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Lula pede que Macron e Meloni não tenham medo da competitividade brasileira e apoiem acordo UE-Mercosul

Lula pede que Macron e Meloni não tenham medo da competitividade brasileira e apoiem acordo UE-Mercosul

França tem resistências ao tratado por temor da concorrência entre produtores agrícolas dos dois blocos

Por Mariana Brasil/Nathalia Garcia/Folhapress

16/12/2025 às 20:05

Atualizado em 16/12/2025 às 23:56

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de Lula pede que Macron e Meloni não tenham medo da competitividade brasileira e apoiem acordo UE-Mercosul

O presidente Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta terça-feira (16) esperar que os europeus deixem a desconfiança de lado e trabalhem pela assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, prevista para ocorrer em Foz do Iguaçu neste sábado (20).

Emmanuel Macron, presidente da França, já afirmou ter resistências à assinatura do acordo por medo da competitividade brasileira frente a produtores franceses. A posição da Itália, chefiada pela primeira-ministra Giorgia Meloni, tem papel determinante nos trâmites finais na Europa.

"A União Europeia está disposta a fazer o acordo, o Mercosul está disposto a fazer um acordo, mas surgiu um pequeno problema. O presidente Macron está muito preocupado com produtores rurais da França, que acham que vão perder competitividade na disputa com o Brasil e não estão querendo fazer o acordo agora porque o povo está meio rebelde na França. Mesmo eu dizendo para ele que o Brasil não compete com produtos da França", disse Lula.

Em sua fala, o brasileiro destacou o tempo de negociação em torno do acordo, que já chega a 26 anos. Ainda, afirmou que o Brasil está cedendo mais que a Europa no caso em questão.

"Na verdade, são coisas diferentes, são qualidades diferentes. Eu espero que o meu amigo Macron e a primeira-ministra Meloni, da Itália, assuma a responsabilidade. Espero que eles tragam a boa notícia de que vão assinar o acordo e que não vão ter medo de perder competitividade com o povo brasileiro", acrescentou.

Nesta terça, Macron reiterou aos líderes da União Europeia que o acordo comercial do bloco com os países do Mercosul não funciona para a agricultura francesa. O anúncio foi feito após a liderança da UE, apoiada pela Alemanha, insistir que o tratado com os sul-americanos deve ser assinado até o final do ano.

A resistência francesa preocupa o governo brasileiro, que se prepara para receber Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, neste sábado para a cerimônia de assinatura do acordo, que criaria um mercado de livre comércio de 722 milhões de consumidores, um dos maiores do planeta.

Os franceses buscam angariar apoio para impedir avanço do pacto no Conselho Europeu, e a Itália é considerada a "fiel da balança" na votação prevista para a próxima quinta-feira (18), que dará ou não o mandato para que o acordo seja assinado.

Para o conteúdo ser aprovado no Conselho Europeu, é preciso atingir maioria qualificada: 55% dos Estados-membros votando a favor (ou 15 dos 27 países) e esses Estados devem representar no mínimo 65% da população da União Europeia.

Segundo um interlocutor europeu ouvido pela reportagem, o sentimento em Bruxelas é hoje muito negativo e, se não houver garantia de aprovação no Conselho, a matéria não entrará em pauta para discussão. A ideia é evitar o que seria considerada uma grande derrota política.

Outra fonte diplomática pondera que os italianos e franceses têm interesses distintos no Brasil e que a Itália não teria muito a ganhar nesse alinhamento com Macron. No entanto, não descarta a possibilidade de o país estar usando o acordo como estratégia de barganha na Europa.

Isso porque os pleitos italianos já foram atendidos pelas salvaguardas aprovadas no Parlamento Europeu, levando Brasília a crer que há uma disputa além do acordo em Bruxelas.

Nesta terça, foi aprovada uma regra mais severa que a proposta inicial da Comissão Europeia, estabelecendo que Bruxelas lançará uma investigação se a flutuação nos preços de mercadorias sensíveis for maior do que 5%, contra 10% do texto inicial.

Será exigido também que os produtos do Mercosul sejam sancionados se não cumprirem com os exigentes padrões sanitários e ambientais do bloco.

Pelo lado sul-americano, as salvaguardas não devem ser um impeditivo para a assinatura do acordo no próximo sábado. A avaliação de interlocutores é que, mesmo com essas regras mais duras, um tratado com os europeus ainda é mais vantajoso para o bloco.

Juntos, Mercosul e UE reúnem um PIB (Produto Interno Bruto) de aproximadamente US$ 22 trilhões.

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