Lula conversou com Maduro na semana passada sobre escalada militar dos EUA
Por Ricardo Della Coletta e Catia Seabra, Folhapress
11/12/2025 às 17:02
Foto: Reprodução/Instagram/Arquivo
O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone, na semana passada, com o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, sobre a escalada militar dos Estados Unidos perto da costa venezuelana.
Trata-se da primeira conversa entre os dois desde a eleição na Venezuela no meio do ano passado, quando Maduro foi declarado vencedor apesar de denúncias de fraude por parte da oposição.
O recente telefonema entre os dois líderes foi revelado pelo jornal O Globo e confirmado pela Folha.
De acordo com pessoas com conhecimento da conversa, o objetivo de Lula foi restabelecer pontes com o chavismo diante de um dos momentos mais delicados na América do Sul. Para um auxiliar de Lula, a reconstrução de laços de confiança é importante caso o Brasil seja acionado a desempenhar algum papel de mediação na crise entre o regime Maduro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Além do posicionamento no Caribe de diversos navios de guerra, entre eles um porta-aviões de propulsão nuclear os EUA aplicam pressão contra a Venezuela de Maduro por meio do bombardeio de barcos em suas águas. Até o momento, morreram mais de 80 pessoas que estavam em embarcações no Caribe e no oceano Pacífico sob a justificativa de que transportavam drogas —sem apresentar evidências disso.
Na escalada mais recente, o governo Trump capturou um petroleiro em águas próximas à Venezuela. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que a carga que ele carrega será confiscada.
Também na semana passada, Lula falou por telefone com Trump. Na ligação os dois trataram de cooperação para o enfrentamento ao crime organizado, mas o petista reiterou pontos defendidos pelo Brasil para evitar um conflito na América do Sul.
O petista tem argumentado a Trump que uma operação militar dos EUA para retirar Maduro do poder poderia ter consequências negativas para a região, como uma explosão no número de refugiados, e até mesmo o fortalecimento de grupos criminosos.
