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Acordo comercial entre Brasil e Índia não precisa ser feito com dólar, afirma Lula em Nova Déli
Acordo comercial entre Brasil e Índia não precisa ser feito com dólar, afirma Lula em Nova Déli
Presidente defende que nações usem a moeda mais vantajosa para suas economias
Por Victoria Damasceno/Folhapress
20/02/2026 às 17:00
Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que o Brasil está disposto a negociar em outras moedas com parceiros comerciais, e que os países não devem depender do dólar.
"Eu defendo que não é necessário que um acordo comercial entre Brasil e Índia tenha que ser feito em dólares americanos, o que eu defendo é que nós podemos usar nossas próprias moedas. É difícil? Sim, é difícil, mas podemos tentar. Ninguém tem que depender do dólar", afirmou o presidente em entrevista ao canal India Times nesta sexta-feira (20).
Segundo o presidente, embora o dólar seja a principal moeda do mundo, os países devem considerar o que é mais vantajoso para suas economias.
"Não é uma fantasia, não é algo que nós podemos fazer da noite para o dia. Mas é uma coisa que precisamos começar a pensar", declarou. "Nós precisamos usar o dólar? Essa é a questão que precisa ser respondida".
O presidente concedeu a entrevista durante sua passagem por Nova Déli, na Índia, para a Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial que ocorre nesta semana. Lula foi convidado para participar do evento pelo primeiro-ministro Narendra Modi e também realizará uma visita de Estado.
Desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou a imposição de tarifas para diversos países, entre eles o Brasil, nações têm discutido formas de depender menos das exportações para os EUA e do dólar.
"O que nós queremos é ver se é possível negociar com a China com a moeda brasileira e chinesa. Se é possível negociar com a Europa usando moedas europeias. Se é possível, e nossos bancos centrais, nossas reservas federais e nossos ministérios da economia entenderem que isso é possível, e pode trazer vantagem para os países, então você começa a colocar em prática para ver se isso funciona".
As falas de Lula se alinham a outras ambições, como o plano do líder chinês Xi Jinping de realizar negociações em yuan para fazer frente ao domínio global do dólar. Um dos principais objetivos da China para os próximos anos é criar um sistema financeiro forte o suficiente para torná-lo uma moeda de reserva global.
Trump vê essas iniciativas como uma ameaça à liderança econômica dos EUA.
Lula também falou sobre os assuntos que pretende discutir com o americano na reunião bilateral prevista para março em Washington, entre eles o combate ao narcotráfico e a exploração de minerais críticos e terras raras.
As negociações sobre a exploração dos minérios, segundo o presidente, serão pautadas pela manutenção da soberania brasileira, de modo que a mineração e o processamento sejam mantidos no Brasil como forma de estimular a indústria local.
"E nós venderemos para quem nós quisermos vender, nós não aceitaremos imposições. Essas coisas só poderão ser resolvidas em torno de uma mesa de negociação".
