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Opinião - Ao invés de interromper agendas externas, Jerônimo deveria escolher uma boa Casa Civil
Opinião - Ao invés de interromper agendas externas, Jerônimo deveria escolher uma boa Casa Civil
Por Política Livre
27/05/2024 às 12:42
Atualizado em 27/05/2024 às 13:32
Foto: Divulgação/Arquivo

Dos três governadores que o PT ofereceu ao Estado da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT) é, de longe, o mais afável e popular. Nem o senador Jaques Wagner, que iniciou a dinastia petista no Estado, e é conhecido pela gentileza e capacidade de sedução, lhe é páreo neste sentido.
Enquanto sua equipe dá muxoxo e se queixa de cansaço, Jerônimo é capaz de passar horas num evento, dedicando-se exclusivamente a conhecer os presentes, bem como trocando beijos e abraços, além de fazendo selfies e gravações que vão ganhar suas redes sociais, onde muita gente se reconhece.
A disponibilidade para se lançar em espaços desconhecidos, distribuir atenção e carinho o faz emergir, de fato, como uma liderança popular, uma característica que o PT ainda não tinha produzido na política baiana a despeito dos seus 18 anos de governo no Estado.
O problema é que, para se dedicar à tarefa de construir sua popularidade, o que não deixa de ser um ativo também para o seu partido, é preciso tempo e a gestão de um Estado como a Bahia não pode conceder-lhe tanto - mesmo que acorde de madrugada e trabalhe aos domingos - sem cobrar seu preço.
O cálculo é simples. O tempo que Jerônimo tem dedicado a passar com as pessoas está sendo tirado daquele que ele deveria provavelmente utilizar sentado em seu gabinete, resolvendo inúmeras demandas que lhe chegam todos os dias e hoje viraram motivo de queixas da equipe, de deputados e de alguns setores que precisam dele.
Estaria ainda na base dos boatos de que, por causa do estilo do governador, o hoje ministro Rui Costa (Casa Civil) estaria preparando seu retorno ao governo, por meio de uma candidatura à sucessão estadual, tirando o direito natural de Jerônimo disputar a reeleição.
Mas há também uma forma de o governador poder continuar se concentrando em atividades externas com menos impacto em suas relações e no governo. Seria acomodar na Casa Civil um quadro que pudesse desenrolar os problemas da administração e de coordenação política, dividindo com ele as atividades de forma que pudesse dedicar-se ao que mais gosta.
O modelo foi, por exemplo, testado e aprovado na gestão Jaques Wagner, que diziam ter mais simpatia pela política do que pela administração. Ele escolheu Rui Costa para sua Casa Civil. Wagner não só se reelegeu como ainda elegeu Rui governador.
Haja a explicação que houver, a Casa Civil atual de Jerônimo, de fato, não o ajuda.
