezano colocou, como meta para ser atingida na “semana 8” de sua gestão, “explicar a ‘caixa-preta’ para a população brasileira”. O novo organograma traz uma diretoria “dedicada exclusivamente à atividade de ‘compliance’ (cumprimento de normas), incrementando o padrão de governança da instituição”, diz a nota de ontem. Hoje, essa diretoria também cuida de assuntos jurídicos. Para o cargo, Montezano indicou Alexandre Marques, auditor do Tribunal de Contas da União (TCU), bacharel em direito e formado em ciências navais pela Escola Naval. Com a separação, a diretoria jurídica ficará com Saulo Puttini, advogado e engenheiro formado no IME, ex-auditor do TCU, mais recentemente no Banco Safra. Também será criada uma Diretoria de Relações Institucionais e Governo, que ficará baseada em Brasília. O diretor será Adalberto Vasconcelos, que, no início deste mês, deixou o comando do Programa e Parcerias de Investimentos (PPI), após essa estrutura passar para a Casa Civil. Os demais diretores anunciados ontem são Fábio Abrahão (que ficará com a Assessoria de Infraestrutura), Petrônio Cançado (Crédito e Garantia), Leonardo Cabral (Assessoria de Privatizações) e Ricardo Barros (Operações).

Estadão Conteúdo

12 de julho de 2019, 19:15

ECONOMIA Com possível adiamento da reforma, Bolsa fecha em queda de 1,2%

Foto: Werther Santana/Estadão

Bolsa de Valores

O temor sobre um eventual adiamento para agosto da votação em segundo turno da reforma da Previdência prevaleceu sobre o humor dos investidores do mercado acionário local e, cerca de uma hora antes do fechamento, acelerou as ordens de venda. Assim, o Ibovespa, principal índice de ações do País, encerrou o pregão em queda de 1,18%, aos 103.905,99 pontos, totalizando giro de R$ 16 bilhões. O resultado desta sexta reverteu os ganhos acumulados na semana, que encerrou com perda de 0,18%. No mercado de câmbio, o dólar acabou com desvalorização de 0,34% ante o real, a R$ 3,7382. A moeda americana teve o quinto dia seguido de queda e acumulou baixa de 2,09% na semana, a maior desvalorização semanal desde maio. A crescente perspectiva de corte de juros nos Estados Unidos, que enfraqueceu a moeda americana no exterior, contribuiu para a queda. Com isso, o real foi a moeda com melhor desempenho esta semana ante o dólar entre uma lista de 35 emergentes. Em julho, a divisa americana recua 2,7% e, no ano, perde 3,3%. Para Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos, os mercados no exterior se comportaram até melhor do que na véspera, pois imperou a visão otimista em relação a um possível corte de juros pelo Federal Reserve (Fed) já na reunião de julho. “Isso limitou a queda do Ibovespa durante o dia. Mas predominou mesmo entre os investidores por aqui o olhar para o andamento da Previdência com a votação dos destaques”, disse. Quase no horário do fechamento da sessão de negócios, lideranças da Câmara dos Deputados já admitiam que a votação da reforma da Previdência em segundo turno poderia ser concluída apenas no início de agosto, na volta do recesso parlamentar. Conforme apurou o Estadão/Broadcast, em reuniões realizadas entre quinta-feira e sexta, líderes consultaram parlamentares sobre a possibilidade de permanecerem em Brasília no fim de semana e constataram que muitos já tinham voos marcados – o que impediria a formação de um quórum qualificado para apreciar a proposta. A expectativa de que a tramitação no plenário pudesse ser encerrada hoje ou amanhã deu ao Ibovespa algum fôlego na abertura, mas depois, mesmo com os mercados acionários em Nova York operando em alta firme, os investidores passaram à defensiva. As declarações do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, esta semana no Congresso dos EUA, praticamente confirmaram que haverá corte de juros este ano, o que fez o dólar cair tanto ante divisas fortes, como o euro, como perante emergentes. Os estrategistas do Société Générale ressaltam que a dúvida agora do mercado financeiro é se a redução será de 0,25 ponto porcentual ou de 0,50. “O Fed está caminhando em direção a um ciclo de flexibilização monetária”, ressaltam nesta sexta-feira. Influenciado pela queda do dólar no exterior, a moeda americana aqui teve comportamento destoante de outros ativos, como o Ibovespa e os juros futuros, que mostraram mais cautela em meio à demora para votar os destaques da reforma e a possibilidade de a votação no segundo turno ficar para agosto. Já o Credit Default Swap (CDS), um termômetro do risco-país, era negociado a 127 pontos-base na tarde de hoje, bem abaixo do nível que começou o mês, 150 pontos. No câmbio, os investidores seguem otimistas com o avanço da reforma da Previdência. “No Brasil, a dinâmica da reforma parece estar se fortalecendo”, afirma o estrategista de moedas do Scotiabank, Shaun Osborne, ressaltando ainda que o dólar tem se enfraquecido no exterior. Operadores reportaram entrada de fluxo externo nesta sexta-feira, em parte recursos para a oferta pública de ações da resseguradora IRB Brasil Re na semana que vem, que pode render R$ 8,5 bilhões. Hoje, na mínima do dia, o dólar bateu em R$ 3,7304, valor que segundo operadores atraiu compradores da moeda americana e pressionou as cotações para cima. Na máxima, o dólar foi a R$ 3,76. Esses profissionais, porém, veem tendência de dólar em queda pela frente, se os juros de fato caírem nos EUA e as reformas avançarem aqui.

Estadão Conteúdo

10 de julho de 2019, 19:11

ECONOMIA Ibovespa bate recorde com votação da reforma; dólar fecha em queda, a R$ 3,75

Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Bolsa de Valores

O otimismo do mercado financeiro com o avanço da tramitação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados levou o Ibovespa, principal índice da B3, a Bolsa de São Paulo, a um novo recorde nesta quarta-feira, 10. Durante o dia, o índice chegou aos 106.650,12 pontos e fechou o pregão com alta de 1,25%, aos 105.817,06 pontos. O Ibovespa fechou pela quinta vez seguida em alta, renovando o nível recorde. O dólar teve recuo de 0,77%, cotado a R$ 3,7568, na menor cotação desde 28 de fevereiro. Esse resultado foi influenciado também pela perspectiva de queda nos juros dos Estados Unidos ainda neste mês. A expectativa dos investidores é de que, uma vez aprovada a proposta que muda as regras de aposentadoria, o governo lance medidas para destravar a economia, assim como o Banco Central inicie o ciclo de afrouxamento monetário, o que tornaria a Bolsa brasileira mais atrativa. O índice da B3 foi favorecido ainda pela valorização das commodities e pelo sinal positivo das Bolsas em Nova York, com destaque para o Nasdaq, que também alcançou nova máxima histórica nesta quarta-feira. A despeito de o Ibovespa já ter avançado 20,40% em 2019 e 41,35% em 12 meses, analistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast acreditam que o índice tende a buscar novos recordes no curto prazo, caso a reforma seja, de fato, aprovada, sem grandes perdas na economia prevista, em dois turnos na Câmara antes do início do recesso parlamentar, em 18 de julho. O analista da Coinvalores Felipe Silveira ressalta que, com a aprovação da Previdência na Câmara antes do recesso, é grande a chance de o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciar um ciclo de corte da Selic, hoje em 6,50% ao ano, já na reunião deste mês, nos dias 30 e 31. “A inflação está sob controle, a atividade fraca e o cenário externo melhor. Tudo leva a crer em um corte de juros, o que anima os investidores a buscar a Bolsa”, afirma Silveira, lembrando que o governo Jair Bolsonaro já sinalizou com o anúncio de medidas de estímulo à economia após a aprovação da reforma. “A lucratividade das empresas ainda está baixa. Com a retomada da economia e do mercado de trabalho, vai haver um grande impacto nos resultados. Uma parte disso já foi antecipada, mas ainda tem espaço para subir nos próximos meses”. O analista da Ativa Investimentos Ilan Arbetman vê a possibilidade de que o Ibovespa busque os 108 mil pontos, especialmente se for confirmada a aprovação da previdência em primeiro turno hoje e em segundo turno antes do recesso parlamentar. “Se houver esse clima positivo para reformas no cenário político nacional, podemos ver esse movimento de alta se sustentar”, diz. Arbetman destaca que dois setores relevantes para o Ibovespa – commodities e varejo – têm perspectivas positivas. Lá fora, a tendência é de valorização do minério de ferro e sustentação dos preços do petróleo. Por aqui, já se conta com juros menores e estímulos à demanda. “Esse conjunto de fatores faz com que a perspectiva para a bolsa brasileira se mantenha positiva”, afirma. Entre as principais ações da B3, os destaques foram Vale e Petrobrás, enquanto os bancos apresentaram queda moderada. Apesar de ter sido condenada na terça-feira pela primeira vez por Brumadinho (MG), as ações PN da Vale subiram 2,34%, impulsionadas pela perspectiva de que a manutenção do preço do minério de ferro turbine os resultados operacionais da empresa no segundo trimestre. Os papéis PN da Petrobrás avançaram 1,52%, em meio à alta do petróleo no mercado internacional e ao bom humor com a assinatura de acordo com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para que a Petrobrás deixe de ter, até o fim de 2021, posição dominante no mercado de gás natural, o que abre espaço para a petroleira se dedicar ao negócio de extração de petróleo. Em relação ao dólar, operadores do mercado financeiro já veem chance de quedas adicionais da moeda se o texto-base da reforma for aprovado na noite desta quarta-feira. “Se a aprovação vier hoje à noite, a moeda abre amanhã ainda mais para baixo”, destaca o responsável pela área de câmbio da Terra Investimentos, Vanei Nagem. Ele acredita que se a Previdência seguir avançando e outras reformas também caminharem, como a tributária, a moeda americana pode cair para a casa dos R$ 3,50. O economista-chefe para América Latina do ING, Gustavo Rangel, vê a moeda americana mais perto dos R$ 3,60 em um cenário com as reformas aprovadas do que dos R$ 3,40 que imaginava anteriormente. “O real deve ter um rali, mas de extensão limitada”. A sessão da Câmara para votação da proposta de reforma da Previdência foi aberta ainda de manhã, mas o encaminhamento da votação só começou depois das 17h. O texto precisa de 308 votos para ser aprovado, em dois turnos. Segundo o Placar da Previdência feito pelo Estado o governo já tem os apoios necessários. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), acredita que há condições de votar os dois turnos esta semana. “Vamos até o sábado. Se necessário, até o domingo”, afirmou. A estratégia é evitar deixar a votação do segundo turno para depois do recesso parlamentar, que começa dia 18 de julho. O mercado acompanhou também nesta quarta a divulgação da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) nesta manhã, que fechou junho com alta de 0,01%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa foi a menor variação mensal do indicador desde novembro de 2018, quando houve queda de 0,21%.

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