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Prisão de Braga Netto desperta temor de delação de militares de baixa patente entre bolsonaristas
Prisão de Braga Netto desperta temor de delação de militares de baixa patente entre bolsonaristas
Por Mônica Bergamo/Folhapress
23/12/2024 às 07:00
Foto: Fernando Frazão/Arquivo Agência Brasil

A possibilidade de o general Walter Braga Netto firmar um acordo de colaboração com a Polícia Federal (PF) no âmbito do inquérito que investiga a tentativa de um golpe de estado no Brasil é considerada remota por integrantes do núcleo próximo de Jair Bolsonaro (PL). Há o temor, no entanto, de que a prisão dele impulsione outros militares, de mais baixa patente, a fazerem delação.
De acordo com um dos integrantes desse grupo, Braga Netto conseguiria resistir a um tempo mais longo de prisão —mas militares menos graduados poderiam enxergar a detenção prolongada do ex-comandante como uma ameaça: se até ele, que foi vice-presidente, que foi general quatro estrelas, não conseguiu escapar de uma longa temporada no cárcere, que dirá figuras de menor projeção.
O mesmo sentimento, analisam esses interlocutores de Bolsonaro, teria movido o tenente-coronel Mauro Cid a fazer delação. Entre a oportunidade de recompor a própria vida, preservando a sua família, e a lealdade ao ex-presidente, ele optou por assinar acordo com a PF.
Braga Netto foi preso no dia 14, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, sob a suspeita de tentar obstruir as investigações sobre o golpe.
Um de seus atos teria sido justamente tentar descobrir o que Mauro Cid relatou e seu acordo de colaboração. Ele nega.
Na semana passada, o militar anunciou a contratação do criminalista José Luis Oliveira Lima para representá-lo. O defensor afirmou que Braga Netto não vai firmar qualquer acordo de colaboração premiada com a PF, "uma vez que não praticou nenhum ilícito".
Disse ainda que a delação de Mauro Cid, que envolveu o general na trama golpista, é mentirosa e "pior" do que as firmadas na Operação Lava Jato.
