Lula afirma que não fará mais acordo com a UE se europeus adiarem votação
Presidente afirma que pacto de livre comércio é mais favorável à Europa do que para grupo sul-americano
Por Mariana Brasil/Isadora Albernaz/Folhapress
17/12/2025 às 14:00
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
O presidente Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quarta-feira (17), que o governo não apoiará mais o acordo entre o Mercosul e a União Europeia caso o tratado não receba aval dos europeus a tempo da assinatura prevista para ocorrer em Foz do Iguaçu, no sábado (20).
"Estou agora sabendo que eles [europeus] não vão conseguir aprovar [no Conselho Europeu]", disse Lula."Se a gente não fizer agora, o Brasil não fará mais acordo enquanto eu for presidente. É bom saber: fazem 26 anos que a gente espera esse acordo. É mais favorável para eles [europeus] do que para nós", disse, durante reunião ministerial.
Nesta quarta, a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, disse que seria "prematuro" para a União Europeia assinar um acordo comercial com o Mercosul e que não dará o seu aval na votação programada para ocorrer nesta quinta (18) ou sexta-feira (19).
A oposição de Meloni coloca em risco a aprovação na instância europeia, passo fundamental para a assinatura em Foz do Iguaçu.
O que está em jogo neste momento e será analisada pelo Conselho é a parte comercial do acordo, que foi separada neste ano de outros elementos do documento para driblar a exigência de aprovação em cada um dos Parlamentos dos 27 países-membros.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, anunciou ao Parlamento italiano nesta quarta que vai aderir ao grupo liderado pela França contra o pacto.
Com a adesão italiana, o movimento francês atinge os requisitos para minoria de bloqueio: 4 dos 27 países-membros representando ao menos 35% da população da UE. Polônia e Hungria já são votos certos contra o acordo.
O posicionamento pode adiar a assinatura do documento, objeto de negociações que se arrastam por mais de duas décadas, e que implementam um tratado que abarcaria um mercado de aproximadamente 720 milhões de pessoas.
O assunto seria discutido no triálogo entre Parlamento, Conselho e Comissão Europeia, mas a decisão final provavelmente será adiada para reunião do Conselho nesta quinta (18). A Dinamarca, que preside a UE no semestre, pode retirar o tema da pauta para evitar rejeição do acordo.
