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Netanyahu diz que Israel não seguirá com cessar-fogo até receber uma lista de reféns

Netanyahu diz que Israel não seguirá com cessar-fogo até receber uma lista de reféns

Por Folhapress

18/01/2025 às 17:20

Atualizado em 19/01/2025 às 07:39

Foto: Reprodução/Instagram

O premiê de Israel, Binyamin Netanyahu

Israel ameaçou a não prosseguir com o cessar-fogo na Faixa de Gaza até receber a lista dos 33 reféns que serão libertados pelo Hamas na primeira fase do acordo, disse o premiê Binyamin Netanyahu neste sábado (18).

"Não avançaremos com o acordo até recebermos a lista de reféns que serão libertados, conforme acordado. Israel não tolerará violações do acordo. A única responsabilidade é do Hamas", disse Netanyahu em um comunicado.

Também no sábado, Netanyahu afirmou que Israel tem o direito de reiniciar os combates caso a segunda etapa do cessar-fogo não seja cumprida. "Se precisarmos voltar a lutar, nós faremos isso de maneiras renovadas e contundentes", declarou. "O presidente [eleito dos EUA] Trump e o presidente Biden deram apoio total ao direito de Israel de retornar ao combate se concluir que as negociações da fase B são inúteis".

O gabinete de segurança de Israel superou divergências e havia aprovado, na sexta-feira (17), um acordo de cessar-fogo com o grupo terrorista Hamas, encerrando um processo de negociação que durou meses.

O colegiado votou o acordo, programado em vigor neste domingo (19) no horário local, por um placar de 24 ministros a favor e 8 contrários, de acordo com a imprensa israelense. A reunião durou mais de seis horas.

Segundo o acordo, os conflitos seriam interrompidos e dezenas de reféns mantidos pelo Hamas seriam trocados por dezenas de palestinos presos em Israel.

Mas apenas um dia antes do acordo ser fechado, Israel adiou a reunião de seu gabinete de segurança. Foi a primeira crise em torno da trégua anunciada na quarta (15) e marcada por vaivéns.

A base da ultradireita religiosa em Israel é contra o acordo porque nele os 98 reféns ainda em poder do Hamas após o ataque de outubro de 2023 serão trocados por cerca de 1.000 prisioneiros palestinos.

Ao menos 30 desses detidos em Israel cumprem prisão perpétua por matar judeus, e as solturas são vistas como um risco à segurança nacional pelos ortodoxos.

Assim, a notícia do cessar-fogo na Faixa de Gaza provocou forte reação na extrema direita que apoia Netanyahu.

O maior expoente do grupo, ministro Itamar Ben-Gvir (Segurança Nacional), ameaçou se demitir e pediu que o colega Bezalel Smotrich (Finanças) faça o mesmo.

Ambos são integrantes do chamado gabinete de segurança, que teve de aprovar o plano após pressão do novo governo dos Estados Unidos, com Donald Trump de volta à Casa Branca a partir da próxima segunda-feira (20).

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