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Lula promete a empresários fazer o possível para reduzir juros e reclama de descrença sobre questão fiscal

Lula promete a empresários fazer o possível para reduzir juros e reclama de descrença sobre questão fiscal

Por Catia Seabra, Adriana Fernandes e Mariana Brasil/Folhapress

01/09/2026 às 06:48

Foto: Ricardo Stuckert/Arquivo/PR

Imagem de Lula promete a empresários fazer o possível para reduzir juros e reclama de descrença sobre questão fiscal

O presidente Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, na noite desta segunda-feira (31), a empresários que fará tudo o que estiver a seu alcance para a redução da taxa de juros no país. O petista reafirmou, no entanto, que não abre mão de compromissos sociais.

Os temas centrais apontados pelos presentes no jantar foram a preocupação com a situação fiscal do país e a segurança pública, segundo um dos participantes. Conforme os relatos dos convidados ouvidos pela Folha, o jantar teve um ambiente amistoso e cordial.

A lista de presentes incluiu Joesley Batista, da J&F, Rubens Ometto, da Cosan, presidentes de bancos públicos e privados e representantes de empresas de plano de saúde. Entre os banqueiros estavam Luiz Carlos Trabuco Cappi, do Bradesco, Roberto Setubal, do Itaú Unibanco, e André Esteves, dono do BTG Pactual.

A lista de convidados buscou contemplar diferentes setores do empresariado, como saúde, educação e combustíveis. O encontro se deu no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência, por cerca de 3 horas.

O movimento do petista é paralelo a reuniões de dirigentes de empresas com o principal adversário do petista na eleição presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os convites para os empresários jantarem com Lula foram feitos antes de as reuniões do senador com grandes atores da economia, na semana passada, se tornarem públicas.

Segundo relatos, o presidente disse que resistia a se reunir com representantes do empresariado e setor financeiro por causa dos questionamentos feitos sobre os compromissos fiscais de seu governo. Após listar números de suas gestões anteriores e da atual, Lula perguntou o que os presentes gostariam de ouvir dele como prova de seu comprometimento.

Lula encerrou o jantar após uma explanação do vice, Geraldo Alckmin. Segundo presentes, Alckmin foi enfático ao pregar um ajuste rigoroso com vistas à queda dos juros. A expansão dos gastos públicos no governo Lula amplia o déficit do Tesouro e pressiona a inflação. Para conter preços, o Banco Central mantém juros elevados.

Os ministros Dario Durigan (Fazenda) e Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento) falaram, além do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Segundo relato de um convidado, Lula disse que os bancos públicos têm feito seu papel, mas que a questão dos juros altos não depende só dele. Ele citou que a independência do Banco Central e afirmou que deve haver haver uma compatibilização entre a política monetária e a fiscal.

Ao falar, Lula disse que os comensais deveriam definir que futuro eles desejavam para o país. Ele sugeriu que começassem a comparação pelos vices, acrescentando que aquela era a dupla capaz de levar o país para o crescimento com responsabilidade.

Uma das frases do presidente foi a de que o "Brasil cresce com ele". Lula chegou a brincar, afirmando que tem muita sorte, porque toda vez que ele está no governo, o Brasil cresce acima de 3%.

O petista reforçou que o que o povo precisa é crescimento do Brasil, com inclusão. O discurso dele foi aplaudido. Lula disse que foi o melhor jantar que ele já fez em muito tempo.

Os empresários se queixaram do loteamento político de agências e órgãos, como o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e a CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Ainda conforme o relato dos presentes, temas como o tarifaço de Donald Trump e a dívida pública foram abordados de forma lateral no encontro. A última temática voltou ao centro do debate após Lula ter declarado, em sabatina à TV Globo, não estar preocupado com a dívida pública.

De acordo com pessoas a par, o cardápio para os convidados contou com ravioli de lagosta com bisque de camarão como entrada e mais duas opções de prato principal: peixe (lombo de robalo com crosta de ervas) ou carne vermelha (carré de cordeiro com crosta de ervas e mostarda). De sobremesa, foram servidos suflê de chocolate com sorvete de baunilha, panacota de baunilha com compota de frutas amarelas.

Na refeição, também foram servidos vinho e café.

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