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Bolsa cai mais de 2% e dólar fecha a R$ 5,46 com pesquisa eleitoral e ata do Copom
Bolsa cai mais de 2% e dólar fecha a R$ 5,46 com pesquisa eleitoral e ata do Copom
Pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira mostra Lula liderando o cenário eleitoral de 2026
Por Matheus dos Santos/Folhapress
16/12/2025 às 20:50
Atualizado em 16/12/2025 às 23:45
Foto: Repodução
Bolsa de Valores
A Bolsa fechou em forte queda de 2,41%, a 158.557 pontos, nesta terça-feira (16), com investidores repercutindo uma pesquisa Genial/Quaest que mostra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) liderando as intenções de voto para as eleições de 2026. O levantamento também indica o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no pleito.
Analistas também reagiram à ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) durante o pregão, na qual o Banco Central reiterou o compromisso com a meta de inflação e reforçou a estratégia de manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano.
O dólar, por outro lado, encerrou o dia em alta de 0,82%, cotado a R$ 5,463, beneficiado por um ambiente de maior aversão ao risco.
Assim como na última semana, o cenário eleitoral pesou nas decisões dos investidores. Divulgada nesta terça, a pesquisa Quaest mostra o presidente Lula à frente do senador Flávio Bolsonaro e do governador Tarcísio de Freitas.
Em um eventual segundo turno contra Flávio, Lula aparece com 46% das intenções de voto, ante 36% do filho do ex-presidente. Em disputa com Tarcísio, o presidente marca 45%, contra 35% do governador paulista.
No cenário em que os três concorrem pelas duas vagas do segundo turno, Lula lidera com 41%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 23%. Tarcísio ficaria de fora da corrida, com 10% das intenções de voto.
O governador paulista é visto por investidores como um candidato mais alinhado à agenda pró-mercado, de defesa do ajuste fiscal e era percebido como mais competitivo do que Flávio. O senador anunciou sua pré-candidatura com o aval do pai na última sexta-feira (12). Após o anúncio, o dólar disparou para R$ 5,43 e a Bolsa recuou 4%.
A divulgação dos resultados ocorreria nesta quarta (17), mas a Quaest informou que decidiu pela antecipação porque começaram a circular no mercado números não oficiais atribuídos à pesquisa. Os supostos resultados do levantamento começaram a ser compartilhados entre analistas e refletiram no pregão logo cedo.
Segundo Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, a leitura de que o governador Tarcísio de Freitas perde força enquanto o senador Flávio Bolsonaro ganha espaço influenciou o humor dos investidores. "O mercado leu os resultados da Quaest como uma sinalização de preferência por Lula", afirma.
"Quando a Quaest sai mostrando o Lula forte, volta o medo de que não se concretize a alternância política. Por isso o mercado piorou," diz ele.
Para Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, a pesquisa reforça a divisão na direita. "Até a eleição, cada pesquisa tende a trazer volatilidade ao mercado, que passa a precificar cada vez mais a reeleição do presidente. Esse movimento ocorre principalmente em razão da fragmentação do campo da direita, que fortalece o Lula".
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, avalia que, diante desse cenário, o dólar se fortaleceu em um movimento de busca por proteção, refletindo o aumento do prêmio de risco político.
Outro fator que esteve no radar dos analistas foi a ata da última reunião do Banco Central nesta terça, quando a autoridade monetária decidiu manter a taxa básica de juros em 15% ao ano pela quarta reunião seguida.
No documento, o colegiado do BC disse que vem ganhando mais confiança no processo de desinflação e que tem alterado sua comunicação nesse sentido. Apesar de reconhecer a evolução do cenário, seguiu defendendo maior firmeza com o juros e evitou sinalizar seus próximos passos.
Para Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets, a mensagem é de que a Selic deve permanecer em um tom contracionista por mais tempo, mesmo com a melhora recente na inflação. "Isso é particularmente negativo para a Bolsa e para setores domésticos e alavancados, como varejo e construção civil, que sentem o custo de capital com a taxa básica mais alta".
Reduções de juros costumam impulsionar a Bolsa por fortalecer ativos de renda variável. Com a Selic em alta, investimentos de renda fixa continuam atrativos, especialmente os pós-fixados.
A agenda do dia também revelou dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos, que pesam sobre a definição do rumo da taxa de juros do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano). O relatório de emprego "payroll" mostrou que a economia dos EUA abriu 64 mil postos de trabalho em novembro, acima da expectativa de analistas consultados pela Bloomberg de 50 mil postos.
A taxa de desemprego ficou em 4,6%, ante 4,4% em setembro, conforme o mercado de trabalho enfraquece em um cenário de incerteza econômica decorrente da política comercial do presidente Donald Trump.
A economia perdeu 105 mil empregos em outubro, o que reflete a saída de mais de 150 mil funcionários federais que aceitaram os programas de demissão voluntária como parte do esforço do governo Trump para reduzir o governo.
Para Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, os dados reforçaram a possibilidade de o Fed (Federal Reserve) não cortar juros em janeiro e acumular novas informações antes de fazer reduções. "A perspectiva de que o Fed vai adotar um ritmo mais lentos de cortes tende a favorecer os rendimentos dos títulos do tesouro americano e o dólar globalmente", diz.
Por enquanto, operadores veem 24% de probabilidade de um corte de 0,25 ponto percentual acontecer no encontro de janeiro, segundo a ferramenta FedWatch.
