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Haddad diz que há espaço para aporte nos Correios, mas ainda sem decisão sobre valor
Haddad diz que há espaço para aporte nos Correios, mas ainda sem decisão sobre valor
Segundo ministro, repasse aventado é inferior a R$ 6 bilhões e seria feito conforme necessidade
Por Idiana Tomazelli/Folhapress
08/12/2025 às 21:45
Atualizado em 09/12/2025 às 00:40
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo
O ministro Fernando Haddad (Fazenda)
O ministro Fernando Haddad (Fazenda) disse nesta segunda-feira (8) haver espaço no Orçamento para um aporte de recursos federais nos Correios, mas ainda não há decisão do Executivo sobre valores e se a operação de fato ocorrerá.
"Até teria [espaço para o aporte], mas não é uma coisa que está decidida", afirmou a jornalistas. Segundo ele, o repasse que está sendo aventado é inferior a R$ 6 bilhões e seria feito "se fosse considerado necessário", a depender da negociação do empréstimo de R$ 20 bilhões com os bancos.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cogita até mesmo a possibilidade de abrir um crédito extraordinário para liberar recursos de forma imediata. O instrumento permite ao governo fazer o aporte por meio de uma MP (medida provisória) e atender a necessidades urgentes e imprevisíveis.
O gasto fica fora dos limites do arcabouço fiscal, mas, via de regra, é contabilizado na meta de resultado primário (medida pela diferença entre receitas e despesas, descontados os juros da dívida).
Questionado sobre a possibilidade do aporte via crédito extraordinário, Haddad não descartou. "Pode ser um PLN, também", respondeu.
O PLN é um projeto de lei ao Congresso Nacional, instrumento geralmente usado para tratar de questões orçamentárias. Essa via, no entanto, é considerada difícil por técnicos, uma vez que o prazo para encaminhar esse tipo de proposta terminou em 29 de novembro.
Para viabilizar esse caminho, seria necessário enviar um primeiro projeto para reabrir o prazo, aprová-lo e sancioná-lo para só então apresentar um segundo texto com a abertura do crédito em favor dos Correios. O calendário é considerado apertado para vencer todas essas etapas, dado que o ano legislativo vai até 22 de dezembro.
O Executivo vê o dia 20 de dezembro como o prazo final para dar alguma solução à crise dos Correios. É nesse dia que os funcionários receberão a segunda parcela do 13º salário, e pode faltar dinheiro para honrar o pagamento. Por isso, o tema é tratado com urgência, e os técnicos analisam diferentes alternativas para o impasse.
"Nós não estamos jogando com uma possibilidade só, por causa da negociação com os bancos", afirmou Haddad.
O governo acionou a Caixa Econômica Federal para destravar o empréstimo de R$ 20 bilhões aos Correios, após o Tesouro Nacional rejeitar uma proposta feita por cinco bancos (incluindo o Banco do Brasil) por considerar os juros elevados para uma operação com garantia soberana.
A Caixa participou das conversas iniciais sobre o crédito, mas não apresentou proposta concreta em nenhuma das duas rodadas de negociação já realizadas pela estatal de serviços postais. Em diálogos internos, a instituição financeira sempre foi a que manifestou maiores reservas à operação.
Segundo um técnico, o Ministério da Fazenda já vinha sinalizando que a decisão caberia ao banco, mas alertou que a empresa poderia ser cobrada por ficar de fora da operação. A instituição é formalmente vinculada à pasta.
Nos últimos dias, a Casa Civil também entrou no circuito para acionar a Caixa, que agora está disposta a participar do empréstimo dentro dos parâmetros que o Tesouro considera razoáveis —ou seja, cobrando uma taxa de juros menor.
