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Barroso defende postura do STF sobre liberdade de expressão, 'talvez com uma ou outra derrapada'

Barroso defende postura do STF sobre liberdade de expressão, 'talvez com uma ou outra derrapada'

Por José Marques, Folhapress

19/08/2025 às 17:53

Atualizado em 19/08/2025 às 20:30

Foto: Gustavo Moreno/SCO/STF/Arquivo

O presidente do STF, Luís Roberto Barroso

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luís Roberto Barroso, disse nesta terça-feira (19) que desde a implementação da Constituição de 1988, o tribunal tem sido "especialmente libertário em matéria de expressão, talvez com uma ou outra derrapada".

O discurso do ministro foi feito na abertura do Seminário Liberdade de Imprensa e o Poder Judiciário, realizado no CNJ (Conselho Nacional de Justiça) —órgão que também é comandado por ele.

Em sua fala, Barroso citou episódios de censura durante a ditadura militar e afirmou que, em reação a isso, a Constituição de 1988 foi "bem obsessiva em matéria de liberdade de expressão", mas que ainda assim "a cultura do país ainda continua a ser relativamente censória".

"Em matéria de liberdade de imprensa e de liberdade de expressão nós temos que ter muito cuidado em qualquer regulação e em qualquer legislação, porque o passado condena. Nós temos uma tradição censória que vem desde a carta de Pero Vaz de Caminha", disse o presidente do Supremo em seu discurso.

Escrita em 1500, a carta de Caminha foi mantida em sigilo pela monarquia portuguesa à época para evitar que a informação sobre o encontro das terras que hoje compõem o Brasil fosse transmitida aos espanhóis —o documento só se tornaria público quase três séculos mais tarde.

Ele também defendeu, sem nomear o ministro Alexandre de Moraes, decisões que foram tomadas em relação a manifestações antidemocráticas nas redes sociais nos últimos anos, e mencionou o julgamento que ampliou a obrigação de plataformas digitais no Brasil ao declarar a inconstitucionalidade parcial do artigo 19 do Marco Civil da Internet.

"A ascensão das plataformas digitais e muitos abusos e articulações antidemocráticas levaram a uma ou outra situação de fronteira delicada, e acho que nós fizemos uma regulação das mídias sociais muito razoável e muito ponderada, que protege a liberdade de expressão", disse.

Na ocasião do julgamento, o Supremo decidiu que as redes sociais serão responsáveis civilmente caso não removam de forma proativa, antes de determinação judicial, uma lista de conteúdos, incluindo antidemocráticos, discriminatórios ou de incitação a crimes.

No evento que acontece no CNJ, será apresentada a pesquisa "Processos Judiciais sobre Liberdade de Imprensa", feita pelo Jusbrasil, pela Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) e pelo Instituto Tornavoz, que trata de liberdade de expressão.

A presidente da Abraji, Katia Brembatti, e a co-fundadora do Tornavoz, Tais Gasparian, que também advogada da Folha, participam de um painel sobre assédio judicial contra jornalistas.

A pesquisa sobre liberdade de expressão analisou 24.275 decisões judiciais sobre o tema proferidas de 2015 a 2024, a partir de uma leitura feita com inteligência artificial.

No estudo, aponta-se que, nesse período, 60% das decisões entenderam que a liberdade de imprensa foi exercida regularmente, enquanto 38% entenderam que ela foi extrapolada.

Quando se analisa as decisões sobre liberdade de imprensa que falam em danos morais, em 58% o juiz ou o colegiado de magistrados entendeu que esse direito foi exercido de forma regular, enquanto em 41% entende-se que ele foi extrapolado.

Em uma pequena parcela de decisões, a inteligência artificial ficou indecisa a respeito das conclusões dos magistrados —por isso os valores somados não chegam ao percentual cravado de 100%.

Nos processos analisados, o assunto mais citado é "danos morais", que é mencionado em 66% das ações. Em segundo lugar vem "remoção de notícias", com 12%, seguido de temas eleitorais, com 8%.

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