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EUA e Reino Unido assinam acordo que deve garantir cota sem tarifas para aço e alumínio
EUA e Reino Unido assinam acordo que deve garantir cota sem tarifas para aço e alumínio
Por Folhapress
16/06/2025 às 21:45
Atualizado em 16/06/2025 às 21:45
Foto: Reprodução/Instagram

Acordo entre os Estados Unidos e o Reino Unido anunciado durante a Cúpula do G7 nesta segunda-feira (16) pode garantir ao país europeu uma cota isenta das tarifas de 25% para vendas de aço e alumínio aos EUA.
As cotas, ainda não definidas, estão condicionadas ao cumprimento pelo Reino Unido de certos requisitos sobre a segurança das cadeias de abastecimento de aço e a propriedade de instalações siderúrgicas relevantes, de acordo com uma medida assinada pelo presidente Donald Trump.
No acordo comercial anunciado em maio, houve uma promessa de que o país seria poupado de algumas tarifas de segurança nacional dos EUA se atendesse aos requisitos de Washington para excluir a China de cadeias de suprimentos essenciais.
A medida de Trump oficializa o acordo que reduz a tarifa americana sobre carros de 27,5% para 10% para os primeiros 100 mil veículos enviados pelo Reino Unido anualmente e isenta o setor de aviação civil das tarifas padrão de 10%.
A isenção para o setor aeroespacial confirma que o Reino Unido será isento de quaisquer sobretaxas que surjam de uma investigação de segurança nacional dos EUA sobre um setor que está entrelaçado à indústria americana.
Em troca, o Reino Unido se comprometeu a trabalhar para atender aos requisitos americanos de segurança das cadeias de suprimento dos metais
A contrapartida exigida do Reino Unido, de garantir a segurança das cadeias de suprimento dos metais, confirma as preocupações dos EUA em relação ao controle British Steel. Embora o governo britânico tenha assumido as operações da siderúrgica, seu detentor legal continua sendo o Jingye Group, da China.
O primeiro-ministro britânico Keir Starmer tem enfrentado pressão política interna para implementar o acordo rapidamente, principalmente de setores afetadas pelas tarifas.
O Reino Unido também concedeu aos EUA maior acesso ao mercado para carne bovina, etanol e produtos industriais.
Trump e Starmer se reuniram brevemente nesta segunda-feira à margem da cúpula do G7 em Kananaskis, Canadá, para discutir o acordo comercial.
"Acabamos de assiná-lo e está feito", disse Trump aos repórteres logo após a reunião. Starmer também confirmou que os termos do acordo comercial abrangendo o comércio de automóveis e aeroespacial entrariam em vigor.
"Este é um dia muito bom para ambos os nossos países, um verdadeiro sinal de força", disse Starmer.
O acordo foi o primeiro selado por Trump após o anúncio das tarifas recíprocas em abril, ameaçando os parceiros comerciais com sobretaxas de até 50%, antes de serem suspensas por 90 dias.
O governo britânico disse que espera que as disposições do acordo comercial entrem em vigor até o final do mês.
O texto da medida de Trump orienta o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, a alterar formalmente as tarifas sobre mercadorias britânicas dentro de sete dias após o registro oficial do documento.
A medida também disse que os EUA negociarão no futuro com o Reino Unido sobre quaisquer potenciais tarifas farmacêuticas americanas que possam ser aplicadas.
O acordo comercial EUA-Reino Unido visa reduzir as tarifas americanas sobre as exportações britânicas de aço e alumínio para zero, mas têm havido negociações prolongadas sobre a implementação do plano.
Autoridades britânicas disseram que questões "técnicas e legais" continuavam a atrasar a confirmação da uma cota livre de tarifas para aço e alumínio.
Produtores de aço no resto do mundo, como o Brasil, enfrentam uma taxa de 50% sobre suas exportações para os EUA depois que Trump dobrou a tarifa de 25% neste mês. O Reino Unido ficou de fora desse último aumento.
As negociações se complicaram pelo fato de que uma proporção significativa do aço do Reino Unido é reprocessada a partir de material importado e não atende a um requisito americano de que seja "derretido e despejado" no país de origem para se qualificar para isenções.
Entidades da siderurgia britânica disseram que não esperam que os arranjos do acordo comercial sejam finalizados até o final do mês, e colocá-los em vigor pode demorar ainda mais. Um porta-voz do governo britânico disse que as conversas entre sobre o aço ainda continuam.
A Society of Motor Manufacturers and Traders, associação das montadoras britânicas, descreveu a oficialização do acordo como "ótima notícia". O setor de etanol, no entanto, alertou que a decisão de conceder aos produtores dos EUA uma cota isenta de 1,4 bilhão de litros destruirá os produtores domésticos.
