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Senado não usurpa prerrogativa de Lula sobre indicação de Jorge Messias ao STF, diz Alcolumbre

Senado não usurpa prerrogativa de Lula sobre indicação de Jorge Messias ao STF, diz Alcolumbre

Em tom de desabafo, presidente do Senado afirma que marcou sabatina para se proteger de ataques

Por Caio Spechoto/Folhapress

03/12/2025 às 21:00

Atualizado em 04/12/2025 às 17:44

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado/Arquivo

Imagem de Senado não usurpa prerrogativa de Lula sobre indicação de Jorge Messias ao STF, diz Alcolumbre

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP)

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), criticou o governo federal e disse, nesta quarta-feira (3), que a Casa não usurpa prerrogativa de Lula ao avaliar a indicação de Jorge Messias para o STF (Supremo Tribunal Federal). Messias corre risco de ser rejeitado porque Alcolumbre e outros senadores queriam que Lula tivesse escolhido Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Ele disse que está sofrendo ataques desde o anúncio do nome de Messias. Segundo o presidente do Senado, isso acontece porque ele defende as prerrogativas da Casa. O presidente da República indica ministros para o Supremo, mas os escolhidos só assumem o cargo se forem aprovados pela maioria dos senadores.

"Em nenhum momento nenhum de nós, senadores e senadoras, tentamos usurpar as prerrogativas do presidente da República de fazer a indicação de um membro do Supremo Tribunal Federal", disse Alcolumbre.

Ele mencionou que recusar um nome para o STF é direito do Senado. Também citou o fato de nenhum indicado ser barrado desde o fim do século 19.

"’Ah, mas porque há 134 anos não ocorre [rejeição], o Senado Federal quer usurpar a prerrogativa do presidente da República’. Jamais. Mas cada um cumpra suas obrigações e fique com suas prerrogativas. O presidente tem a prerrogativa de indicar, o Senado tem que sabatinar e votar. E, aí sim, referendar, sim ou não aquela indicação", declarou ele.

Alcolumbre afirmou que havia marcado a votação decisiva sobre Messias para 10 de dezembro para não ser acusado de postergar a decisão. O senador disse que o tempo entre o anúncio da indicação e a deliberação final foi decidido com base na média de outras votações de autoridades.

Em 2021, o senador era presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e foi criticado por segurar a sabatina do hoje ministro do STF André Mendonça por quatro meses.

O governo Lula, porém, não enviou ao Senado os documentos necessários para a sabatina após o anúncio. A ideia era ter o poder de adiar a decisão caso não fosse constatado que Messias seria rejeitado. Alcolumbre criticou a tática.

"Preciso saber agora se todas aquelas críticas que foram ao ex-presidente da CCJ se elas valem para os dias atuais, para as autoridades do governo", declarou o presidente do Senado.

Alcolumbre reclamou de campanhas que colocaram o Congresso Nacional como inimigo do povo –retórica que apareceu, por exemplo, durante a tramitação do projeto que blindava congressistas contra investigações. O discurso partiu principalmente de setores governistas.

O presidente do Senado mencionou a PEC (proposta de emenda à Constituição) que o Congresso aprovou no fim de 2022, antes da posse de Lula, para fornecer dinheiro ao presidente eleito para cumprir suas promessas de campanha. Também citou o fato de o hoje presidente da República ter vencido a disputa pelo Planalto por margem apertada.

"Tivemos a capacidade e a maturidade institucional nunca vista na história deste país de entregar uma PEC da transição em 25 dias a um presidente da República que acabou de ser eleito não foi com 70% dos votos não, foi com 51%", declarou o presidente do Senado.

No final de seu discurso, Alcolumbre deu uma declaração direcionada tanto ao governo quanto só STF. O senador está incomodado com a decisão do ministro do Supremo Gilmar Mendes que blinda o tribunal contra pedidos de impeachment iniciados no Senado. Na prática, o movimento de Gilmar retira um poder do Legislativo.

"O que eu queria apenas, de todos os outros Poderes, era que tratassem [o Legislativo] da mesma maneira como esse presidente que vos fala trata os outros Poderes. Sem agressões infundadas, sem ataques e sem ofensas. E muitas das vezes, dos outros lados, não é isso que nós recebemos aqui", declarou.

O presidente do Senado já havia criticado a decisão mais cedo nesta quarta-feira, quando mencionou a possibilidade de mudar a Constituição como resposta ao movimento de Gilmar.

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