12 de julho de 2019, 12:23

EXCLUSIVAAbaixo o desperdício de dois Centros de Convenções na capital baiana

Foto: Divulgação/Arquivo

Novo Centro de Convenções, da Prefeitura, será entregue já em dezembro

O bate-cabeça do governo do Estado e da Prefeitura quanto à construção de dois Centros de Convenções em Salvador é um tapa na cara dos que dizem que o eleitor acha que ganham todos quando o prefeito e o governador são de campos políticos opostos porque, cada um, ao seu modo, busca fazer mais para agradar-lhe.

A justificativa está enviesada porque o princípio que deve nortear a defesa da divergência política entre os dois, quando ocorrer, é o da necessária independência entre as duas instâncias de poder e não o da competição desenfreada para contentar os eleitores.

No caso específico do Centro de Convenções, não há como tirar a razão da Prefeitura na decisão de assumir o protagonismo e iniciar a construção de um equipamento, seu, com recursos do contribuinte, na Orla de Salvador, próximo ao antigo, de propriedade do Estado, hoje desativado.

Depois de esperar anos por uma decisão do governo com relação a conservar, recuperar e, finalmente, construir um novo espaço, o prefeito ACM Neto passou à frente e lançou o equipamento da Prefeitura, cuja previsão de entrega, segundo o secretário municipal de Obras, Bruno Reis, é dezembro deste ano.

O argumento do prefeito, inquestionável, versava sobre o péssimo impacto sobre a economia de Salvador que a desativação do equipamento do Estado causava. Agora, com as obras do Centro da Prefeitura prestes a encerrar em seis meses, não faz o menor sentido o governo dizer que também construirá o dele.

Como afirmou ontem Bruno Reis, numa entrevista ao programa “Política na Mesa”, da TV Câmara, conviria ao governo, diante do estado avançado da obra da Prefeitura, direcionar sua energia e recursos para uma outra atividade, porque a questão será resolvida pela municipalidade.

Mas a este Política Livre, à noite, quando chegava para a entrega das obras de requalificação do Museu de Arte Moderna, na Contorno, o secretário estadual de Turismo, Fausto Franco, disse que o projeto conceitual do Centro de Convenções do Estado já está pronto, faltando apenas o executivo para suas obras começarem.

É uma evidência de que governo e Prefeitura não conversam pelo bem da cidade, que pode assistir a um desperdício de recursos em torno de um mesmo projeto, embora não se possa atribuir ao prefeito ACM Neto (DEM) a responsabilidade por este erro que está para ser perpetrado.

Aliás, esta conversa de construção de dois Centros de Convenções numa cidade com o porte de Salvador já foi longe demais. Não há estudo apresentado até agora que justifique a edificação de dois equipamentos com o mesmo objetivo na capital baiana.

Faria muito melhor o governador Rui Costa se, usando da humildade, reconhecesse que o prefeito passou-lhe à frente nesta corrida específica e revisasse a sua iniciativa enquanto há tempo, se não quiser que o bem-bolado slogan de que dirige o governo que mais fez por Salvador desabe ante tamanha barrigada.

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