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Picchetti diz que não entendeu mudança de Campos Neto sobre ritmo do corte de juros
Picchetti diz que não entendeu mudança de Campos Neto sobre ritmo do corte de juros
Por Maria Eloisa Capurro, Folhapress
15/05/2024 às 13:31
Atualizado em 15/05/2024 às 17:00
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O Banco Central (BC) continua empenhado em trazer a inflação para o centro da meta de inflação, disse o diretor de assuntos internacionais e de gestão de riscos corporativos, Paulo Picchetti, enquanto procura tranquilizar os investidores cujas expectativas de longo prazo permanecem meio ponto percentual acima dos 3% estabelecidos como objetivo.
O diretor do BC afirmou também não ter entendido a mudança na comunicação do presidente do banco, Roberto Campos Neto, sobre o ritmo de corte de juros.
Em entrevista à Bloomberg News por telefone na terça-feira (14), Picchetti afirmou que o conselho deveria "priorizar mecanismos oficiais de comunicação" que sejam "resultados de conversas entre os conselheiros" em vez de expor todas as discussões ou argumentos internos ao escrutínio público.
Segundo o diretor, as observações de Campos Neto não foram totalmente discutidas entre os membros do Copom.
O conselho havia indicado na reunião anterior que manteriam o ritmo de redução em maio. Mas Campos Neto, em palestra a investidores no mês passado em Washington, alertou para a possibilidade de desacelerar a magnitude dos cortes.
"Essa comunicação do presidente aconteceu em um evento e sinceramente não sei se ele tinha o objetivo e a intenção de fazer disso uma orientação, mas acabou sendo o caso", disse.
A decisão dividida no Copom da semana passada para desacelerar o ritmo do atual ciclo de flexibilização monetária fez os juros futuros negociados na B3 tivessem forte alta.
A reação ocorreu em meio à tentativa dos investidores de avaliar as divergências entre os membros do comitê alinhados com o presidente da instituição, Roberto Campos Neto, e os diretores nomeados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
As divergências geraram preocupações sobre a abordagem do BC em relação à inflação, já que Lula poderá indicar mais dois diretores e substituir Campos Neto no final do ano. Picchetti é um dos quatro nomeados por Lula até agora.
Não há problema em haver divergências, vemos divergências em bancos centrais do mundo inteiro", disse Picchetti à Bloomberg News durante entrevista por telefone na terça-feira, limitando-se a perguntas sobre a divulgação da ata da decisão do banco de cortar a Selic em 0,25 p.p (ponto percentual), para 10,50%. "A gente continua comprometido 100% com a convergência da inflação para a meta."
Picchetti rejeitou a ideia de que a decisão dividida expôs diferenças políticas entre os membros do conselho.
"Houve um exagero enorme no sentido de atribuir visões muito simplistas às decisões de um lado e de outro", afirmou. "A ata foi a oportunidade que tivemos para deixar claro que se tratava de uma discussão técnica."
Analistas brasileiros elevaram suas previsões de taxas de juros para o final do ano, após a decisão dividida da semana passada. Entretanto, os investidores aumentaram nas últimas semanas as apostas de que a inflação permanecerá acima do objetivo do banco até 2027, sugerindo que estão cada vez mais céticos em relação às declarações do BC de que está comprometido em controlar o aumento de preços.
Mas Picchetti reforçou a mensagem geral da ata, dizendo que o comitê como um todo –incluindo os membros indicados por Lula– está focado em reduzir a inflação até a meta.
"A menos que existam evidências dizendo que isso não seria factível no horizonte que conseguimos ver, não há motivo para não se comprometer com o centro da meta", disse. "Claramente ainda temos uma taxa restritiva, mesmo com corte de 50 p.p ainda teríamos uma taxa restritiva."
