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Bacelar lamenta morte de jovens percussionistas do Malê Debalê e reflete sobre a violência nas periferias

Bacelar lamenta morte de jovens percussionistas do Malê Debalê e reflete sobre a violência nas periferias

Por Redação

09/10/2024 às 13:27

Atualizado em 09/10/2024 às 13:27

Foto: Mário Agra/Agência Câmara/Arquivo

O deputado federal Bacelar (PV)

O deputado federal Bacelar (PV) lamentou a morte brutal dos dois irmãos percussionistas do bloco afro Malê Debalê. Daniel, 24, e Gustavo Natividade,15, foram executados na segunda-feira (7) à noite durante um passeio de excursão em Arembepe, no município de Camaçari. "Esses jovens, que tanto contribuíam para a valorização da cultura afro-brasileira através da música e da arte, tiveram suas trajetórias brutalmente interrompidas pela violência que devasta nossas comunidades", lamentou o parlamentar.

As investigações apontam que, horas antes do crime, os jovens teriam postaram nas redes sociais uma foto com sinais nas mãos que são usados por facções criminosas da região. “A violência está tão grande que as facções criminosas têm tomado, inclusive, as redes sociais. As pessoas não podem mais tirar foto e postar sem ter com o que se preocupar. As vítimas foram marginalizadas e a morte banalizada. Pelo contrário, acreditavam no poder de transformação da cultura, do aprendizado e da prática de esportes” afirmou o parlamentar.

Crimes como este têm se tornado comum entre os jovens das periferias brasileiras. O assunto, inclusive, virou tema de estudos internacionais. Uma pesquisa feita pela universidade americana de Oxford aponta que os jovens, muitas vezes, adotam símbolos de facções como forma de ganhar status social, pertencimento e reconhecimento em suas comunidades.

Os estudos mostram ainda que jovens marginalizados, particularmente aqueles de bairros de baixa renda ou afetados pelo crime, recorrem às facções porque estas oferecem uma fonte alternativa de identidade e proteção, diante das poucas oportunidades econômicas disponíveis.

“Os símbolos e gestos associados à cultura das facções proporcionam a esses jovens uma sensação de poder, controle e prestígio que eles dificilmente encontram em outros espaços da sociedade. Em ambientes onde se sentem excluídos ou oprimidos, esses símbolos funcionam como marcadores de respeito entre os pares e uma forma de afirmar sua presença em um cenário social adverso” completou Bacelar.

Tradição e cultura

O bloco Malê Debalê, um dos mais importantes representantes da cultura afro na Bahia, tem sido fundamental na preservação e promoção das tradições de matriz africana, contribuindo para o fortalecimento da identidade cultural baiana.

Bacelar, que tem uma longa história de apoio ao bloco e participou diretamente de sua formação, relembra a importância do Malê Debalê para a construção de uma cultura inclusiva e rica em diversidade.

"O Malê não é apenas um bloco, é um símbolo de resistência cultural e social, que sempre esteve na linha de frente da luta pela valorização do povo negro e suas tradições. É nosso dever, enquanto sociedade e poder público, investir em educação, cultura e políticas de inclusão que ofereçam alternativas reais para esses jovens".

Bacelar reafirmou ainda seu compromisso com mais investimentos na educação e no fortalecimento de projetos culturais, como o Malê Debalê, que promovam a igualdade e a inclusão social.

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