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Decisão de Moraes mostra nanismo do Itamaraty, diz bolsonarista que preside comissão da Câmara
Decisão de Moraes mostra nanismo do Itamaraty, diz bolsonarista que preside comissão da Câmara
Por Danielle Brant/Folhapress
16/04/2025 às 17:18
Foto: Alan Santos/Câmara dos Deputados

O embate entre o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e a Justiça espanhola sobre a extradição do influenciador bolsonarista Oswaldo Eustáquio evidencia o "nanismo diplomático do Itamaraty", afirma o presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, Filipe Barros (PL-PR), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Na terça-feira (15), Moraes suspendeu a extradição de Vasil Georgiev Vasilev, acusado na Espanha de tráfico de drogas. A medida foi tomada um dia depois de o Judiciário espanhol rejeitar a extradic?a?o de Eustáquio, conforme pedido pelo governo brasileiro apo?s a decretação da prisa?o preventiva pelo STF.
Na decisão, o ministro do STF cita a exige?ncia de reciprocidade prevista na Lei de Migrac?a?o e no Tratado de Extradic?a?o entre a Repu?blica Federativa do Brasil e o Reino da Espanha, formalizado em 1990. Ele ainda determinou que o governo da Espanha, por meio de sua embaixada, "preste informações em cinco dias, comprovando o requisito da reciprocidade".
Filipe Barros contesta a decisão de Moraes. "A extradição ou não é ato exclusivo do presidente da República, e não do Judiciário", argumenta. "Cabe ao STF apenas a análise formal, e não de mérito ou conveniência".
Perguntado sobre se o episódio prejudicaria as relações bilaterais Brasil-Espanha, o parlamentar afirmou que "totalmente".
Segundo ele, o caso comprova "o nanismo diplomático do Itamaraty, que abre mão da política externa, para o Judiciário". "Demonstra, mais uma vez, para outros países, a politização de integrantes do Judiciário brasileiro", complementa.
O Itamaraty, por sua vez, avalia que o episódio não vai causar qualquer tipo de impacto na relação entre os países por se tratar de uma questão que envolve o Poder Judiciário brasileiro e espanhol, e não os governos em si. Integrantes do ministério complementam que a relação entre os países é muito boa.
