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Aliado do PT, Raimundinho da JR é o segundo candidato do PL de Bolsonaro mais beneficiado com recursos do partido
Aliado do PT, Raimundinho da JR é o segundo candidato do PL de Bolsonaro mais beneficiado com recursos do partido
Por Política Livre
03/10/2024 às 12:39
Atualizado em 03/10/2024 às 17:25
Foto: Divulgação/Arquivo

Candidato a prefeito de Dias D'Ávila, município da Região Metropolitana de Salvador, o deputado estadual Raimundinho da JR, do PL, foi o segundo concorrente do partido nas eleições majoritárias na Bahia que mais recebeu verbas da direção nacional da legenda capitaneada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Mesmo sendo vice-líder do governador Jerônimo Rodrigues na Assembleia Legislativa e aliado do PT, o parlamentar foi contemplado com R$ 750 mil.
O primeiro da lista é o bolsonarista Chico França, candidato do PL em Itabuna, que recebeu R$ 850 mil, de acordo com dados do Divulgacand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O prefeito de Porto Seguro, Jânio Natal, que concorre à reeleição e também é o único gestor municipal da legenda no Estado, tendo apoiado Bolsonaro em 2022, ficou na terceira colocação, com R$ 720 mil.
A lista é seguida por outros dois bolsonaristas: Coronel Resende, em Ilhéus, que recebeu do PL R$ 671,7 mil, mas retirou a candidatura para apoiar o postulante do União Brasil, Valderico Reis; e Coronel França, que está na briga pela Prefeitura de Teixeira de Freitas e foi contemplado com R$ 603 mil.
O PL tem, no total, 27 candidatos a prefeito na Bahia. Entre esses, cinco não receberam nenhum recurso das direções nacional, estadual ou municipal do partido, apesar de a sigla possuir o maior fundo eleitoral do país. Isso ocorreu em Prado, Irará, Ibotirama, Capim Grosso e Brumado. Além disso, entre os postulantes que receberam doações da sigla, 14 foram contemplados com menos de R$ 80 mil.
Esta semana, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, disse que o partido já gastou, apenas no primeiro turno, os quase R$ 886 milhões a que teve direito do bilionário fundo eleitoral. Mas não houve economia na doação a aliados. Na Bahia, por exemplo, o candidato que mais recebeu recursos da direção nacional da sigla de Bolsonaro foi Flávio Matos, do União Brasil, postulante em Camaçari, agraciado com R$ 1,4 milhão.
Dias D'Ávila
Além da doação do PL, Raimundinho, que também é um dos candidatos com maior patrimônio declarado na Bahia (R$ 12,1 milhões), foi contemplado com R$ 460 mil do PSD, sigla que na Bahia é comandada pelo senador Otto Alencar. A candidata a vice-prefeita da chapa do deputado é da legenda - Rose Requião.
Vale lembrar que o vice-líder de Jerônimo e candidato a prefeito de Dias D'Ávila não é o único integrante do PL que é aliado ao PT na Bahia. Na Assembleia, o deputado Vitor Azevedo também integra oficialmente a base governista. Na Casa, os outros dois representantes do partido - Leandro de Jesus e Diego Castro - são bolsonaristas, demonstrando o equilíbrio na divisão.
O cenário de equilíbrio muda caso Raimundinho vença a eleição em Dias D'Ávila, pois o suplente que assume o mandato na Assembleia é o bolsonarista Coronel França, hoje candidato a prefeito de Teixeira de Freitas, mas com remotas chances de sucesso. Ou seja, ao menos em tese a vitória do candidato do PL em Dias D'Ávila interessaria à ala ideológica da sigla
Por conta da força do PT na Bahia, o PL teve dificuldades em manter os prefeitos eleitos em 2020, tanto que só restou Jânio Natal, que buscou uma aproximação com Jerônimo, mas não conseguiu. Presidente da sigla no Estado, João Roma tenta se equilibrar entre os que defendem a expulsão dos aliados dos petistas, grupo liderado pelo deputado federal bolsonarista Capitão Alden, e os chamados políticos tradicionais ou pragmáticos, que querem distância da política ideológica e ficam mais confortáveis próximos ao poder.
