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Neto trabalha nome de Tarcísio enquanto busca se desvincular de Bolsonaro na Bahia, por Raul Monteiro*
Neto trabalha nome de Tarcísio enquanto busca se desvincular de Bolsonaro na Bahia, por Raul Monteiro*
Por Raul Monteiro*
11/12/2025 às 08:58
Atualizado em 11/12/2025 às 19:12
Foto: Divulgação/Arquivo
ACM Neto
O lançamento da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República mostrou o quanto o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), candidato das oposições ao governo do Estado, está vinculado ao projeto presidencial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Foi do partido de Neto, por meio do presidente nacional Antônio de Rueda, de onde partiram as principais iniciativas para brecar o movimento bolsonarista, entre as quais as articulações na Câmara para reduzir a pena de prisão de Jair Bolsonaro, uma das condições impostas por Flávio para desistir do projeto político familiar.
O União Brasil, que Neto comanda na Bahia, sabe que, perto do nome de Tarcísio, o de Flávio é uma temeridade, dado seu despreparo e sua incapacidade de unificar as oposições contra o presidente Lula, inclusive pela enorme taxa de rejeição que os Bolsonaros carregam. Além disso, as chances de vitória contra o presidente Lula em 2026 são capitaneadas mais pelo governador de São Paulo do que por qualquer outro dos candidatos situados à direita, espectro em que os filhos do presidente definitivamente não podem ser incluídos, dado o perfil radical de todos eles. Daí porque Neto não pode brincar com a situação, se planeja se eleger.
Ao arrumar-se na Bahia com um nome à Presidência, o candidato oposicionista livra-se da pecha do 'tanto faz' com que a campanha do governador Jerônimo Rodrigues (PT) o pichou em 2022, sem que conseguisse se defender, exatamente porque não embarcou na polarização em que as eleições transcorreram entre o então presidente da República e o candidato petista, evitando se vincular, mesmo sob críticas, ao bolsonarismo. Com a comunicação fácil que mantém hoje com Tarcísio, resta ao ex-prefeito de Salvador ajudar no que puder para o fortalecimento do projeto de lançá-lo candidato à sucessão presidencial.
Se faz o movimento nacional pensando em sua viabilidade, Neto não negligencia a arrumação de sua chapa ao governo, para a qual a disputa pela vaga de vice permanece tranquila mas as duas posições ao Senado já registram grande competição, sobretudo depois dos rumores de que o senador Angelo Coronel (PSD) foi praticamente limado do projeto de se reeleger ao lado de Jerônimo e pode a qualquer momento fazer o caminho na direção das oposições. Um princípio em relação à escolha dos companheiros de chapa o candidato do União Brasil, no entanto, já colocou na mesa - o de evitar o aprofundamento do vínculo com o bolsonarismo.
Por este motivo, é que são pequenas as chances de o deputado federal Márcio Marinho (Republicanos) conseguir ser escolhido para concorrer a senador ao seu lado, já que o ex-ministro João Roma (PL) aparece como um dos mais cotados para uma das vagas ao Senado. A presença de ambos pode ser desastrosa para o candidato das oposições, exatamente porque daria à chapa uma fisionomia excessivamente bolsonarista. A solução pode ser o ex-deputado Marcelo Nilo (Republicanos), que vem prestando grande serviço a Neto pelos ataques constantes que dirige ao governo e ao PT, ou Coronel, se o rompimento com o PT se formalizar.
* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.
