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EUA dizem que voltar ao mapa da Ucrânia pré-guerra é irreal e sinalizam partilha do território

EUA dizem que voltar ao mapa da Ucrânia pré-guerra é irreal e sinalizam partilha do território

Por Folhapress

12/02/2025 às 17:15

Atualizado em 12/02/2025 às 18:00

Foto: Reprodução/Instagram

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth

O retorno às fronteiras da Ucrânia anteriores a 2014 é "um objetivo irrealista e ilusório" no acordo de paz entre ucranianos e russos que o presidente Donald Trump deseja alcançar, disse nesta quarta-feira (12) o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, em encontro da Otan em Bruxelas.

Em sua primeira reunião com os ministros da Defesa de países do bloco militar e da Ucrânia, Hegseth disse que Trump "pretende encerrar esta guerra por meio da diplomacia e levando tanto a Rússia quanto a Ucrânia à mesa".

Para o secretário, porém, a tentativa da Ucrânia de tentar recuperar todo o território que a Rússia tomou desde 2014, como insiste que deve fazer, "só prolongará o conflito e causará mais sofrimento".

"Só encerraremos esta guerra devastadora e estabeleceremos uma paz duradoura ao combinar a força aliada com uma avaliação realista do campo de batalha".

Também nesta quarta-feira (12), Trump conversou por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin. Ambos, segundo o americano, concordaram em visitar um ao outro como parte de negociações para o fim da Guerra da Ucrânia.

Trump publicou a respeito do telefonema na Truth, sua rede social, e disse que as negociações para o encerramento do conflito começarão imediatamente. Na sequência, o americano falou com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, sobre seus planos para encerrar a guerra.

Hegseth também disse na reunião que Trump espera da Europa mais responsabilidade financeira e militar pela defesa da Ucrânia. O secretário prosseguiu ao afirmar que os europeus deveriam gastar mais dinheiro em suas Forças Armadas, até 5% do PIB, enquanto os EUA lidam com seus próprios riscos de segurança e o desafio da China. Trump, acrescentou, não apoia a adesão da Ucrânia à Otan como parte de um plano de paz realista.

Após um acordo, "uma paz duradoura para a Ucrânia deve incluir garantias de segurança robustas para garantir que a guerra não recomece", mas isso seria responsabilidade, disse ele, de tropas europeias e não europeias em uma "missão não Otan", não protegida pelo compromisso do Artigo 5 da aliança com a defesa coletiva.

Nenhuma tropa dos EUA será enviada para a Ucrânia, disse ele, e a Europa deve fornecer "a maior parte do futuro auxílio letal e não letal à Ucrânia".

Líderes europeus e da aliança têm esperado ansiosamente para saber quais são os objetivos de Trump para um acordo na Ucrânia. As declarações de Hegseth, na abertura de um grande grupo de nações que apoiam Kiev, não surpreenderam, mas marcam uma grande mudança em relação à política de Joe Biden, que afirmava que cabia à Ucrânia decidir se faria concessões em troca da paz —o que até agora significou preservar a soberania ucraniana dentro de suas fronteiras internacionalmente reconhecidas e apoiar o país em seu esforço para expulsar as forças russas de todo seu território pré-guerra.

A Otan prometeu que a Ucrânia se tornará um dia membro da aliança, mas sem especificar uma data. A fala de Hegseth parece adiar essa data para um futuro imprevisível, se chegar.

Suas observações criarão dificuldades políticas para Zelenski e provavelmente agradarão a Putin, que desde 2014, e especialmente com sua invasão total há três anos, ocupou cerca de 20% do país.

Putin exige que a Rússia mantenha seus territórios ocupados, que a Ucrânia não se junte à Otan e tenha capacidade militar limitada e que a expansão da aliança seja interrompida. Ele disse estar disposto a participar de negociações sobre um acordo com a Ucrânia, mas apenas em seus termos.

Para ajudar a levar Putin à mesa de negociações, Hegseth instou a redução dos preços de energia, "juntamente com uma aplicação mais eficaz das sanções energéticas".

Os EUA "permanecem comprometidos com a aliança da Otan e com a parceria de defesa com a Europa, ponto final, mas não tolerarão mais um relacionamento desequilibrado que encoraje a dependência", disse Hegseth.

Portanto, a Europa deve assumir a responsabilidade por sua própria defesa convencional, disse ele, enquanto insinuava que o guarda-chuva nuclear dos EUA que ajuda a proteger a Otan e a Europa permaneceria no lugar.

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