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Ilhéus tem cenário eleitoral em aberto e “guerra fria” entre candidatos da base de Jerônimo

Ilhéus tem cenário eleitoral em aberto e “guerra fria” entre candidatos da base de Jerônimo

Por Política Livre

20/08/2024 às 10:09

Atualizado em 20/08/2024 às 15:57

Foto: Reprodução/Arquivo

Bento Lima, Adélia Pinheiro e Valderico Júnior

A disputa pela Prefeitura de Ilhéus, no sul da Bahia, está concentrada majoritariamente em torno de três candidaturas: Bento Lima (PSD), nome do prefeito Alexandre Marão (PSD), Adélia Pinheiro (PT) e Valderico Júnior (União Brasil).

Cada um ao seu estilo e com seus respectivos contextos, os três se apresentam sob a premissa de serem vistos como um elemento “novo” na cena eleitoral de Ilhéus, especialmente no momento em que o prefeito chega à reta final do seu segundo mandato dando sinais de desgaste.

Adélia aposta na máxima de “virar a chave”, enquanto Valderico encampa um movimento “pela renovação” e Bento aponta “pra cima e pra frente”, indicando a continuidade do grupo político que comanda a prefeitura, mas se valendo ao mesmo tempo do fato de ser ele uma figura estreante nas urnas em Ilhéus.

“Hoje o jogo está embolado e tudo pode acontecer”, diz um analista local em conversa com este Política Livre. Ele detalha que Adélia “largou bem”, mas há uma percepção de que já está perto do seu teto. Valderico é, no cenário atual, uma “segunda força”, mas com margem para crescer, tal como Bento Lima.

Corre por fora o Coronel Resende, do PL, mesmo partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, que abraça uma fatia do eleitorado mais conservador.

Ex-secretário de Gestão, Bento é homem de confiança do prefeito Marão e tem perfil técnico. Apesar de pouco conhecido, tem a seu favor o “peso da máquina” municipal que vem garantindo crescimento progressivo.

Adélia, por sua vez, tem a “máquina do governo estadual” jogando a seu favor, apesar de o prefeito Alexandre Marão também fazer parte da base do governador Jerônimo Rodrigues (PT).

Junto a isso, ela explora a associação à imagem do presidente Lula e à trinca de governadores do PT, Jaques Wagner, Rui Costa e Jerônimo, no tradicional mantra do “time de Lula”. O fato de ser a única mulher na corrida adiciona ainda mais um ingrediente particular em seu favor.

Já Valderico, faz uma espécie de oposição contra tudo e contra todos, porque tem autonomia para mirar os governos estadual e municipal simultaneamente. Ele tem o apoio local de Jabes Ribeiro (PP), ex-prefeito e liderança importante do município que acabou desistindo justamente por não ter conseguido fechar uma composição para ter Valderico como seu vice.

Outro ativo é ter como cabo eleitoral o ex-prefeito de Salvador e vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto, que venceu a disputa para governador em Ilhéus em 2022, embora tenha sido derrotado no saldo geral da Bahia.

Valderico chega ao novo pleito com o recall de 23% dos votos alcançados em 2020, quando não conseguiu impedir a reeleição de Marão com 43% dos votos, e também por ter sido candidato a deputado federal em 2022, sendo o mais votado em Ilhéus com mais de nove mil votos.

Guerra fria na base

Apesar de haver um duelo direto de duas candidaturas da base do governador Jerônimo, um observador político aponta que até então o enfrentamento não produziu danos maiores ao grupo estadual, que monitora com cautela o desenrolar da campanha.

“Marão é bastante carismático e hábil. Não externa chateação com o Governo do Estado [por causa da candidatura de Adélia]. A campanha vai sendo tocada como máquina. Não tem esse tom de ataque ao governo”, sinaliza, ao ponderar que Adélia também não avança o sinal contra o atual gestor, preferindo vender a tese de “virar a chave” da cidade.

Outro fator que pesa para o Palácio de Ondina é a presença do senador Otto Alencar na campanha de Bento, através do prefeito Marão. Principal cacique do PSD na Bahia, tem sido aliado fiel ao longo dos últimos anos, condição que a cúpula do governo espera manter após as eleições municipais. Daí a necessidade de o jogo eleitoral das cidades transcorrer com o máximo de civilidade a fim de evitar traumas para 2026.

Eis a razão pela qual, pelo menos por ora, os confronto PSD versus PT em Ilhéus está em condições normais de temperatura e pressão, sem que os dois polos tenham descambado para ataques mais severos.

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