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Globo cancela debate após Justiça proibir púlpito vazio e determinar ida de Renan; Flávio desistiu de participar

Globo cancela debate após Justiça proibir púlpito vazio e determinar ida de Renan; Flávio desistiu de participar

Emissora tomou decisão, segundo nota, devido a ordens do STF e do TSE alterarem a logística da sabatina

Por Catia Seabra/Fábio Zanini/Folhapress

01/10/2026 às 21:15

Atualizado em 01/10/2026 às 22:25

Foto: Ricardo Stuckert/PR e Andressa Anholete/Agência Senado

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Lula e Flávio Bolsonaro

A TV Globo cancelou o debate presidencial que ocorreria nesta quinta-feira (1º) depois de o senador Flávio Bolsonaro desistir de participar da sabatina. O presidente Lula (PT) já havia comunicado a emissora que não iria ao debate e daria entrevista ao Flow Podcast.

A decisão da Globo foi tomada após decisões do Judiciário que interferiram na logística inicial do debate. A ministra Estela Aranha, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), proibiu a exibição do púlpito vazio de Lula.

Já o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a participação do candidato Renan Santos (Missão), que não participaria da sabatina por não atingir o mínimo da intenção de votos proposta pela emissora para comparecer.

O Flow Podcast registrou, às 20h45, cerca de 400 mil espectadores na espera para a transmissão do petista.

Em nota, a TV Globo afirmou que a decisão de Estela Aranha sobre os púlpitos vazios torna inválido item das regras da emissora para o programa, "assinada por todos os partidos, inclusive o PT". Também cita a decisão de Gilmar para autorizar a participação de Renan Santos, afirmando ser contrária à lei estabelecida para convite a debates televisionados.

Para a emissora, as decisões interferem nas regras previamente acordadas, o que levou ao cancelamento do evento. Conforme a nota, foram impetrados recursos contra as duas decisões, mas a direção da Globo considerou não haver tempo hábil para revertê-las.

"Nosso dever é o de promover a democracia, mas as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais", afirmou a emissora.

A Globo transmitiu a novela "Quem Ama Cuida" no lugar do debate entre os candidatos.

Em nota, a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), a Aner (Associação Nacional de Editores de Revistas) e a ANJ (Associação Nacional de Jornais) disseram se solidarizar com a Globo e manifestaram indignação com o que chamaram de intervenção judicial nas regras do evento.

Afirmaram que "os excessos judiciais atropelaram o direito de os cidadãos terem acesso às propostas dos candidatos que, conforme prevê a lei eleitoral, já tinham sido convidados e se dispuseram a participar do debate".

"As entidades entendem que a interferência não se trata apenas de uma imposição de obrigações, sem previsões em lei, contra uma emissora privada. É, sobretudo, uma agressão à liberdade de imprensa ao forçar a condução do debate em desrespeito a regras acordadas há meses entre a emissora e os partidos", concluíram as associações.

Os candidatos à Presidência da República que foram à TV Globo nesta quinta atribuíram a Lula o cancelamento do debate. "Nós estamos vendo a Justiça a serviço do Lula", afirmou Romeu Zema (Novo).

A assessoria do ex-governador de Minas Gerais ainda afirmou em nota lamentar o cancelamento do debate, e disse as decisões da Suprema Corte são "um desrespeito a milhões de brasileiros que esperavam a oportunidade de conhecer e comparar as propostas dos candidatos".

Ronaldo Caiado (PSD) chamou as decisões da Suprema de "uma afronta à democracia brasileira". "O Lula provocou tudo isso. Ele foi provocado pelo Flávio na minha cidade, em Goiânia, dizendo ‘vai lá que eu vou lhe enfrentar’. E bateu em retirada", disse o ex-governador goiano.

Augusto Cury (Avante) questionou se "o teatro da política precisa de um psiquiatra" assim que chegou à sala de imprensa após o cancelamento do evento.

Já o petista criticou o formato de debate das televisões para justificar a ausência. A afirmação foi feita em entrevista ao Flow Podcast.

"Eu há tempos tenho questionado os debates da Globo", declarou o petista, que disse não gostar do tipo do debate promovido pela emissora. "Você não pode levar uma pessoa que tem 49% a debater com o que tem 1%", destacou, citando o seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e o chamando de "desqualificado".

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