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TCU questionará AGU por liberar acordo com empresa dos Batistas em menos de 24h

TCU questionará AGU por liberar acordo com empresa dos Batistas em menos de 24h

Por Julio Wiziack/Folhapress

17/07/2024 às 16:15

Foto: Divulgação/CNN Brasil

Os irmãos Wesley e Joesley Batista, donos da J&F

O TCU julgará os termos do acordo fechado entre o Ministério de Minas e Energia e a Âmbar, braço de energia dos irmãos Batista, mas quer explicações da AGU (Advocacia-Geral da União) por ter liberado o Ministério de Minas e Energia para assinar o acordo em menos de 24 horas.

Além disso, os técnicos envolvidos na análise dos documentos na corte de contas apontam inconsistências na tramitação interna.

Pela cronologia das decisões da AGU, o primeiro parecer aprovando o acordo foi assinado por Érica Izabel da Rocha Costa, em 6 de maio às 19h23, pouco mais de uma hora após a assinatura do segundo parecer pela coordenadora-geral de assuntos externos, Michelle Marques da Silva.

O último documento, o despacho do ministro Jorge Messias aprovando o acordo com ressalvas, foi assinado em 7 de maio às 16h52

Consultada a AGU informou que prestará as devidas explicações ao TCU. Reservadamente, procuradores afirmaram que não há inconsistência.

Dizem que, hoje, um documento pronto para ser assinado —no caso, o parecer da advogada Érica Costa, aprovando os termos do acordo— fica disponível no sistema da AGU e cada superior tem a liberdade de assiná-lo a qualquer momento.

Isso explica por que a autora do primeiro parecer só o assinou depois da coordenadora-geral.

ANTECEDENTES

O acordo foi arquivado pelo TCU, mas o Ministério de Minas e Energia decidiu assiná-lo mesmo sem o julgamento do mérito —o que deve ocorrer nos próximos meses, seguindo o rito processual.

Esse acordo tinha sido negociado no âmbito da Secex-Consenso, secretaria do TCU que media acordos entre a União e, em geral, entes regulados (concessionárias). Sem consenso, ele foi arquivado.

Como o ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia) decidiu assumir os riscos de assiná-lo, agora ele será julgado em seu mérito para saber se há dano ao erário.

O pacto com a Âmbar evita que a União seja acionada judicialmente caso optasse pelo cancelamento do contrato devido ao descumprimento de prazo para a construção de usinas térmicas que injetariam energia no SIN (Sistema Integrado Nacional).

Cálculos do ministério indicam que essa fatura custaria cerca de R$ 19 bilhões ao governo.

Com o acordo, a Âmbar fornecerá a energia, nesse momento, por outra usina em Cuiabá (MT), pelo dobro do prazo (serão 88 meses) e com um desconto de R$ 9,2 bilhões. Ao fim, a União pagará R$ 9,5 bilhões em vez de R$ 18,7 bilhões.

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