Subsecretário admite efeito limitado da megaoperação no Rio
Por Redação
06/11/2025 às 09:50
Atualizado em 06/11/2025 às 12:52
Foto: Fernando Frazão/Arquivo/Agência Brasil
Operação no Rio de Janeiro
O subsecretário de Inteligência da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Daniel Ferreira de Souza, afirmou em audiência no Congresso que a megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha teve efeito “ínfimo” na desarticulação do Comando Vermelho, embora tenha tido valor simbólico ao demonstrar que o Estado ainda pode entrar em áreas dominadas por facções. Segundo ele, o principal resultado foi enfraquecer a narrativa do grupo criminoso de que existiam locais inacessíveis às forças de segurança, usada para atrair lideranças de outros estados.
A operação, considerada a mais letal da história do Rio, deixou 121 mortos — sendo quatro policiais — e 113 presos. Enquanto o governador Cláudio Castro (PL) classificou a ação como um sucesso, o subsecretário defendeu que o enfrentamento ao crime precisa de maior integração entre os entes federativos. Ele alertou que o Brasil enfrenta uma fragmentação interna e que o avanço das facções ameaça a soberania nacional, exigindo uma estratégia coordenada e duradoura.
Durante a sessão, o delegado da Polícia Federal Leandro Almada, ex-superintendente da PF no Rio, fez críticas ao alto custo humano da operação. Ele afirmou que o Estado não precisa apenas “entrar”, mas “estar” nas comunidades, e questionou o impacto real da ação na vida dos moradores. Para Almada, o número de mortes e a falta de resultados efetivos demonstram que a violência policial, sem políticas estruturais de presença e prevenção, não é capaz de resolver o problema da criminalidade no Rio de Janeiro.
