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Mercosul criará comissão para coordenar estratégias de combate ao crime organizado

Mercosul criará comissão para coordenar estratégias de combate ao crime organizado

Plano responde a avanço de facções em países do bloco sul-americano e pressão de Trump

Por Nathalia Garcia/Folhapress

20/12/2025 às 15:40

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Imagem de Mercosul criará comissão para coordenar estratégias de combate ao crime organizado

Reunião do Mercosul em Foz do Iguaçu (PR)

O Mercosul aprovou, em Foz do Iguaçu (PR), a criação de uma comissão responsável pela coordenação de estratégias para fortalecer o combate ao crime organizado nos países do bloco.

O plano responde ao avanço de facções criminosas na região e à pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em ofensiva contra a Venezuela sob a justificativa de combate ao narcotráfico.

Ao discursar na cúpula de líderes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (20) que o Mercosul demonstrou disposição de enfrentar as redes criminosas de forma conjunta.

"Criamos uma comissão para implementar uma estratégia comum contra o crime organizado transnacional. Instituímos um grupo de trabalho especializado sobre recuperação de ativos, a fim de asfixiar as fontes de financiamento de atividades ilícitas", afirmou.

O evento contou com a participação dos presidentes da Argentina, Javier Milei, do Paraguai, Santiago Peña, e do Uruguai, Yamandú Orsi.

Recém-empossado, o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, não participou do evento e foi representado pelo chanceler Fernando Aramayo Carrasco. Por outro lado, esteve presente o presidente do Panamá, José Raúl Mulino –país que formalizou no fim de 2024 sua entrada como membro associado no bloco sul-americano.

A criação da comissão, que se reunirá periodicamente, foi deliberada pelas delegações de Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai em reunião do Grupo Mercado Comum, às vésperas da cúpula. Também chegou-se a um acordo de cooperação para fortalecer o combate ao tráfico de pessoas.

A ideia é coordenar uma estratégia comum de combate ao crime com iniciativas envolvendo diferentes órgãos, como Ministério da Justiça, Ministério Público e Polícia Federal.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou a adoção da estratégia do Mercosul contra o crime organizado como uma "conquista relevante" da presidência brasileira. Segundo ele, ela "norteará o trabalho das autoridades competentes na prevenção, investigação e na repressão do crime organizado transnacional com base em ações de inteligência nas sinergias existentes entre nossos países."

A comissão, segundo o chanceler brasileiro, reunirá pela primeira vez representantes de todos os órgãos encarregados de combater o crime, do Ministério da Justiça, da Segurança Pública, do Interior, Ministérios Públicos, especialistas em lavagem de dinheiro, recuperação de ativos e agências policiais."

"Estamos convencidos que daremos um salto qualitativo em nossa segurança pública que se fará sentir no dia a dia dos nossos cidadãos", afirmou.

A atuação das facções criminosas em áreas de fronteira já havia sido tema de reunião de autoridades do Mercosul, em novembro, no Ministério da Justiça, em Brasília. Na ocasião, foi debatida a criação da comissão da estratégia contra o crime organizado transnacional.

Segundo Lula, em consulta com o Uruguai, o Brasil pretende propor a convocação de uma reunião de ministros da Justiça e de Segurança Pública do Consenso de Brasília para discutir como fortalecer a cooperação sul-americana no combate ao crime organizado.

O tema tem ganhado ainda mais espaço na agenda do governo Lula diante da ofensiva de Washington, com uma mobilização militar sem precedentes na costa venezuelana, sob o pretexto de enfrentamento a cartéis que enviam drogas aos Estados Unidos.

No início de dezembro, Lula defendeu em conversa telefônica com Trump uma cooperação com os americanos no combate ao crime organizado internacional.

Segundo o Palácio do Planalto, em nota, Lula "destacou recentes operações realizadas no Brasil pelo governo federal com vistas a asfixiar financeiramente o crime organizado e identificou ramificações que operam a partir do exterior".

Ainda de acordo com o comunicado, o presidente dos EUA mostrou disposição em trabalhar com o Brasil neste tema.

Autoridades brasileiras apontam que a Bolívia se tornou refúgio para grandes narcotraficantes da América do Sul. O PCC (Primeiro Comando da Capital), que já tinha integrantes e aliados na região, tem buscado ampliar seus negócios, consolidar sua presença e exercer domínio territorial.

A Bolívia é considerada estratégica por ser o principal hub de entrada da pasta-base de cocaína produzida no Peru.

A discussão entre os países do Mercosul também dialoga com a agenda doméstica do governo Lula. O percentual de brasileiros que veem na segurança pública o principal problema do país chegou a 16%, mostra o mais recente levantamento do Datafolha. Em 2026, devem ser votados no Congresso Nacional a PEC (proposta de emenda à Constituição) da Segurança e o PL (projeto de lei) Antifacção.

Lula também tratou de violência contra as mulheres em seu discurso na cúpula do Mercosul. O tema se tornou mais recorrente nas falas públicas do presidente brasileiro, que prometeu maior engajamento.

"Gostaria de propor ao Paraguai, que assume hoje [sábado] a presidência do bloco, que trabalhemos para criar um grande pacto do Mercosul pelo fim do feminicídio e da violência contra as mulheres", afirmou.

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