28 de junho de 2018, 08:14

EXCLUSIVAOnde Lídice cometeu um erro, por Raul Monteiro*

Foto: Divulgação/Arquivo

Senadora Lídice da Mata, que decide a partir de segunda-feira se concorrerá a deputada federal ou a estadual

Embora, como se diz, Inês esteja morta com relação à montagem da chapa do governador Rui Costa (PT) à reeleição, na qual se aboletaram equilibradamente, conforme ele mesmo afirma, os vermelhos (esquerdistas) e os azuis (de centro), circula no meio do governo um dado que aponta para um erro crasso que teria sido cometido por Lídice da Mata (PSB) na sua tentativa de passar a integrá-la, concorrendo a um novo mandato de oito anos como senadora. Ao contrário do que parece, Lídice nem sempre acalentou o desejo de disputar o Senado de novo ou pelo menos, a princípio, não achou que teria condições de enfrentar a disputa pela vaga.

Mas o que teria feito a senadora mudar de idéia? Um dado, uma mudança no cenário eleitoral baiano, representado pela desistência do prefeito ACM Neto (DEM) de concorrer ao governo, empurrando para o seu lugar o ex-prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo (DEM). Exatamente. É pelo menos assim que petistas mais ligados a Rui e, portanto, defensores da escolha do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Angelo Coronel (PSD), para candidato a senador no lugar de Lídice, encaram o desentendimento com ela e o PSB, seu partido, pela disputa de uma das vagas ao Senado na chapa do governador.

Corre no governo a história de que, ainda no ano passado, Lídice marcou uma conversa com o colega de Senado Otto Alencar para comunicar que não seria mais candidata a senadora e gostaria de contar com o seu apoio para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, depois de ter procurado pessoalmente o governador Rui Costa e o ex-governador Jaques Wagner (PT), que teriam lhe referendado a aproximação com o presidente estadual do PSD. Otto disse, então, que não via problema em qualquer acordo neste sentido, mas, lembrando que a aliada Jusmari Oliveira tinha o sonho de assumir uma secretaria estadual, sugeriu a Lídice que analisasse a idéia.

Para facilitar a conversa, chegou a sugerir que Jusmari deixasse o PSD para filiar-se ao PSB, a partir do qual poderia ser indicada, daquele momento em diante, para a secretaria estadual de Ciência e Tecnologia, pasta ocupada pelos socialistas no governo estadual. Lídice teria deixado o encontro com a promessa de avaliar as recomendações, mas o tempo passou e nunca deu uma resposta ao senador. O tempo voou e, num belo dia, o secretário de Desenvolvimento Urbano, Fernando Torres, que havia sido indicado por Otto, lhe manifestou o desejo de deixar a pasta para cuidar de sua vida política e pessoal.

Surgia aí, absolutamente por coincidência, segundo o senador, o espaço para que ele contemplasse Jusmari com uma posição de destaque na máquina estadual sem dever nada a Lídice, para quem, na avaliação do presidente do PSD, o projeto de concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados parecia consolidado. O quadro teria mudado, no entanto, com a reviravolta criada com a decisão de ACM Neto de não mais concorrer ao governo. A senadora teria visto ali a oportunidade de forçar sua indicação a uma das vagas na chapa de Rui dentro da expectativa de que, sem o adversário perigoso em campo, Rui pudesse desconsiderar o PSD na chapa. Mas a avaliação do governador não foi a mesma.

* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.

Raul Monteiro*

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