Ex-diretor do BC é alvo da PF junto com Vorcaro
Por Mônica Bergamo/Folhapress
04/03/2026 às 08:39
Foto: Marcello Casal Jr./Arquivo/Agência Brasil
Sede do Banco Central
A PF (Polícia Federal) fez uma operação de busca e apreensão na casa de um ex-diretor do Banco Central e de um servidor que estariam envolvidos com as fraudes do Banco Master. Eles foram incluídos na nova fase da Operação Compliance Zero, que prendeu o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Um dos alvos foi o ex-diretor de fiscalização do BC Paulo Sérgio Neves de Souza. O outro foi Bellini Santana. Ambos foram afastados de suas atuais funções na instituição por determinação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça.
Souza comandou a diretoria de fiscalização do BC de 2019 a 2023, quando Roberto Campos Neto era presidente da instituição. Foi ele que assinou a autorização da compra do Banco Máxima por Daniel Vorcaro, que rebatizou a instituição financeira como Banco Master.
Os dois servidores do BC já haviam sido afastados das funções pelo atual presidente do BC, Gabriel Galípolo. A decisão, no entanto, era administrativa. Agora, ela é judicial.
Funcionários concursados, ambos haviam sido obrigados a pedir afastamento de seus cargos de chefias de departamentos de supervisão bancária em janeiro. Foram os últimos cargos que ocuparam.
Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza tiveram que deixar suas funções, já naquela época, depois que o Banco Central abriu investigação interna para apurar detalhes dos eventos anteriores e posteriores à liquidação do Banco Master.
Neves de Souza está no Banco Central desde 1998. Ele é economista formado pela PUC-SP, com MBA em risco pela Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), da USP.
Comandou diversas áreas do Banco Central desde 2005. Foi supervisor, gerente técnico e chefe de divisão do Desup (Departamento de Supervisão Bancária), chefe de departamento da Degef (Departamento de Gestão Estratégica, Integração e Suporte da Fiscalização) e do Difis (Diretoria de Fiscalização).
Já Belline Santana era visto no passado como candidato natural para substituir Ailton de Aquino Santos na diretoria de fiscalização, possibilidade enterrada com as suspeitas de seu envolvimento no caso Master.
