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Fortalecido por gestão da Covid, Luis Lacalle Pou prepara sua saída do governo no Uruguai

Fortalecido por gestão da Covid, Luis Lacalle Pou prepara sua saída do governo no Uruguai

Por Mayara Paixão/Folhapress

26/10/2024 às 09:00

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil/Arquivo

O presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou

Parece mentira dizer que a pandemia fortaleceu um presidente. Mas, no Uruguai, é verdade. Luis Lacalle Pou, 51, está nos últimos meses de seu mandato, e as suas políticas na época de crise sanitária do coronavírus ajudaram em sua popularidade.

O surfista formado em direito e filho de ex-presidente interrompeu em 2019 a série de três governos da Frente Ampla, aliança de esquerda e centro-esquerda, e fez o Partido Nacional voltar ao poder. Agora, goza da média de 50% de aprovação, segundo o instituto Equipos.

É um número distante dos 65% com os quais Lacalle Pou deu a largada em março de 2020, mas a queda —o fim da chamada "lua de mel" entre eleitorado e presidente— é vista como natural dos desgastes que um mandato acarreta.

Seus 50% de aprovação se aproximam dos 49% de José "Pepe" Mujica (presidente de 2010 a 2015) na mesma altura do mandato, mas são menores do que os surpreendentes 60% de Tabaré Vázquez em seu primeiro governo (2005 a 2010) nessa época. Esses dois pertenciam à Frente Ampla, que agora tem chances de voltar ao poder.

Mesmo se quisesse, o presidente não poderia concorrer à reeleição, já que a Constituição local veta mandatos consecutivos. Mas analistas políticos locais, como Daniel Chasquetti, não descartam que Lacalle Pou tentará voltar ao cargo nas eleições de 2029 e num projeto mais ambicioso, de criar na direita uma aliança como a Frente.

Hoje com 51 anos, ele tentaria se somar ao pequeno hall de líderes uruguaios eleitos mais de uma vez. Desde a redemocratização (1984-85), foram apenas dois: Julio María Sanguinetti (1982-1990; 1995-2000) e Tabaré Vázquez (2005-2010; 2015-2020).

Durante os anos de pandemia, Lacalle Pou se destacou pela maneira como manejou a crise sanitária. Como em todas as outras nações, no Uruguai houve picos da doença. Mas o presidente não implementou políticas de lockdown. Em seu lugar, defendeu a estratégia chamada de "liberdade responsável".

Ele incentivou o uso de máscaras e o isolamento social, mas não fechou comércio ou impôs medidas restritivas sob o argumento de que o impacto, especialmente para o setor informal, seria catastrófico. A sociedade respondeu bem, e olhar para a vizinhança ajudou.

De um lado, no Brasil, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) desdenhava da crise sanitária e das medidas de contenção, propagando o uso de medicamentos não relacionados ao combate à Covid. Do outro, na Argentina, o peronista Alberto Fernández promovia medidas de restrição, mas uma festa na residência oficial do presidente levou os cidadãos a se questionarem para quem valia as medidas anunciadas.

"Foi na pandemia que Lacalle mostrou uma liderança inquestionável", diz a cientista política uruguaia Fernanda Boidi. "Houve transparência, comunicação clara e responsabilidade, e isso o colocou como um verdadeiro estadista."

A pandemia também o desafiou na área da economia, desacelerando o crescimento. Em 2023, quando a situação poderia melhorar, uma crise hídrica prejudicou o cenário, resultando em um crescimento de apenas 1,3%. O desemprego continua como uma preocupação latente, mas saiu de 11% no pandêmico 2020 para 8% no final de 2022 com políticas públicas de flexibilidade laboral e investimentos externos.

Seu mandato também teve importantes conquistas no Congresso. Ainda nos primeiros meses de mandato, ele aprovou a chamada "LUC", um pacotão de leis com mais de 470 artigos que, entre outras coisas, aumentava o poder de resposta policial em ações e criava um Ministério do Meio Ambiente. A população chegou a votar nas urnas se derrubava uma porção de 135 desses artigos, mas decidiu mantê-los.

Já no ano passado, aprovou uma reforma da Previdência que aumenta a idade mínima de aposentadoria de 60 para 65 anos. Agora, a maior central sindical do país tenta derrubar esse projeto, também nas urnas, em plebiscito. As pesquisas indicam que não dará certo.

Nem tudo, claro, são flores.

Dois temas dificultaram a Presidência de Lacalle: raros escândalos de corrupção nessa pequena porção da América do Sul e a dificuldade em construir políticas que mitiguem o problema que mais preocupa a população: a segurança pública.

Em um dos principais casos de corrupção, o ex-chefe da segurança presidencial, Alejandro Astesiano, foi preso por crimes ligados a tráfico de influências. Astesiano: 1) estava ligado a um esquema de falsificação de registros para dar a cidadãos russos passaportes uruguaios; 2) envolvido em um caos de vigilância ilegal; 3) relacionado a tentativas de corrupção com equipes de futebol.

Ao "caso Astesiano" somou-se o caso Marset, que envolve o maior narcotraficante uruguaio, Sebastián Marset. Conversas mostraram ministros do governos envolvidos na liberação de um passaporte para o procurado pela Justiça. Eles renunciaram. Lacalle Pou seguiu.

Mesmo os analistas locais ainda não entenderam como, mas o presidente conseguiu não poluir muito sua imagem pessoal e política com esses casos.

Seja como for, pode ser que o tempo do Partido Nacional no poder tenha sido curto. As pesquisas de intenção de voto dão alguma margem de favoritismo à Frente Ampla para voltar ao poder.

Indicado por Lacalle Pou para concorrer pelo governismo, seu ex-secretário da Presidência Álvaro Delgado é alguém de pouco carisma. O início da decisão começa nas urnas neste domingo (27) e deve ser chancelado apenas em um segundo turno, em 24 de novembro.

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