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Manifestantes pedem delação de Vorcaro em ato contra o Master convocado pelo MBL
Manifestantes pedem delação de Vorcaro em ato contra o Master convocado pelo MBL
Ato também tem críticas ao ministro Dias Toffoli, responsável pelo caso no STF
Por Felipe Gutierrez/Folhapress
22/01/2026 às 21:00
Atualizado em 23/01/2026 às 00:35
Foto: Reprodução/Instagram
Manifestação foi convocada pelo MBL (Movimento Brasil Livre),
Centenas de pessoas se reuniram nesta quinta-feira (22) em frente à sede do Banco Master, na zona sul de São Paulo, para protestar contra o conglomerado de Daniel Vorcaro e a forma como o STF (Supremo Tribunal Federal) tem conduzido o processo que investiga a instituição.
A manifestação foi convocada pelo MBL (Movimento Brasil Livre), que também fundou o partido Missão. Entre os manifestantes há muitas pessoas com moletons e camisetas do partido.
Os manifestantes pedem prisão para Vorcaro, mas também há cantos com pedido para que o banqueiro faça uma delação premiada. Também houve gritos de "fora Banco Master", ainda que a instituição tenha sido liquidada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025.
Duas modelos foram contratadas por manifestantes fizeram uma performance bem na frente da entrada do banco. Elas e um homem com uma máscara do rosto de Vorcaro dançavam em cima de uma piscina de plástico com bolinhas, como se estivessem aproveitando um momento de lazer.
O engenheiro Paulo Henrique Lara, 45, afirma que investiu R$ 60 mil em títulos do Banco Master. Ele diz que foi à manifestação por entender que foi prejudicado, mas também por ser seguidor do MBL. Ele afirma que o banco poderia ter sido liquidado antes, mas isso não aconteceu porque os sócios da instituição eram influentes.
O ministro do STF Dias Toffoli é o segundo principal alvo dos manifestantes, que pedem impeachment. Toffoli é o responsável pelo caso Master no tribunal e sofreu críticas por sua condução das investigações.
Primeiro, o ministro impôs um severo regime de sigilo ao caso. Além disso, Toffoli chegou a viajar de jatinho com advogados da defesa do Master, e o jornal Folha de São Paulo revelou negócios que associam seus familiares a um fundo de investimentos ligado ao banco de Daniel Vorcaro.
A operação Compliance Zero —cujo principal alvo é o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro — começou na Justiça Federal em Brasília, mas subiu para o Supremo depois que a PF apreendeu um documento que cita o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), detentor de foro privilegiado.
Apesar das críticas, Toffoli descarta abandonar a relatoria das investigações. A interlocutores, o ministro afirmou que não existe razão para abdicar do processo, pois não se enquadra nas hipóteses objetivas de impedimento previstas em lei, nem tem qualquer motivo de foro íntimo para se declarar suspeito.
Desde o início, o ministro tem tentado acelerar procedimentos da investigação, enquanto mantém controle completo sobre os seus rumos, o que já causou atritos com a PF. A acareação que ocorreu em 30 de dezembro entre Vorcaro e o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa, por exemplo, foi marcada antes de serem tomados os depoimentos dos investigados.
Na última semana, Toffoli também decidiu que a PF, que pretendia tomar outros depoimentos do inquérito nas semanas entre o final de janeiro e o início de fevereiro, resumisse esse procedimento a dois dias. O cronograma ficou definido para os próximos dias 26 e 27.
Além disso, o ministro definiu, por conta própria, os peritos que vão analisar as provas obtidas na última fase da Compliance Zero, o que fez a própria PF pedir ajuda ao governo para questionar a decisão. A associação de delegados da corporação disse que as decisões do ministro são uma "afronta às prerrogativas" da categoria.
