22 de agosto de 2019, 21:15

BRASILIndicação de Eduardo ‘cria má vontade onde não existe’, diz Tasso

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE)

Relator da reforma da Previdência no Senado, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) disse nesta quinta-feira, 22, que a indicação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para a embaixada brasileira em Washington poderá atrapalhar o andamento do projeto na Casa. A indicação, que ainda não foi oficializada pelo presidente Jair Bolsonaro, tem de passar primeiro pela Comissão de Relações Exteriores do Senado e depois por votação em plenário. “Desidratar (o projeto de reforma), não sei, mas atrapalha, sim. Provavelmente, vai criar má vontade onde não existe”, disse o senador, ao sair de uma audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Para o tucano, a indicação de Eduardo é polêmica e pode contaminar a discussão sobre o sistema de aposentadorias no País. “Vai começar uma discussão aqui que pode radicalizar posições e, essas posições se radicalizando, pode contaminar a outra discussão”. Eduardo tentou afastar um eventual impacto de sua indicação na reforma da Previdência. “Não. Não tem nada a ver”, disse o deputado. “Os senadores vão fazer juízo se eu sou merecedor ou não e ponto final. Outra questão é tributária, reforma da Previdência, armas, enfim, acho que não tem comunicação de uma coisa com a outra, não”, disse ele. Em périplo pelo Senado, onde tenta costurar apoios para confirmar seu nome, o deputado voltou a conversar com senadores. Segundo ele, o objetivo é mostrar “um Eduardo um pouquinho diferente” da imagem que ele diz ser divulgada pela imprensa. “São conversas particulares, eu converso com eles, eles demonstram interesse para saber se eu tenho as qualificações necessárias para assumir o cargo. É o momento para mostrar o Eduardo um pouquinho diferente do que por vezes sai na imprensa, enfim, conhecer como eu sou”, disse o deputado, após visita ao gabinete do senador Jorginho Mello (PP-SC). Levantamento feito pelo jornal Estado de S. Paulo mostra que ele não teria hoje o mínimo de 41 votos necessários para ser aprovado no plenário do Senado. Apenas 15 dos 80 votantes (o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, não vai votar) declararam apoio formal à escolha do filho do presidente Bolsonaro para o cargo diplomático mais disputado no exterior. O placar na Comissão de Relações Exterior, onde ele deverá ser sabatinado, também ainda não é favorável ao deputado. O levantamento do Estadão confirmou a cautela com que o governo tem tratado o tema. Na terça-feira passada, Bolsonaro admitiu que poderia rever a indicação porque ele não queria “submeter o meu filho a um fracasso”. Antes, o presidente já havia dito que só oficializaria a indicação após Eduardo obter o apoio majoritário dos senadores.

Estadão Conteúdo

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