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Trump afirma que fará acordo com Groenlândia 'por bem' ou 'por mal'

Trump afirma que fará acordo com Groenlândia 'por bem' ou 'por mal'

'Se não conseguirmos fazer da forma fácil, faremos da difícil', disse o presidente em reunião na Casa Branca

Por Folhapress

09/01/2026 às 21:05

Atualizado em 10/01/2026 às 00:04

Foto: Reprodução/Instagram

Imagem de Trump afirma que fará acordo com Groenlândia 'por bem' ou 'por mal'

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira (9) que completará "por bem" ou "por mal" seu objetivo de que a Groenlândia, hoje território semiautônomo dinamarquês, seja dos Estados Unidos.

"Quero chegar a um acordo por bem. Mas, se não conseguirmos fazer da forma fácil, faremos da difícil", disse Trump em uma reunião na Casa Branca com executivos da indústria petrolífera americana.

O presidente afirmou que o controle da ilha rica em minerais é "crucial" para a segurança nacional dos EUA, citando um aumento da atividade militar da Rússia e da China no Ártico.

Obsessão antiga de Donald Trump retomada após a captura do ditador Nicolás Maduro em Caracas, a Groenlândia tem uma trinca de fatores principais a orientar a investida do presidente americano sobre o local, um território autônomo da Dinamarca.

O primeiro motivo são as riquezas minerais que teoricamente poderão ser acessadas com a aceleração do aquecimento global negado por Trump. Entre os elementos presentes se destacam as terras raras, motivo de cobiça global e outra fixação do presidente —afinal, a China controla a maior parte das reservas globais. Esses elementos são vitais para a indústria de tecnologia, com amplas aplicações militares.

Um segundo motivo é o controle potencial de rotas marítimas em caso de conflito. Passam perto da Groenlândia caminhos que o aquecimento global abre mais a cada ano no oceano Ártico.

Há ainda a questão estratégica. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, Washington dá atenção especial ao local. Os Estados Unidos tentaram comprar pela primeira a Groenlândia na época, para evitar que os nazistas que tomaram a Dinamarca chegassem perto do país norte-americano.

Por diversas vezes o mandatário americano ameaçou tomar a ilha. Em 2025, a ameaça ganhou maior repercussão após o vice-presidente J. D. Vance anunciar uma polêmica visita acompanhado de sua esposa, Usha, e de altos funcionários do governo Trump. Em resposta, Copenhague logo informou que a delegação americana não recebeu qualquer convite para visitar o território, seja de forma privada ou oficial.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Vance se limitou a dizer que vários países estão ameaçando a Groenlândia, usando o território e vias navegáveis para intimidar os EUA, o Canadá e o povo da ilha. Ele se referia, de forma indireta, a Rússia e China, que intensificaram suas atividades militares na região nos últimos anos.

Oficialmente, o motivo da viagem seria uma visita à Base Espacial Pituffik, instalação operada pelos EUA no noroeste da Groenlândia e um dos locais militares mais importantes estrategicamente do mundo. Cerca de 150 integrantes da Força Aérea e da Força Espacial dos EUA atuam de forma permanente no local.

Os governos da Groenlândia e da Dinamarca têm se oposto a qualquer tentativa de tomada do território autônomo pelos americanos. No fim de janeiro, uma pesquisa encomendada pelo jornal dinamarquês Berlingske e pela publicação groenlandesa Sermitsiaq apontou que 85% da população local (a ilha tem 57 mil habitantes) não querem fazer parte dos EUA.

As relações entre Groenlândia e Dinamarca têm enfrentado tensões após revelações recentes de maus-tratos históricos contra os groenlandeses durante o período colonial. No entanto, o interesse de Trump em controlar a Groenlândia, dentro de uma crescente disputa de influência no Ártico, levou a Dinamarca a acelerar os esforços para melhorar os laços com o território.

A Dinamarca é, ainda, parte da Otan, aliança militar do Ocidente com 32 membros que nunca viu um de seus integrantes atacar diretamente o outro. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, já afirmou que uma eventual ação dos EUA contra a Groenlândia iria acabar com a organização.

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