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Dólar fecha a R$ 5,18, no maior nível em mais de 2 meses; Bolsa cai com os ataques entre Israel e Irã

Dólar fecha a R$ 5,18, no maior nível em mais de 2 meses; Bolsa cai com os ataques entre Israel e Irã

Investidores acompanham desdobramentos dos bombardeios entre os dois países no Oriente Médio

Por Folhapress

08/06/2026 às 20:00

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de Dólar fecha a R$ 5,18, no maior nível em mais de 2 meses; Bolsa cai com os ataques entre Israel e Irã

Dólar fechou em alta de 0,5% nesta segunda-feira (8)

O dólar fechou em alta de 0,5% nesta segunda-feira (8), a R$ 5,180, o maior nível desde 17 de março, quando a moeda americana fechou em R$ 5,199. Principal índice brasileiro, o Ibovespa caiu 0,30%, a 168.672 pontos, segundo dados preliminares.

As taxas de juros dos contratos DIs (Depósitos Interfinanceiros) voltaram a subir, diante da avaliação de que aumentaram as chances de o Banco Central interromper o ciclo de corte da taxa básica de juros neste mês ou na reunião seguinte, em agosto.

Os investidores reagiram nesta segunda ao aumento do risco geopolítico, com a retomada dos ataques entre Israel e Irã, que acabaram com o cessar-fogo que começou em 7 de abril, e à preocupação com um cenário de juros maiores nos Estados Unidos.

A retomada dos bombardeios entre os dois países levou o preço do petróleo a disparar mais de 5% nesta manhã, com o aumento do temor pela interrupção do fornecimento da commodity.

Para Fabio Louzada, economista, planejador financeiro e fundador da B7 Business School, os investidores seguem monitorando os desdobramentos da política comercial dos Estados Unidos. "A manutenção das tensões envolvendo tarifas e comércio internacional continua alimentando preocupações sobre crescimento global e inflação mais alta."

Ele afirma ainda que o mercado também acompanha a trajetória dos juros americanos. "A sinalização de manutenção de juros elevados por mais tempo fortalece o dólar globalmente e reduz o interesse por mercados emergentes."

Na sexta-feira (5), o dólar havia fechado em alta de 1,76%, a R$ 5,155, e a Bolsa caiu 0,76%, a 169.019 pontos.

O movimento foi puxado pela geração de empregos acima do esperado nos Estados Unidos. Segundo o Departamento do Trabalho, foram gerados 172 mil postos de trabalho no mês passado, bem acima dos 85 mil projetados por economistas ouvidos pela Reuters.

O número deu força à percepção de que o Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) deverá trabalhar com taxas de juros mais elevadas, ainda mais considerando a guerra no Oriente Médio. Essa leitura impulsionou os rendimentos das Treasuries, títulos de renda fixa dos EUA.

"Os dados ainda afastam o fantasma de recessão nos EUA, mas podem ter um efeito de 'good news is bad news' [boas notícias são más notícias], à medida que pode motivar o Fed a apertar os cintos e manter juros altos por ainda mais tempo, conforme um mercado de trabalho aquecido tende a pressionar a inflação", ponderou a estrategista-chefe da Nomad, Paula Zogbi.

A probabilidade do Fed aumentar a taxa em dezembro, segundo o mercado de juros futuros dos EUA, subiu para 65%, ante 48% antes da publicação dos números.

A leitura de "boas notícias são más notícias" se baseia em uma das teses mais comuns no mercado global.

Como a economia norte-americana é a maior do mundo, a renda fixa de lá é quase como um investimento livre de risco. Quando os juros dos EUA estão elevados, as Treasuries sobem —e operadores retiram parte dos recursos aplicados em ativos mais arriscados, como os de mercados emergentes, para apostar no baixo risco e alto retorno.

A próxima reunião do Fed ocorrerá entre 16 e 17 de junho, sendo a primeira sob o comando do novo presidente da autarquia, Kevin Warsh, que foi indicado por Donald Trump, crítico do antecessor Jerome Powell.

Além dos resultados de emprego, o Fed também leva em consideração a inflação elevada, que aumentou no ritmo mais rápido em três anos em abril, impulsionada pelos preços mais altos da energia em meio à guerra com o Irã.

O índice de preços PCE subiu 3,8% nos 12 meses até abril, maior aumento desde maio de 2023, conforme o Escritório de Análises Econômicas do Departamento de Comércio. Referência usada pelo Fed, o PCE estava em 3,5% em março.

Nesta sexta, Trump voltou a defender a redução da taxa de juros, mas disse que deixará a decisão sobre um possível corte para o novo presidente do Fed.

Trump criticou seguidamente Powell pela manutenção dos juros acima de 3%. O republicano defende que a taxa deveria estar entre 1% e 1,5%, bem abaixo do patamar atual entre 3,5% e 3,75%.

JUROS FUTUROS EM ALTA

As taxas de juros dos contratos DIs (Depósitos Interfinanceiros) fecharam a segunda-feira em alta. Foi a sexta sessão consecutiva de elevação na curva de juros brasileira, com os investidores aumentando as apostas de que o Banco Central cortará menos a taxa básica de juros (Selic), que está hoje em 14,50% ao ano.

No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,845%, ante 14,644% da sessão anterior. A taxa para janeiro de 2035 estava em 14,68%, ante 14,652% na sexta.

"Nos últimos 30 dias tem ocorrido forte reprecificação das curvas de juros globais após as taxas de inflação ao produtor mais altas registradas na China, Japão, EUA, zona do euro e Brasil", diz em relatório o diretor de pesquisa econômica do Banco Pine, Cristiano Oliveira, defendendo que este processo ainda não terminou.

No Brasil, desde 29 de maio instituições financeiras intensificaram as mudanças em suas projeções para a inflação e a Selic, na esteira do resultado robusto do PIB (Produto Interno Bruto) e de outros indicadores divulgados posteriormente.

No mercado de renda fixa, isso tem se traduzido nas apostas de uma Selic mais elevada do que o originalmente projetado.

Na última quinta-feira, as opções de Copom negociadas na B3 precificavam 53,05% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base da Selic neste mês, contra 45,5% de chance de manutenção da taxa básica em 14,50%.

Uma semana antes, em 28 de maio, os percentuais eram de 82,5% para corte de 25 pontos-base e 13,75% para manutenção.

Para a decisão seguinte, em agosto, as apostas na paralisação do ciclo já são majoritárias: 77% para manutenção da Selic e 16,1% para corte de 25 pontos-base.

"Mantemos a estimativa de que o Copom deverá interromper o ciclo de calibração com a Selic em 14% ao ano, mantendo-a neste patamar até que as expectativas de inflação convirjam para patamar próximo ao centro da meta no horizonte relevante", disse Oliveira. "Ainda assim, reconhecemos que o balanço de riscos passou a apontar para uma probabilidade crescente de interrupção do ciclo já na reunião de 17 de junho, embora este ainda não seja nosso cenário-base."

GUERRA

O cenário de guerra no Oriente Médio tampouco trouxe alívio. Na quinta-feira, com o mercado brasileiro fechado por conta do feriado de Corpus Christi, o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, rejeitou um novo cessar-fogo no Líbano, enquanto Israel disse que não iria retirar as tropas do país.

Essas decisões minam um possível entendimento entre Teerã e Washington, já que o Irã vem considerando o cessar-fogo entre Israel e Hezbollah como requisito para um acordo de paz com os EUA.

Publicamente, Trump tem tentado afastar a ideia de impasse. Na quarta, ele afirmou que o Irã "concordou em não ter armas nucleares" e que deve se encontrar com o líder supremo do país persa, Mojtaba Khamenei.

"Eles já concordaram que não vão ter armas nucleares", afirmou o presidente americano, sem entrar em detalhes. A interrupção do programa nuclear iraniano é considerada um dos principais impasses entre os países, e o regime vinha demonstrando resistência em relação ao tema.

O conflito paralisa as cadeias de suprimento globais e o tráfego do estreito de Hormuz, via marítima responsável por 20% de todo o petróleo e gás natural produzidos no mundo.

"Esse cenário reforça a percepção de que as negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã esfriaram e de que não há indicações de uma solução rápida para o conflito", diz Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX.

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