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Resultado de eleição em Camaçari logo mais pode fortalecer Caetano para 2030 ou ACM Neto já em 2026

Resultado de eleição em Camaçari logo mais pode fortalecer Caetano para 2030 ou ACM Neto já em 2026

Por Política Livre

27/10/2024 às 16:05

Atualizado em 27/10/2024 às 16:05

Foto: Reprodução/Facebook

Os candidatos a prefeito de Camaçari, Flávio Matos (União Brasil) e Luiz Caetano (PT)

Seja qual for o resultado eleitoral do segundo turno em Camaçari neste domingo (27), é certo que a disputa entre Luiz Caetano (PT) e Flávio Matos (União Brasil) já deixou sinais claros de que haverá implicações na conjuntura da política da Bahia.

Basta ver que a corrida municipal foi suplantada pela polarização estadual, numa espécie de memória de 2022, mas sobretudo de uma antecipação em dois anos do embate que se desenha para 2026 entre a tentativa de reeleição de Jerônimo Rodrigues (PT) e o desejo de ACM Neto de chegar ao governo da Bahia.

Numa eleição severamente apertada, não há em nenhum dos dois campos alguém que ouse cravar um resultado para este domingo. Mas os profissionais da política já começam a mapear os próximos passos de Flávio e de Caetano e também dos seus respectivos grupos daqui por diante.

Em caso de derrota, Caetano retornaria para o comando da Secretaria de Relações Institucionais a peso de ouro, já que a pasta encontrou muitos gargalos após a sua saída e não conseguiu deslanchar. Mas em outro olhar, interlocutores do petista dizem que ele está entusiasmado mesmo é com a ideia de disputar o governo da Bahia em 2030. O plano, distante, passa, necessariamente, pela conquista de Camaçari.

Mesmo com a hipótese de não chegar à Prefeitura, Caetano estaria em posição mais vantajosa diante de outros quadros petistas, já que o partido patinou nas grandes cidades da Bahia ele foi o único a mostrar competitividade. Caetano fica atrás apenas do ex-governador e ministro Rui Costa, o nome mais experimentado da legenda depois de Jaques Wagner.

Flávio, por sua vez, sairá desse embate muito maior do que entrou. De vereador e presidente da Câmara Municipal, será visto a partir de então como a segunda maior liderança da região no grupo do prefeito Antônio Elinaldo (União Brasil).

De acordo com o cenário apontado nos bastidores, no caso de não ser eleito prefeito, Flávio poderia ser aproveitado no secretariado do prefeito Bruno Reis (União Brasil) em Salvador. Também poderia concorrer como deputado estadual em 2026, enquanto Elinaldo, que mira uma cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia em caso de vitória de Flávio, se tornaria em 2026 um dos principais coordenadores da campanha de ACM Neto ao lado de Bruno Reis.

Se vencer a disputa, Flávio Matos mantém o controle da quarta maior cidade da Bahia com o União Brasil, ajudando a fechar o cinturão azul na Região Metropolitana do partido e de aliados em Salvador, Lauro de Freitas, Simões Filho, Mata de São João, Dias D’ávila e Candeias.

Mas para o PT, a eleição de Caetano é uma questão de honra, já que esta é a única cidade entre as dez maiores do Estado que poderá ser controlada pela legenda. Diante deste cenário, Caetano se vê ainda mais fortalecido para a possibilidade de se apresentar como postulante ao governo estadual em 2030.

ESTADUALIZAÇÃO

Diante da estadualização do processo, o resultado de hoje poderá ter um valor simbólico muito superior ao que corresponde à realidade municipal, uma vez que o vencedor poderá requerer para si o mérito de ter vencido todo o campo político do opositor.

Flávio Matos, por exemplo, vereador e presidente da Câmara, poderá, em hipótese de vitória, dizer que venceu o “time de Lula” na Bahia, assim como Luiz Caetano poderá dizer que derrotou ACM Neto.

Também em função do agigantamento da disputa, seja quem for o derrotado, estará em 7 de outubro com um tamanho relativamente maior do que entrou. Pelo menos é comum analisar as fontes de ambos os lados.

Quanto a Jerônimo e ACM Neto, ambos enxergam Camaçari como uma peça crucial, seja para consolidar o espaço que têm, seja para fragilizar o campo adversário. Mas há uma avaliação, inclusive de governistas, que a estadualização pode ter sido um erro estratégico, já que ela ajudou a “ressuscitar” Neto e mobilizou em torno dele diversos aliados que não estariam tão perto dele se a eleição não tivesse tomado esse rumo de polarização estadual.

É o caso até do prefeito eleito de Feira de Santana, Zé Ronaldo (União Brasil), cujas feridas com Neto permaneciam abertas desde 2022.

A estratégia de estadualização colocou Neto de volta ao jogo e reagrupou uma oposição estadual que ainda parecia dispersa dois anos depois da eleição de Jerônimo. “A oposição está mais viva do que nunca” é o lema que eles fazem ecoar de Camaçari para todo o Estado, seja qual for o resultado deste domingo.

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