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Mais de um terço das pessoas que apostam tem algum grau de risco para vício, afirma estudo

Mais de um terço das pessoas que apostam tem algum grau de risco para vício, afirma estudo

Por Raquel Lopes/Folhapress

27/03/2025 às 21:15

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil/Arquivo

Sites de apostas se tornaram populares no Brasil

Uma pesquisa inédita do Ministério da Justiça e Segurança Pública, divulgada nesta quarta-feira (26), mostra que mais de um terço dos apostadores apresenta algum nível de risco ou transtorno relacionado ao jogo, com os adolescentes sendo o grupo mais vulnerável.

Os dados apontam que 55,2% dos jovens que apostam estão na zona de risco. O estudo faz parte do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, uma pesquisa domiciliar conduzida pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) com financiamento da Senad (Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos).

A pesquisa, que conta com dados de 2023, incluiu um bloco de perguntas voltadas para apostas e comportamento relativos a jogos. Embora não envolva o uso de substâncias químicas, o comportamento de jogar pode apresentar características comuns aos de transtornos por uso de substâncias, incluindo perda e controle, tolerância e abstinência.

O objetivo é mapear padrões de consumo e comportamentos associados ao uso de substâncias no Brasil. A pesquisa abrange indivíduos com 14 anos ou mais, selecionados em diferentes cidades do país.

As apostas englobam diferentes modalidades, incluindo loterias, sites de apostas online, jogo do bicho, raspadinhas e cassinos.

Os dados foram divulgados durante o lançamento do Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas, no Ministério da Justiça.

A pesquisa mostrou ainda que o consumo de analgésicos opioides registrou um aumento expressivo na última década. Segundo os dados levantados, a taxa na população geral saltou de 0,8% em 2012 para 7,6% em 2023.

Os opioides são compostos que interagem com receptores do sistema nervoso para aliviar a dor e são amplamente utilizados no pós-operatório para amenizar desconfortos intensos. No entanto, seu uso inadequado pode levar à dependência, tornando-se um problema de saúde pública.

No Brasil, essas substâncias já circulam no mercado ilegal, chegando a usuários sem prescrição médica e fora do ambiente hospitalar, o que amplia os riscos associados ao consumo descontrolado.

Segundo a pesquisa, entre as mulheres, o crescimento foi ainda mais expressivo, saltando de 1% para 8,8% de 2012 a 2023.

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