Home
/
Noticias
/
Economia
/
Análise preliminar de técnicos do TCU não apontou inação do BC em caso Master
Análise preliminar de técnicos do TCU não apontou inação do BC em caso Master
Por Adriana Fernandes, Folhapress
10/01/2026 às 19:31
Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado/Arquivo
Sede do TCU (Tribunal de Contas da União) em Brasília
Análise preliminar da área técnica do TCU (Tribunal de Contas da União) avaliou que o Banco Central não teve uma conduta de inação ou falta de acompanhamento das fraudes no banco Master.
De acordo com a avaliação dos técnicos, o órgão regulador realizava monitoramento contínuo da instituição desde o primeiro semestre de 2024. A informação foi antecipada pelo jornal Valor Econômico e confirmada pela Folha.
A análise é referente a uma instrução preliminar da unidade técnica responsável pela fiscalização dos bancos públicos, a AudBancos, que está sob sigilo. Segundo um ministro do TCU, ouvido pela Folha na condição de anonimato, a análise sinaliza no corpo do texto que o "BC aparentemente tinha feito tudo certo".
A posição dos técnicos do TCU pode desmontar a argumentação da defesa do dono do Master, Daniel Vorcaro, de que houve falhas e omissões do BC na condução do processo que levou à liquidação do banco em 18 de novembro.
A estratégia da defesa é buscar uma nulidade no processo para livrar Vorcaro da cadeia por crime contra o Sistema Financeiro Nacional.
O processo no TCU é relatado pelo ministro Jhonatan de Jesus. Em comunicado à imprensa neste sábado (10), a assessoria dele esclarece que as manifestações das áreas técnicas do tribunal não se confundem com as decisões do colegiado.
"O parecer citado é expressamente preliminar e foi elaborado apenas com base na resposta apresentada pelo Banco Central, sem acesso à documentação primária do processo", diz a nota enviada à reportagem.
A assessoria do relator destaca ainda que foi a unidade técnica que propôs a realização de inspeção "de natureza instrutória, providência corriqueira" no TCU para qualificar a análise antes de qualquer juízo conclusivo. "A deliberação final compete ao colegiado", diz o texto divulgado.
Após pressão da opinião pública, Jhonatan suspendeu, nesta quinta-feira (8), a inspeção in loco para apurar a conduta do BC na liquidação do Master. A decisão é válida até posterior deliberação do plenário do órgão de contas.
"A dimensão pública assumida pelo caso, com contornos desproporcionais para providência instrutória corriqueira nesta Corte, recomenda que a controvérsia seja submetida ao crivo do plenário, instância natural para estabilizar institucionalmente a matéria", disse o ministro em seu despacho.
Como a Folha mostrou, Jhonatan sofreu pressão de ministros do TCU após tomar decisões que questionam a atuação do BC no processo de fiscalização e liquidação do Master. O caso criou desconforto na corte, e integrantes do tribunal afirmam que o relator corria o risco de ficar isolado.
Ele foi instado a se manifestar publicamente afastando o risco de reversão da liquidação. A avaliação de seus pares é que a sua decisão de determinar uma inspeção in loco no BC em meio a uma investigação que questiona a conduta do banco no caso Master acabou colocando todo o TCU em exposição política.
No despacho, o ministro acolhe um pedido do Banco Central, chamado embargo de declaração, que afirmava haver "omissão e a suposta ausência de competência do TCU (ou, ao menos, do relator) para determinar inspeção nos moldes definidos"
Jhonatan disse que não via omissão a ser suprida e que seu despacho "explicitou a finalidade instrutória da inspeção, a necessidade de acesso controlado a documentação essencial e a observância das cautelas legais de sigilo".
"Eventual inconformismo quanto ao conteúdo decisório —inclusive quanto à extensão do controle externo sobre o Banco Central— não se confunde com vício sanável por embargos de declaração. Dito isso, registro que, em tese, os embargos poderiam ser rejeitados monocraticamente [de forma individual]", disse, no despacho.
Apesar dessa manifestação, ele afirma em seguida que suspendeu a inspeção devido à dimensão pública do caso. Nos bastidores, ministros e Jhonatan passaram então a articular uma "saída" para a crise, com o objetivo de "reduzir a pressão" sobre a Corte.
A decisão de acatar o pedido do BC e suspender a inspeção é o primeiro resultado desse movimento. A avaliação de Jhonatan em conversa com outros ministros da corte é que uma eventual decisão de reverter a liquidação do Master só poderia ser tomada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
