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Cármen Lúcia levou quatro meses para pautar cassação do governador do Rio de Janeiro no TSE

Cármen Lúcia levou quatro meses para pautar cassação do governador do Rio de Janeiro no TSE

Dados da Corte contradizem magistrada, que afirmou ter atuado de forma célere

Por Mônica Bergamo/Folhapress

11/04/2026 às 09:00

Foto: Alejandro Zambrana/TSE/Arquivo

Imagem de Cármen Lúcia levou quatro meses para pautar cassação do governador do Rio de Janeiro no TSE

A presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministra Cármen Lúcia

A ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) Cármen Lúcia demorou quatro meses para levar o processo de cassação do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, a julgamento no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) depois que ele foi liberado para a análise do plenário.

Como presidente da Corte eleitoral, é ela quem decide a pauta de julgamentos.

Nesta semana, ao trocar farpas com o ministro Gilmar Mendes sobre o tempo que o TSE levou para julgar o caso, Cármen reagiu e afirmou que atuou de forma célere. Segundo ela, assim que a ministra Isabel Gallotti, então relatora do caso, liberou o processo, ele "imediatamente foi colocado [em julgamento]".

Os dados do próprio tribunal, no entanto, contradizem a magistrada.

Gallotti liberou o processo para julgamento no dia 27 de junho. Cármen Lúcia só o levou à votação no dia 4 de novembro.

A reportagem procurou a ministra por meio da assessoria do STF, mas ainda não obteve resposta.

A discussão entre ela e Gilmar Mendes ocorreu quando o Supremo decidia se, com a renúncia de Cláudio Castro na véspera do julgamento de sua cassação no TSE, a eleição para substituí-lo será direta ou indireta.

Mendes afirmou que a lentidão do julgamento no TSE teria levado a "perplexidades" e "dúvidas" que hoje dificultam a decisão dos ministros do STF sobre as eleições.

A confusão se estabeleceu porque a lei estadual do Rio de Janeiro determina eleições indiretas para quando os cargos de governador e vice ficam vagos, quando um mandatário sai do cargo por opção própria.

Já quando ele é cassado, as eleições são diretas.

Castro saiu, em tese, por opção. Mas como fez isso na véspera do julgamento no TSE, a PGR (Procuradoria-Geral da República) concluiu que ele deixou o cargo, na verdade, porque seria cassado.

O pleito, portanto, deveria seguir as regras da cassação, com eleições diretas.

Para Mendes, se o processo no TSE não tivesse se alongado tanto, essas dúvidas já estariam solucionadas e as eleições já teriam sido até realizadas.

A decisão sobre o pleito no Rio foi adiada por pedido de vista do ministro Flávio Dino. O placar estava 4 a 1 a favor de eleições indiretas.

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