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Guerra já afetou em março os preços de alguns itens no Brasil, avalia IBGE

Guerra já afetou em março os preços de alguns itens no Brasil, avalia IBGE

Por Daniela Amorim, Estadão Conteúdo

10/04/2026 às 17:13

Atualizado em 10/04/2026 às 16:17

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Arquivo

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O gerente do IBGE explica que o avanço é reflexo tanto de uma redução de oferta de alguns produtos como de um encarecimento do frete

A guerra dos Estados Unidos e Israel no Oriente Médio já afetou em março os preços de alguns itens no Brasil, segundo Fernando Gonçalves, gerente do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O IPCA subiu 0,88% em março.

Gonçalves afirmou que em alguns subitens apurados, sobretudo nos combustíveis, já há efeito das incertezas no cenário internacional.

Ele lembra que houve reajuste de combustíveis em refinarias pela Petrobras, em meio à alta do petróleo no mercado internacional, e que o fechamento do Estreito de Ormuz começava a afetar abastecimento global. Como consequência, os combustíveis ficaram mais caros.

O aumento de 4,59% na gasolina em março exerceu a maior pressão sobre a inflação oficial no País, uma contribuição de 0,23 ponto porcentual. O óleo diesel saltou 13,90% em março, com impacto de 0,03 ponto porcentual no mês. O etanol subiu 0,93%, enquanto o gás veicular recuou 0,98%. Na média, os combustíveis encareceram 4,47% em março.

A alta na gasolina em março foi a mais acentuada desde julho de 2023, quando tinha aumentado 4,75%. Já a elevação do diesel em março foi a mais aguda desde novembro de 2002, quando subiu 14,63%.

"Sem a gasolina, o IPCA de março teria sido de 0,68%. Sem os combustíveis, o IPCA de março teria sido de 0,64%", calculou Gonçalves.

O pesquisador explica não ter como medir um eventual efeito de subvenção do governo ao diesel, porque o IBGE capta o preço do combustível que chega efetivamente ao consumidor.

Quanto à continuidade do conflito no Oriente Médio, caso afete as cadeia de combustíveis, pode impactar novamente os preços na inflação de abril. "Se tiver menor oferta de combustível internamente, é possível que tenha preço maior", apontou.

Os grupos Transportes e Alimentação e bebidas responderam juntos por 76% do IPCA. Os alimentos para consumo em casa tiveram uma alta de 1,94% em março, a maior desde abril de 2022, quando subiram 2,59%. O gerente do IBGE explica que o avanço é reflexo tanto de uma redução de oferta de alguns produtos como de um encarecimento do frete, em decorrência dos combustíveis mais caros.

Para o IPCA de abril, além de possíveis efeitos da guerra sobre alguns itens, a inflação deve apropriar os reajustes de energia elétrica no Rio de Janeiro e de água e esgoto em Goiânia, além do reajuste autorizado nos medicamentos e a alta esperada no cigarro, que teve elevação de tributos para compensar a redução no querosene de aviação.

"O cigarro tem que ver como vai ficar, tem muito peso no IPCA, 0,59% de peso", acrescentou o pesquisador.

 

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