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Bolsa renova recorde e chega a 165 mil pontos pela 1ª vez, com pesquisa eleitoral em foco

Bolsa renova recorde e chega a 165 mil pontos pela 1ª vez, com pesquisa eleitoral em foco

Levantamento Genial/Quaest mostrou queda na vantagem de Lula sobre Flávio e Tarcísio; dólar subiu para R$ 5,40

Por Redação

14/01/2026 às 21:00

Foto: Reprodução

Imagem de Bolsa renova recorde e chega a 165 mil pontos pela 1ª vez, com pesquisa eleitoral em foco

Bolsa de Valores

A Bolsa brasileira avançou 1,95% nesta quarta-feira (14) e renovou o recorde histórico de fechamento ao marcar 165.145 pontos.

O recorde anterior era de 164.455 pontos, do dia 4 de dezembro de 2025. O Ibovespa também renovou a máxima durante o período de negociações: no pico do pregão, chegou a 165.146 pontos. O desempenho teve como apoios positivos a Vale e a Petrobras, as duas empresas de maior participação no índice, que avançaram 4,73% e 2,72%, respectivamente.

A nova pesquisa Genial/Quaest sobre a corrida pela Presidência pautou as negociações nas mesas de operação, bem como o noticiário do exterior. Tensões geopolíticas e a suspensão da emissão de vistos para os Estados Unidos por parte do governo Donald Trump acirraram temores entre os operadores.

Internamente, os desdobramentos de uma nova operação no caso Banco Master também figuraram entre os destaques do dia.

No dólar, o movimento foi o oposto. A moeda norte-americana encerrou o dia em alta de 0,48%, cotada a R$ 5,400.

A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta manhã foi vista com bons olhos pelo mercado. Apesar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seguir na dianteira da corrida presidencial, a vantagem do petista em relação ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, diminuiu em um eventual segundo turno.

A diferença para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também caiu, e o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro se consolidou no segundo lugar na corrida.

A vantagem de Lula sobre Tarcísio caiu de 10 para 5 pontos; sobre Flávio, de 10 para 7 pontos.

O mercado está se tornando cada vez mais sensível ao pleito deste ano. Operadores têm repetido que, mais do que o nome do candidato eleito, o que importa é como será a condução fiscal do governo de 2027.

"O mercado é apolítico, o que ele precifica é taxa de juros e o quanto ela afeta os ativos de risco. Hoje, o juro restritivo de 15% se deve ao fiscal mais expansionista. E a expectativa é a de que a oposição traga um fiscal com mais austeridade", afirma Rubens Cittadin Neto, especialista em renda variável da Manchester Investimentos.

O nome do governador de São Paulo segue como o favorito da Faria Lima para a disputa. A leitura é que Tarcísio conseguiria concentrar o eleitorado de direita, sem o ruído que o sobrenome Bolsonaro carrega na seara política.

Tarcísio ainda teria uma agenda mais avessa a aumentar os gastos públicos, o que daria mais previsibilidade sobre os rumos da economia. O aumento das despesas poderia, por exemplo, forçar uma manutenção da taxa Selic em patamares elevados, já que teria o potencial de afetar a dinâmica da inflação.

Os investidores também monitoraram o cenário geopolítico. A escalada de tensões entre os Estados Unidos e países como Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, e Irã tem despertado temores de um conflito militar amplo.

A Fox News ainda informou, no fim da manhã, que os Estados Unidos vão suspender o processamento de vistos para brasileiros, dentro de uma medida mais ampla que atinge ao todo 75 países. A notícia foi mal-recebida.

Após marcar a cotação mínima de R$ 5,359 (-0,31%) às 10h45 —já após a pesquisa Genial/Quaest—, o dólar atingiu a máxima de R$ 5,423 (+0,89%) às 11h10, em uma reação imediata à notícia sobre os vistos. Perto deste horário, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) de alguns prazos também marcaram picos.

"Mesmo que não afete o fluxo (de dólares para o Brasil), a história dos vistos pegou no câmbio", pontuou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik.

Passado o impacto inicial, o dólar devolveu os ganhos e voltou a oscilar abaixo dos R$ 5,40. Durante a tarde, no entanto, a moeda recuperou algum fôlego, até encerrar pouco acima dos R$5,40.

No front macroeconômico, dados da inflação ao produtor dos EUA mostraram que os preços aceleraram em novembro em meio ao aumento no custo da gasolina. As empresas, porém, parecem estar absorvendo parte das tarifas sobre as importações, com redução das margens comerciais.

O avanço de 0,2% na base mensal, em linha com as expectativas, consolidou a perspectiva de manutenção da taxa de juros norte-americana na próxima reunião do Fed (Federal Reserve, o banco central do país), no fim do mês.

Na ferramenta CME FedWatch, 95% dos operadores apostam que a taxa continuará na banda de 3,5% e 3,75%. Os 5% restantes veem como provável um corte de 0,25 ponto percentual.

Além disso, o noticiário local contou também com uma nova operação de busca e apreensão da Polícia Federal contra Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na investigação sobre suspeitas de fraude envolvendo a instituição financeira.

Agentes realizaram buscas contra o ex-banqueiro, que cumpre prisão domiciliar em São Paulo. São 42 mandados de busca e apreensão nesta nova fase da operação, além de ordens de sequestro e bloqueio de bens no valor de R$ 5,7 bilhões.

São alvos endereços ligados a Vorcaro, a parentes dele e a empresários, incluindo João Carlos Mansur, ex-dono da Reag, gestora investigada no caso Master e suspeita envolvimento com o crime organizado, e o empresário Nelson Tanure.

Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi preso quando se preparava para deixar o país, de jatinho, com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Ele foi solto horas depois.

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