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BRB tem 8 fundos ligados ao Master, com ativos que reúnem bares e imóveis dos Vorcaros e Ambipar

BRB tem 8 fundos ligados ao Master, com ativos que reúnem bares e imóveis dos Vorcaros e Ambipar

Ativos foram entregues para compensar parte das perdas que o banco estatal teve com a compra de R$ 12,2 bi em carteiras, segundo pessoas com conhecimento da operação

Por Lucas Marchesini/Adriana Fernandes/Folhapress

23/01/2026 às 19:15

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de BRB tem 8 fundos ligados ao Master, com ativos que reúnem bares e imóveis dos Vorcaros e Ambipar

Banco de Brasília (BRB)

O BRB (Banco de Brasília) tem participação em oito fundos de investimento que aparecem no esquema de fraudes do Banco Master. Com isso, o banco estatal se tornou sócio de uma teia com R$ 8 bilhões em ativos, de acordo com balanços da instituição comandada por Daniel Vorcaro e com um rastreamento feito pelo jornal Folha de São Paulo.

Dois desses fundos têm investimentos em negócios ligados a Vorcaro. Os ativos reúnem bares, restaurantes, um empreendimento imobiliário do qual a irmã do ex-banqueiro é sócia e ações da Ambipar.

Os fundos Cartago, CMX Realty III, Jeitto, Kyra, Strelitzia, Supreme Realty, Tessalia e Texas I são listados pelo Banco Central como parte do conglomerado do BRB. Isso significa que eles têm como cotista o banco estatal.

Os investimentos do banco de Brasília nesses fundos mostram um tipo de ligação até então desconhecido entre o BRB e o banco de Vorcaro, liquidado em novembro pelo Banco Central.

Segundo pessoas com conhecimento das operações, alguns desses fundos foram entregues ao BRB para compensar parte das perdas que o banco estatal teve com a compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito podres do Master.

A participação do BRB em fundos identificados na teia do Master está na mira da auditoria externa contratada pelo banco estatal de Brasília para levantar os problemas na relação com o banco de Daniel Vorcaro, segundo apurou a Folha.

Esses oito dos fundos que fazem parte do conglomerado do BRB foram listados pelo Master em seus balanços. O banco de Vorcaro aparecia como cotista direto ou indireto, administrador ou gestor. Dois deles compõem uma rede de fundos listados em investigação do Ministério Público Federal como suspeitos de fazer parte da fraude.

Os fundos fazem parte do chamado conglomerado BRB, que, além do banco, inclui uma distribuidora de títulos do BRB, uma gestora de cartões e outros nove fundos de investimento. Controlado pelo governo do Distrito Federal, comandado por Ibaneis Rocha (MDB), o BRB já teve perdas de R$ 2,6 bilhões com carteiras de crédito compradas do Master.

A reportagem procurou o BRB, o governador Ibaneis Rocha e o Banco Master, mas eles não responderam aos questionamentos.

Entre os R$ 8 bilhões em ativos desses fundos, de acordo com dados da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), há dois negócios ligados a Vorcaro.

O fundo de investimentos imobiliários Supreme Realty, que faz parte do conglomerado do BRB, segundo o BC, investiu R$ 145 milhões na Mgi Desenvolvimento Imobiliario Spe, empresa que tem Natalia Vorcaro como diretora.

Natalia é irmã de Vorcaro e casada com Fabiano Zettel, que chegou a ser preso pela PF e depois solto na segunda fase da Operação Compliance Zero, na semana passada.

O fundo Strelitzia, que também faz parte do conglomerado BRB, tem uma participação de R$ 452 milhões na empresa A.Life Partners, dona de diversos bares e restaurantes, como o Nino Cucina e o Ninetto.

Em 23 de outubro de 2024, o fundo adquiriu R$ 210 milhões em ações da A.Life. Os vendedores eram a própria empresa e um fundo de investimento da XP. O nome de Vorcaro aparece no contrato da operação como interveniente anuente —um terceiro que formaliza seu consentimento com o negócio. O documento não especifica em que condição o ex-banqueiro figura na transação.

O Strelitzia pagou em dinheiro pelas ações. No negócio, a empresa e o fundo da XP se comprometeram a aplicar o dinheiro recebido em CDBs do Banco Master com rendimento de 100% do CDI. A obrigação de compra dos papéis do Master consta da demonstração financeira do Strelitzia.

Do total pago de R$ 210 milhões, R$ 180 milhões foram para o Fundo de Investimento em Participações XP, que aplicou o montante em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Master. Esses títulos tinham prazo de um ano, que se encerrou em outubro de 2025, um mês antes da liquidação do banco, em 17 de novembro.

Outros R$ 29 milhões foram repassados à própria A.Life, que comprou CDBs do Master com prazo de vencimento de três anos. Não é possível saber se a companhia manteve os papéis ou revendeu no mercado secundário antes da liquidação do Master. A empresa não respondeu aos questionamentos da reportagem.

A XP informou que a exposição a papéis do Banco Master "ocorreu exclusivamente por meio de um de seus fundos de private equity, sem qualquer capital proprietário".

"A venda da participação foi realizada em processo competitivo que atraiu potenciais compradores de diversos segmentos da economia, como parte do ciclo natural de desinvestimentos do fundo. O processo foi concluído muito antes de se tornarem públicos os eventos recentes envolvendo a instituição compradora", acrescentou a XP, referindo-se à venda de sua participação na A.Life.

A XP disse ainda que seguiu as melhores práticas de compliance e mercado, e foi integralmente aprovada pelos órgãos reguladores competentes.

Os dois fundos do conglomerado BRB citados em investigação do Ministério Público Federal são o Texas 1 e o Kyra. Ambos investiram em ações da Ambipar, empresa em recuperação judicial. Os dois fundos em conjunção com um terceiro chegaram a ter 15% do capital social da empresa.

As operações desses fundos com ações da Ambipar provocaram uma valorização dos papéis que foi alvo de investigação também na CVM.

As operações reduziram a quantidade de ações em livre negociação no mercado em aproximadamente 70%, o que teria provocado uma valorização vertiginosa dos papéis, que saltaram de R$ 13 para R$ 97,35 entre 28 de junho e 9 de agosto de 2024.

De acordo com documentos da investigação, o dono do Texas era o Banco Voiter, que foi comprado pelo Master e depois vendido a Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro e também investigado pela PF. O Kyra tinha como cotista um outro fundo, o Borgonha, cujo cotista é um outro executivo do Master. O MPF não identifica o dono do Borgonha.

Entre março e setembro de 2025, o BRB acertou a compra de 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais do Banco Master. A operação foi vetada pelo Banco Central, que identificou uma venda de cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito fraudulentas do Master para o banco de Brasília. O caso também é investigado pela Polícia Federal.

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