/

Home

/

Noticias

/

Brasil

/

Contag, investigada por fraude no INSS, movimentou R$ 2 bilhões e tem transações suspeitas, diz Coaf

Contag, investigada por fraude no INSS, movimentou R$ 2 bilhões e tem transações suspeitas, diz Coaf

Por Vinícius Valfré/Gustavo Côrtes/Folhapress

02/10/2025 às 20:15

Atualizado em 02/10/2025 às 20:16

Foto: Saulo Cruz/Agência Senado/Arquivo

A Contag é um dos alvos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS

A Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), uma das investigadas no suposto esquema de descontos ilegais a beneficiários do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), movimentou R$ 2 bilhões em um ano.

A informação está em um relatório enviado à CPI do INSS pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e produzido com base na movimentação financeira da entidade entre maio de 2024 e maio de 2025.

Em nota, a Contag informou que não teve acesso ao documento e que pauta sua atuação pela transparência, legalidade e responsabilidade social (leia mais abaixo).

Os R$ 2 bilhões movimentados no período de um ano se deram da seguinte forma: R$ 1,017 bilhão em receitas e R$ 1,015 bilhão em pagamentos.

O faturamento anual da Contag, segundo os dados bancários, foi de R$ 507 milhões, apurados em 2023. As informações foram prestadas por uma agência do Banco do Brasil no Distrito Federal onde a Contag tem conta desde 1976.

Uma parte das transações da Contag no período foi classificada como “suspeitas de irregularidades podendo caracterizar desvio com fraudes”.

Uma das suspeitas apontadas se deu em regiões de fronteira com outros países. São citados os municípios de Rodeio Bonito (RS), Cruzeiro do Sul (AC) e Tangará da Serra (MT). Os três não são imediatamente vizinhos de cidades estrangeiras, mas estão localizados em faixas consideradas fronteiriças.

Os valores que chamaram a atenção do Coaf nessas regiões não estão discriminados no relatório. O documento cita apenas que nesses locais foram registradas “operações de cheques viagens”. Trata-se de um sistema de pagamentos que consiste na compra de um crédito junto a banco que pode ser usado no destino.

Além disso, o relatório de inteligência financeira aponta transações “para terceiros cuja relação comercial com a entidade” não foi identificada. E, ainda, uma “elevada movimentação nas contas em curto período”, como em abril de 2025 quando R$ 46,4 milhões foram depositados.

O relatório aponta também que a Contag operou “valores elevados em Fundos de Renda Fixa de longo prazo” de forma “incompatível com a declaração de rendimentos”.

“Movimentação realizada muito acima da declarada para o período em regiões de fronteira, com pessoas sem aparente vínculo comercial. Incluindo denúncias externas em apuração. Diante do exposto, comunicamos, por suspeitas de irregularidades podendo caracterizar desvio com fraudes”, diz o documento do Coaf.

A Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, foi deflagrada em abril deste ano. A Contag é uma das investigadas. Criada nos anos 1960, ela é a que mais arrecadou com descontos associativos.

Entre 2016 e janeiro de 2025, foram R$ 3,4 bilhões, segundo dados levantados pela Controladoria-Geral da União (CGU).

A entidade é politicamente próxima do PT, com quadros do partido entre seus dirigentes e ex-dirigentes. O ex-presidente é Aristides Veras, irmão do deputado federal Carlos Veras (PT-PE), primeiro secretário da Câmara.

A Contag informou que não teve acesso ao documento mencionado, mas comentou trechos do relatório que foram apresentados em pedido de manifestação à sua assessoria de imprensa.

Disse que os R$ 2 bilhões movimentos são “resultado de transferências, repasses e pagamentos referentes ao funcionamento de toda a estrutura sindical nacional”.

Sobre as movimentações em áreas de fronteira, disse que “possui sindicatos filiados em todas as regiões do País” e que as “únicas movimentações possíveis existentes são transações bancárias rotineiras de sindicatos locais e de atividades sindicais legítimas nessas localidades”. Também afirmou que jamais emitiu cheques viagens.

“Todos os recursos movimentados possuem origem identificada e são registrados em conformidade com as obrigações legais e fiscais da entidade”, frisou.

Comentários
Importante: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Política Livre
politica livre
O POLÍTICA LIVRE é o mais completo site sobre política da Bahia, que revela os bastidores da política baiana e permite uma visão completa sobre a vida política do Estado e do Brasil.
CONTATO
(71) 9-8801-0190
SIGA-NOS
© Copyright Política Livre. All Rights Reserved

Design by NVGO

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.