Foto: Alan Santos/Arquivo/PR
Jair Bolsonaro
A confissão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), admitindo ter usado um ferro de solda para danificar a tornozeleira eletrônica, desmontou a estratégia inicial de sua defesa. Até então, os advogados negavam qualquer tentativa de violação do equipamento e buscavam afastar a suspeita de fuga apontada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. A narrativa pretendida era reforçar que Bolsonaro estaria sendo perseguido politicamente e por suas convicções religiosas. A reportagem é da CNN.
Quando a defesa foi informada da decretação da prisão preventiva, na manhã de sábado (22), o tema da tornozeleira sequer foi mencionado. A linha adotada pelos advogados focava exclusivamente na vigília convocada por apoiadores, argumentando que esse ponto havia sido interpretado de maneira exagerada pelo Supremo. A orientação jurídica até aquele momento era sustentar que qualquer alerta registrado no equipamento teria ocorrido de forma acidental.
A admissão de Bolsonaro, no entanto, mudou completamente o cenário, tornando insustentável a tese de que não houve tentativa de adulterar a tornozeleira. A confissão reforça os fundamentos usados por Moraes para justificar a prisão preventiva e cria novos desafios para a defesa, que agora terá de reconstruir seu discurso diante de uma evidência direta de descumprimento das medidas impostas pela Justiça.
