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Setor químico desmente plásticos na alta dos alimentos

Setor químico desmente plásticos na alta dos alimentos

Por Julio Wiziack/Folhapress

27/01/2025 às 19:32

Foto: Divulgação/Prefeitura de Curitiba

Cesta básica

O presidente da Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química), André Passos, desmente que a inflação dos alimentos se deve ao preço das embalagens plásticas, como afirmou a Abiplast (Associação Brasileira da Indústria dos Plásticos).

A declaração é uma resposta a José Ricardo Roriz, presidente do conselho da Abiplast, que afirmou à coluna Painel S.A., do jornal Folha de S.Paulo, que a escalada do preço dos alimentos se deve, fundamentalmente, à elevação das alíquotas de importação de resinas, cujo peso no preço final dos alimentos é de até 25%.

A resina é um insumo usado na produção do plástico. A produção local é basicamente feita pela Braskem, mas há outras fabricantes que importam as resinas.

"Esse peso é de 0,26%", rebateu André Passos, presidente da Abiquim. "Uma cesta básica tem 146,7 gramas de plástico em embalagens. Cada grama custa R$ 0,009, o que dá R$ 1,32 em uma cesta, cujo preço, segundo o Dieese, foi de R$ 841,29 na capital paulista em dezembro".

Passos considera "irresponsabilidade" jogar no setor químico o peso pelo aumento dos alimentos e diz que se comprometeu com o governo a informar quando isso ocorresse.

"O que a Abiplast fez foi tentar justificar o aumento verificado nos plásticos com a alta das alíquotas das resinas quando, na verdade, registramos queda", disse Passos.

"Mesmo com as alíquotas de importação em alta, os preços internos [de resinas termoplásticas] caíram 2,23%, em novembro, e 2,95%, em dezembro".

Consultado, Roriz, da Abiplast, reafirmou o peso das resinas nas embalagens dos alimentos. Segundo ele, as tarifas de importação são, em média, o dobro daquelas praticadas nos países da OCDE (Organização para Cooperação de Desenvolvimento Econômico).

"Os aumentos de resinas de polietileno e de prolipropileno só nessas primeiras semanas de janeiro de 2025 foram de 8% e 4% respectivamente, disse Roriz. "Fora o que já se vem anunciando para fevereiro".

A Abiplast informa que, com o aumento temporário, em outubro de 2024, as alíquotas de importação ficaram quase quatro vezes mais elevadas do que a média. A associação diz ainda que há medidas protecionistas (antidumping) para diversos segmentos das resinas.

"Em média, a diferença dos preços internacionais com preço interno é de 35% a 40%", diz Roriz. "Isso considerando o custo da embalagem sem levar em conta o uso do plástico na produção de alimentos e o impacto dos aumentos de preços de resinas".

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