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'Me desculpe, Eduardo Paes, mas agora sou filha da melhor cidade do Brasil', diz carioca Luisi Valadão ao receber cidadania soteropolitana
'Me desculpe, Eduardo Paes, mas agora sou filha da melhor cidade do Brasil', diz carioca Luisi Valadão ao receber cidadania soteropolitana
Por Redação
26/08/2026 às 13:50
Atualizado em 26/08/2026 às 15:51
Foto: Divulgação
A entrega do Título de Cidadã de Salvador aconteceu na tarde da última terça-feira (25)
Carioca de nascimento e baiana de coração, Luisi Valadão fez questão, já nas primeiras palavras do discurso, de pedir licença à própria certidão de nascimento. "Espero que minha certidão de nascimento me perdoe, mas o coração, há muito tempo, já tinha providenciado outro registro", afirmou, arrancando aplausos dos presentes na sessão de entrega do Título de Cidadã de Salvador, na tarde de terça-feira (25), no Centro de Cultura do Poder Legislativo soteropolitano.
O primeiro contato com a Bahia aconteceu no início dos anos 2000. O que começou como uma viagem, segundo ela própria, foi, na verdade, um encontro. "Eu já era apaixonada pela música e pela cultura baiana. Já havia sido tocada, de longe, por essa terra através de seus artistas, de seus sons, de suas histórias", disse. "Mas uma coisa é conhecer a Bahia através da música. Outra coisa é estar aqui e permitir que ela aconteça diante de você."
Durante a sessão, Luisi Valadão recebeu uma homenagem em vídeo do cantor e compositor Carlinhos Brown, nome citado por ela no discurso como um dos símbolos da potência cultural da cidade. No texto, ela descreveu Brown como o artista que "fez do tambor linguagem, movimento, comunidade e invenção". A presença simbólica do musicianário ganhou peso ainda maior diante das palavras da homenageada sobre os tambores baianos: "aqui parece saber coisas que a palavra ainda não conseguiu explicar".
Ao longo do discurso, Luisi destacou uma constelação de nomes da cultura baiana que ajudaram a moldar sua relação com a cidade. “de Mãe Menininha do Gantois, a Jorge Amado, de Maria Bethânia a Gilberto Gil e Caetano Veloso, passando por Pitty e pelas novas vozes femininas como Melly e Cacá Magalhães”, listou Luisi.
"A Bahia cura"
Se há um trecho que sintetiza a relação de Luisi com a capital baiana, é a recomendação que ela diz fazer aos amigos: "Está bem? Vá para a Bahia. Está mal? Vá para a Bahia. Está triste? Vá para a Bahia. Está feliz? Vá para a Bahia. Na dúvida, vá para a Bahia". Para ela, há "alguma coisa aqui que reorganiza a gente por dentro". E arrisca uma explicação: "Talvez seja o mar, talvez seja o dendê, talvez seja a fé. Talvez seja o tambor".
A homenageada também abordou com profundidade a dimensão espiritual da cidade. Contou que sua relação com o Candomblé ganhou outro corpo a partir da Bahia. "Não porque tenha começado aqui, mas porque aqui ela se aprofundou, ganhou corpo, referência, pertencimento e presença", destacou a homenageada.
Trabalho como forma de retribuição
Além da dimensão afetiva, Luisi Valadão destacou o elo profissional construído com a cidade. Empresária do setor cultural, ela atua na divulgação de artistas e projetos baianos, com o que define como "empenho, determinação e, sobretudo, respeito". Para ela, comunicar a cultura soteropolitana"é ajudar a ampliar o alcance de vozes que merecem ser ouvidas. É fazer uma criação nascida aqui atravessar fronteiras".
Entre os projetos citados, destacou o Artivismo, conferência realizada no ano passado em Salvador, que reuniu arte, ativismo, pensamento e cultura. "Enquanto pessoas se encontravam em Salvador para discutir o mundo, nós tínhamos também a missão de fazer o mundo olhar para Salvador", disse. Citou ainda a parceria com Mano Góes em trabalhos ligados à Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA) e a colaboração com artistas como Ayrson Heráclito.
Luisi Valadão encerrou o discurso com a imagem que, segundo ela, melhor explica o vínculo: o momento em que o avião começa a descer sobre a Baía de Todos-os-Santos e algo dentro dela diz "cheguei". "Não apenas à cidade que escolhi amar. Mas à cidade que, ao longo de tantos anos, também escolheu me acolher. Cheguei à minha Salvador", disse.
E foi nesse tom que ela se dirigiu, com bom humor, ao prefeito carioca: "Desculpe, Eduardo Paes, mas agora sou filha da melhor cidade de todo o Brasil".
Ao vereador Daniel Alves, proponente da honraria, Luisi deixou um agradecimento especial. "Por representar a Mesa Executiva desta Casa nesta Sessão Solene". E à Câmara Municipal, o reconhecimento por ter colocado no papel "uma história que meu coração começou a escrever há mais de duas décadas".
1 Comentário
juscelino
•
27/08/2026
•
12:17
