14 de dezembro de 2016, 16:08

COLUNISTASVinhos finos na Chapada: um sonho que começa a virar realidade

Eduardo Salles

Coluna: Agronomia

Eduardo Salles é engenheiro agrônomo e mestre em engenharia agrícola pela Universidade Federal de Viçosa, ex-secretário de agricultura da Bahia e ex-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Agricultura (Conseagri). Foi presidente da Associação de Produtores de Café da Bahia e também da Câmara de Comércio Brasil/Portugal e é, há 14 anos, diretor da Associação Comercial da Bahia. Ele escreve neste Política Livre quinzenalmente, às quartas-feiras.

Listar artigos

Este artigo é sobre um assunto novo, que é a introdução da viticultura na Chapada Diamantina. Mas, para começar a falar no tema, vou recorrer a uma pequena fábula que muitos talvez já conheçam: a história do beija-flor que lutava contra um incêndio na floresta enchendo de água o seu pequeno bico e jogando-a sobre o fogo que consumia a mata.

Outros animais observavam o beija-flor no que acreditavam ser uma inútil luta contra o fogo e chamavam sua atenção: você não vê que jamais vai conseguir apagar o fogo com esse pouquinho de água que cabe em seu bico? E o beija-flor, com calma e determinação, explicava: “Bem, eu estou fazendo a minha parte”.

Conto aqui essa história para dizer que me senti um pouco como esse beija-flor quando assisti recentemente uma reportagem no Globo Repórter sobre o plantio de uvas viníferas no município de Mucugê. Lembrei quando sentamos pela primeira vez na Secretaria Estadual de Agricultura o então secretário e hoje senador Roberto Muniz, eu, então sub-secretário, e Jairo Vaz, superintendente da Secretaria, para discutirmos sobre a possibilidade de darmos início a um experimento de uvas viníferas na Chapada Diamantina. Eram as primeiras gotas de água do beija-flor sobre a floresta.

No começo, parecia um sonho difícil de tornar-se realidade. Mas nunca desistimos. E para isso nos unimos a outros beija-flores, que se juntaram a nós precisamente para regar esse sonho com as poucas gotas de que então dispúnhamos. Tínhamos sido contaminados pela ideia e partimos para contaminar mais gente. É com felicidade que hoje vejo que conseguimos.

O Globo Repórter foi a Mucugê e mostrou o êxito dos primeiros experimentos com as uvas na Chapada Diamantina, deixando clara a possibilidade de transformar aquela região numa área produtora de vinhos de alta qualidade.

Confesso que assistir àquela reportagem encheu de orgulho a todos nós, que jogamos as primeiras gotas na terra e agora vemos esse sonho começar a se transformar em realidade. Hoje, temos a convicção de que é possível, sim, e que conseguiremos fazer da Chapada Diamantina um centro de referência na vinicultura e no enoturismo – uma região que, além da sua grande beleza natural, seja também capaz de produzir vinhos que poderão se alinhar entre os melhores do mundo.

Conseguimos também levar com êxito a cultura de morangos à Chapada Diamantina e estão sendo feitos com sucesso experimentos na região para a produção de frutas de clima temperado, como a maçã, o figo e a pêra. Isso é da maior importância, principalmente num momento de crise como o que vive o nosso país.

São fatos como esses que nos levam a constatar a potencialidade que existe no nosso estado e a condição de geração de empregos e de mudanças no perfil de diversas regiões baianas.

Para isso é preciso empreender, acreditar. É preciso começar um projeto sem medo de errar. É preciso ter um pouco da mentalidade do beija-flor de que falamos há pouco. É preciso regar os sonhos.

Comentários