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Sem criticar regime, Brasil lamenta mortes no Irã e diz que cabe aos iranianos decidir futuro do país
Sem criticar regime, Brasil lamenta mortes no Irã e diz que cabe aos iranianos decidir futuro do país
Manifestação ocorre duas semanas após início de manifestações
Por Augusto Tenório/Ricardo Della Coletta/Folhapress
13/01/2026 às 18:00
Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil/Arquivo
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lamentou, nesta terça-feira (13), as mortes registradas em protestos no Irã e afirmou que cabe apenas aos iranianos decidir o futuro do país.
Em nota, o Itamaraty disse ainda que acompanha com preocupação os protestos e que não há notícias de brasileiros entre os mortos e feridos.
"Ao sublinhar que cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país, o Brasil insta todos os atores a se engajarem em diálogo pacífico, substantivo e construtivo", disse o Ministério das Relações Exteriores no comunicado.
Cerca de 2.000 manifestantes morreram no Irã desde 28 de dezembro, quando começou a atual onda de protestos contra o regime teocrático, segundo a organização de direitos humanos Hrana, com sede nos Estados Unidos.
A contagem expõe um aumento significativo nos últimos dias da repressão ao movimento iniciado no final de dezembro, quando então era apenas uma insatisfação de comerciantes do Bazar de Teerã com a desvalorização do rial, a moeda local, e a inflação crescente.
Teerã não divulga balanço oficial de mortos, sejam manifestantes ou membros das forças de segurança, mas o mesmo número de 2.000 vítimas já havia sido passado à agência Reuters por um funcionário do próprio regime, culpando o que chamou de terroristas pela escalada da violência.
O comunicado do governo Lula é curto e não faz nenhuma crítica ao regime iraniano.
De acordo com membros do governo Lula com conhecimento do assunto, ainda é preciso entender em que medida a atual onda de protestos se diferencia de outros movimentos antirregime no passado.
Além do mais, o Brasil e o Irã são membros do Brics, outro fator que, segundo interlocutores, dificulta manifestações mais incisivas por parte do governo Lula.
O apelo do Itamaraty contra interferências externas no Irã ocorreu horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter instado os manifestantes a "tomarem as instituições" no país.
"Patriotas iranianos, CONTINUEM A PROTESTAR —TOMEM SUAS INSTITUIÇÕES!!! Guarde os nomes dos assassinos e abusadores. Eles pagarão um grande preço. Eu cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que essa matança sem sentido de manifestantes ACABE. AJUDA ESTÁ A CAMINHO. MIGA!!! [Make Iran Great Again]", escreveu Trump na rede Truth Social, com as habituais letras maiúsculas.
Pelo lado comercial, as relações entre Brasil e Irã são marcadas por um fluxo muito superior de exportações do que importações. O país vendeu US$ 2,9 bilhões aos iranianos, sendo milho e soja os principais itens.
No caminho contrário, o Irã vendeu US$ 84,6 milhões para o Brasil.
Do lado político, a relação de Lula com o regime iraniano já lhe rendeu críticas, principalmente no final do seu segundo mandato, quando houve um movimento de aproximação do petista com o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad.
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