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Bolsonaro culpa remédios por ter mexido em tornozeleira, cita 'paranoia' e tem prisão mantida
Bolsonaro culpa remédios por ter mexido em tornozeleira, cita 'paranoia' e tem prisão mantida
Por Marianna Holanda e José Marques/Folhapress
23/11/2025 às 13:42
Atualizado em 23/11/2025 às 17:03
Foto: Isac Nóbrega/Arquivo/PR
Jair Bolsonaro
Ao passar por audiência de custódia neste domingo (23) na superintendência da Polícia Federal em Brasília, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disse que tentou abrir a tornozeleira eletrônica na sexta (21) porque teve uma "certa paranoia" devido ao uso de medicamentos e que só "caiu na razão" à meia-noite.
Após a audiência, uma juíza auxiliar do STF (Supremo Tribunal Federal) validou e manteve a prisão preventiva de Bolsonaro.
A ata da audiência diz que Bolsonaro afirmou que a paranoia aconteceu porque "tem tomado medicamentos receitados por médicos diferentes e que interagiram de forma inadequada (Pregabalina e Sertralina)".
Segundo o ex-presidente, ele tem "sono picado" e não dorme direito, e resolveu mexer na tornozeleira com um ferro de soldar, "pois tem curso de operação desse tipo de equipamento".
Ele disse que, ao voltar à razão, parou o uso da solda e comunicou aos agentes de custódia. O equipamento de solda, disse o ex-presidente, estava em sua casa.
"O depoente afirmou que estava acompanhado de sua filha, de seu irmão mais velho e um assessor na sua casa e nenhum deles viu a ação do depoente com a tornozeleira. Afirmou que começou a mexer com a tornozeleira tarde da noite e parou por volta de meia-noite", diz a ata.
"Informou que as demais pessoas que estavam na casa dormiam e que ninguém percebeu qualquer movimentação. O depoente afirmou que estava com 'alucinação' de que tinha alguma escuta na tornozeleira, tentando então abrir a tampa. O depoente afirmou que não se lembra de surto dessa natureza em outra ocasião", continua o documento.
Na audiência, Bolsonaro disse que começou a tomar um dos remédios cerca de quatro dias antes da sua prisão.
O ex-presidente negou que tenha tentado fugir. Segundo ele, não havia qualquer intenção de fuga e não houve o rompimento da cinta da tornozeleira.
Ele disse que, em outra ocasião, teve que romper a cinta para fazer uma tomografia. Afirmou, também, que a vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu filho, fica a 700 metros da sua casa e que não seria possível criar um tumulto que pudesse facilitar a fuga.
Bolsonaro culpou uma das médicas por ter prescrito o medicamento sem comunicar aos demais médicos.
