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PF prevê conclusão rápida de inquérito sobre fraudes do Master

PF prevê conclusão rápida de inquérito sobre fraudes do Master

Por Adriana Fernandes, Folhapress

13/01/2026 às 16:18

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de PF prevê conclusão rápida de inquérito sobre fraudes do Master

Investigadores avaliam que provas colhidas já permitirão produção de relatório após depoimentos

Investigadores da Polícia Federal afirmam que o inquérito sobre as suspeitas de fraude praticada pelo Master na venda de carteira de crédito para o BRB (Banco de Brasília) poderá ser concluído rapidamente.

Integrantes da corporação que acompanham os trabalhos avaliam que já foram colhidas provas robustas para tirar conclusões sobre a participação de acusados no esquema. Um dos agentes diz, sob condição de anonimato, que essa parte da apuração pode ser finalizada após os depoimentos dos investigados, previstos para o fim de janeiro e o início de fevereiro.

O inquérito deve permanecer concentrado num escopo restrito, com foco na compra pelo Master de carteiras atribuídas à empresa Tirreno e a posterior tentativa de venda do banco de Daniel Vorcaro para o BRB. Os fatos dessa apuração são considerados "simples" pelos investigadores.

Na avaliação desses agentes, inquéritos sobre outras pontas da operação do Master, como uma teia bilionária de fundos de investimentos, a carteira de créditos consignados, as relações com a gestora Reag e eventuais conexões políticas do caso, poderiam ficar para um segundo momento.

Como revelou a Folha, o BC identificou seis fundos de investimento suspeitos de fazer parte do esquema de fraude capitaneado pelo ex-banqueiro.

Segundo integrantes da PF, a conclusão da apuração seria possível porque os investigadores optaram por se concentrar nas relações Master-Tirreno-BRB, que envolveria a fabricação de créditos fraudulentos para inflar a carteira do Master que, em seguida, foi repassada ao BRB. O esquema envolveu crédito inexistentes de R$ 12,2 bilhões.

Por essa acusação, foram presos em 17 de novembro, além de Vorcaro, Augusto Ferreira Lima, ex-CEO e sócio do Master; Luiz Antônio Bull, diretor de Riscos, Compliance, RH, Operações e Tecnologia; Alberto Felix de Oliveira Neto, superintendente executivo de Tesouraria; e Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, sócio do banco.

Lima, Bull e Silva foram intimados a depor à PF entre os dias 26 e 28 de janeiro no âmbito das investigações relacionadas à tentativa de venda ao BRB. O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, também investigado, prestará depoimento na mesma época, assim como Vorcaro, cujo depoimento está previsto para o dia 27.

A PF ainda pode ampliar a apuração sobre a atuação de Vorcaro, do Master e de outros investigados, com a abertura de novos inquéritos. No entanto, a decisão dos agentes, por enquanto, é concentrar os esforços na apuração sobre as fraudes e evitar que uma única investigação se amplie indefinidamente com a inserção de fatos novos.

A corporação já iniciou apurações preliminares sobre a atuação de um exército de influenciadores para atacar a atuação do BC e a possível participação de Vorcaro na contratatação desses perfis. Como mostrou a Folha , pelo menos 46 perfis em redes sociais fizeram um bombardeio digital com ataques simultâneos contra o Banco Central e investigadores no caso do Banco Master.

Ainda não há inquérito aberto —as investigações estão em curso com um procedimento da PF chamado NCV (Notícia-Crime em Verificação). Uma das possibilidades é abrir um novo inquérito.

Outros inquéritos sigilosos sobre o Master já tramitam tanto no STF (Supremo Tribunal Federal) quanto na primeira instância. A investigação começou na Justiça do Distrito Federal, mas foi remetida ao Supremo depois de uma citação a um negócio imobiliário entre Vorcaro e o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA).

Agentes da PF afirmam ter provas de que Vorcaro pretendia fugir do país e que o anúncio de negociação para a venda do Master para a Fictor, poucas horas antes da sua prisão, era uma simulação e acabou servindo para desviar atenções sobre as suspeitas envolvendo o banqueiro.

O dono do Master foi preso pela PF, em São Paulo, quando se preparava para embarcar num voo para o exterior, com o argumento de que fecharia a venda para a Fictor em Dubai. A proposta sustenta a tese da defesa de Vorcaro de que o banco tinha condições de sobrevivência, sem que fosse necessário o BC decretar a liquidação do Master.

Os advogados do ex-banqueiro negam a fuga e dizem que ele estava viajando para fechar o negócio, mas investigadores ouvidos pela Folha afirmam que o jato particular tinha como primeira parada Malta, para tentar fugir do Brasil e evitar a prisão.

A defesa de Vorcaro tem usado como estratégia o argumento de que houve uma articulação entre BC, Ministério Público e PF para liquidar o banco naquele mesmo dia. Os investigadores sustentam, no entanto, que o BC é obrigado a informar os indícios de fraudes. Para um integrante da PF, essa seria uma tentativa de enfraquecer e desqualificar a atuação do BC ,

No comunicado divulgado no final da tarde do dia 17 de novembro, a Fictor informou que pretendia comprar o Master em conjunto com um consórcio formado por investidores dos Emirados Árabes Unidos que somam mais de US$ 100 bilhões em ativos sob gestão. Os nomes desses investidores não foram revelados.

Um integrante da PF a par do caso, que falou na condição de anonimato, indagou de forma irônica onde estaria o dinheiro dos árabes que nunca que apareceu. Esse é um dos focos das investigações.

Em comunicado divulgado nesta segunda-feira (12), a Fictor admite que tem enfrentado dificuldade de liquidez para honrar compromissos. A empresa, que chegou a anunciar ter dinheiro para comprar o Master, se comprometeu a regularizar a situação no dia 12 de fevereiro de 2026. "Nos próximos dias, anunciaremos a entrada de um investidor relevante no grupo."

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