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PGR diz que Bolsonaro concordou com plano para matar Lula, mas não comprova

PGR diz que Bolsonaro concordou com plano para matar Lula, mas não comprova

Por Cézar Feitoza , José Marques , Marcelo Rocha e Ranier Bragon/Folhapress

19/02/2025 às 06:41

Atualizado em 19/02/2025 às 06:41

Foto: José Cruz/Arquivo/Agência Brasil

Procuradoria-Geral da República

A denúncia assinada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirma que Jair Bolsonaro (PL) tomou conhecimento e "anuiu" com o plano "Punhal Verde Amarelo", que tratava do assassinato de autoridades, entre eles Lula (PT), seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), e o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

Gonet, porém, indica elementos frágeis nos quais se baseou para fazer a afirmação de que o ex-presidente concordou com o plano de assassinatos.

A imagem mostra um homem em um ambiente de delegacia, com uma placa ao fundo que diz 'Delegacia de Polícia'. O homem tem cabelo grisalho e está usando uma camisa preta. Ao fundo, é possível ver outra pessoa com um terno e gravata, parcialmente visível.

Nas investigações da Polícia Federal, há indicativos de que o documento foi impresso no Palácio do Planalto e levado ao Palácio da Alvorada em momentos coincidentes com a presença de Bolsonaro, mas não há provas que tenham vindo a público de que o ex-presidente tenha concordado com ele.

"Os membros da organização criminosa estruturaram, no âmbito do Palácio do Planalto, plano de ataque às instituições, com vistas à derrocada do sistema de funcionamento dos Poderes e da ordem democrática, que recebeu o sinistro nome de 'Punhal Verde Amarelo'", diz a denúncia tornada pública nesta terça-feira (18).

"O plano foi arquitetado e levado ao conhecimento do presidente da República, que a ele anuiu, ao tempo em que era divulgado relatório em que o Ministério da Defesa se via na contingência de reconhecer a inexistência de detecção de fraude nas eleições."

Para respaldar sua afirmação, Gonet cita principalmente uma mensagem de WhatsApp enviada pelo general da reserva Mario Fernandes —então número 2 da Secretaria-Geral da Presidência e apontado como autor do "Punhal Verde Amarelo"— ao tenente-coronel Mauro Cid, chefe da ajudância de ordens de Bolsonaro.

"A ciência do plano pelo presidente da República e a sua anuência a ele são evidenciadas por diálogos posteriores, comprobatórios de que Jair Bolsonaro acompanhou a evolução do esquema e a possível data de sua execução integra", escreveu Gonet.

O procurador-geral relata, então, a mensagem enviada por Fernandes a Cid: "Durante a conversa que eu tive com o presidente, ele citou que o dia 12, pela diplomação do vagabundo, não seria uma restrição, que isso pode, que qualquer ação nossa pode acontecer até 31 de dezembro e tudo. Mas (…) ai na hora eu disse, pô presidente, mas o quanto antes, a gente já perdeu tantas oportunidades".

A conclusão de Gonet avança um degrau, inclusive, em relação ao entendimento da PF, que afirmou que Bolsonaro sabia do plano "Punhal Verde Amarelo", mas não fala que ele tenha autorizado sua execução.

Em manifestações anteriores, Bolsonaro negou ter tido conhecimento do plano ou que tenha discutido assassinato de autoridades.

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